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Direitos Humanos

ONU: em SP, negros têm 62% mais chances de morrer de COVID-19 do que brancos

Michelle Bachelet, alta-comissária para os Direitos Humanos, alerta para "impacto devastador" do coronavírus sobre pessoas de ascendência africana

Vítima de COVID-19 em hospital de Salvador. Foto: Paula Fróes/GOVBA
Da Redação
02 de junho de 2020, 17h53

A alta-comissária da ONU para os Direitos Humanos, Michelle Bachelet, alertou nesta terça-feira para o impacto desproporcional da COVID-19 sobre as minorias raciais e étnicas em alguns países. “Os dados nos mostram um impacto devastador da COVID-19 sobre pessoas de ascendência africana, bem como minorias étnicas, em alguns países como Brasil, França, Reino Unido e Estados Unidos”, disse Bachelet.

No Estado de São Paulo, as pessoas negras têm 62% mais chances de morrer de COVID-19 do que as brancas. No departamento de Seine Saint-Denis, na França, também foi registrada alta mortalidade entre pessoas de minorias raciais e étnicas. Na Inglaterra e País de Gales, os dados do governo mostram uma taxa de mortalidade entre negros, paquistaneses e bengalis duas vezes maior do que a da população de brancos, mesmo quando fatores de saúde e classe são levados em consideração. Nos Estados Unidos, a taxa de mortalidade de COVID-19 para afro-americanos é mais do que o dobro de outros grupos raciais.

Segundo a ONU, essas disparidades provavelmente resultam de múltiplos fatores relacionados à marginalização, discriminação e acesso à saúde. Pessoas de minorias raciais e étnicas também são encontradas em maior número em alguns empregos com maior risco, como transporte, saúde e limpeza

Segundo a ONU, essas disparidades provavelmente resultam de múltiplos fatores relacionados à marginalização, discriminação e acesso à saúde, embora sejam necessárias mais informações para entender a situação. Desigualdades econômicas, moradias superlotadas, riscos ambientais, disponibilidade limitada a cuidados de saúde e preconceito na prestação destes cuidados influenciam nos resultados. Pessoas de minorias raciais e étnicas também são encontradas em maior número em alguns empregos com maior risco, inclusive nos setores de transporte, saúde e limpeza.

“É possível que padrões similares ocorram em muitos outros lugares, mas não podemos afirmar com certeza porque as informações sobre raça e etnia simplesmente não estão sendo coletadas ou relatadas”, afirmou a alta-comissária. Um estudo recente da revista científica The Lancet a partir de documentos e relatórios governamentais sobre a COVID-19 constatou que apenas 7% continham dados por etnia. “A coleta, desagregação e análise de dados por etnia ou raça, além de gênero, são essenciais para identificar e tratar as desigualdades e a discriminação estrutural que contribuem para os fracos resultados de saúde e para a COVID-19”, defendeu Bachelet.

Para a alta-comissária da ONU, estas desigualdades também estão alimentando os protestos generalizados que afetam centenas de cidades nos EUA desde o assassinato de um homem negro, George Floyd, por um policial branco. “Este vírus está expondo desigualdades endêmicas que há muito tempo são ignoradas. Nos EUA, os protestos desencadeados pelo assassinato de George Floyd estão destacando não apenas a violência policial contra pessoas negras, mas também as desigualdades em saúde, educação, emprego e a discriminação racial endêmica”, disse. “Esses problemas são refletidos em maior ou menor grau em muitos outros países, onde as pessoas de ascendência africana e outras minorias raciais estão sujeitas a formas arraigadas de discriminação.”

“É uma tragédia que a COVID-19 tenha exposto o que era óbvio: que o acesso desigual à assistência médica, habitação superlotada e discriminação generalizada tornam nossas sociedades menos estáveis, seguras e prósperas”, disse Michelle Bachelet

Segundo Michelle Bachelet, o impacto da COVID-19 nas minorias raciais e étnicas está sendo muito discutido, mas não está claro o que está sendo feito para resolvê-lo. “Os países precisam tomar medidas urgentes, como priorizar o monitoramento e os testes de saúde, aumentar o acesso aos cuidados de saúde e fornecer informações direcionadas para essas comunidades. É uma tragédia que a COVID-19 tenha exposto o que era óbvio: que o acesso desigual à assistência médica, habitação superlotada e discriminação generalizada tornam nossas sociedades menos estáveis, seguras e prósperas”, lamentou.

“A luta contra essa pandemia não pode ser vencida se os governos se recusarem a reconhecer as flagrantes desigualdades que o vírus está trazendo à tona. Os esforços para combater a COVID-19 e iniciar o processo de recuperação só serão bem-sucedidos se os direitos de todos à vida e à saúde estiverem protegidos, sem discriminação.”

Com informações do site da ONU

 


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(2) comentários Escrever comentário

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Jose Jehovah Santos Netto em 04/06/2020 - 14h25 comentou:

Por favor, a reportagem não explica de onde saiu os 62% no Brasil, poderia por favor ser mais especifica?

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