Socialista Morena
Maconha

Pesquisador alemão zoa guerra às drogas no Brasil em sequência de tweets

Em interminável (e hilário) "fio" na rede social, Christoph Harig coleciona imagens bizarras de apreensões

Apreensão de drogas no interior de São Paulo em 2020. Foto: divulgação/Polícia Civil-SP
Da Redação
14 de abril de 2021, 18h59

Um especialista alemão em segurança, Christoph Harig, criou uma sequência interminável (e hilária) de tweets zoando as apreensões de drogas pela polícia brasileira. Harig, pesquisador da Universidade Helmut Schmidt, em Hamburgo, e PhD em Segurança pelo Kings College, em Londres, afirmou ao site que algumas imagens demonstram o ridículo da guerra às drogas no Brasil.

“As fotos mostram muita coisa ao mesmo tempo. Tem fotos que mostram uma criatividade enorme dos policiais –e aí surge a pergunta: por que sobra tanta energia e tempo para uma coisa que não tem efeito nenhum?”, questiona. “Algumas fotos mostram o ridículo da guerra às drogas e essa mania de obter ‘resultados’ nessa guerra sem fim. Algumas fotos também mostram o entendimento problemático do policiamento que existe no Brasil (e outros países) de que problemas se resolvem quando se prende uma quantidade suficiente de bandidos.”

A primeira foto divulgada pelo pesquisador em seu “fio” de tweets foi a apreensão pela polícia, em outubro de 2019, de um carregamento de 22 potes de… Nutella. Os frascos com a substância viciante foram encontrados com uma mulher em Patrocínio, no Triângulo Mineiro.

Para ele, a Polícia Militar de Minas Gerais, terra do helicoca, é a campeã das fotos bizarras. “A PMMG usa pinos de cocaína de forma absurda”, ri.

Na sequência de tweets do pesquisador é possível checar a inesgotável criatividade dos policiais ao dispor pinos de cocaína nas apreensões, como na foto que ilustra este texto. A Polícia Militar da Paraíba, romanticamente, fez uma montagem em forma de coração.

As pílulas de metanfetaminas também costumam levar os policiais ao êxtase.

Já a Polícia Civil do Rio Grande do Sul preferiu esvaziar os pinos (!!!) para escrever as iniciais da força com a própria cocaína.

A preocupação visual é um must das apreensões. “A polícia brasileira criou todo um gênero de arte subcultural”, escreveu Harig em um dos posts. Tem inclusive um tumblr dedicado ao assunto, Apreensão e Arte.

Dezenas de apreensões mostram aquelas célebres fotos em que os policiais exibem apenas um ou dois pés de maconha e alguns baseados, muitas vezes após operações gigantescas. “Essas para mim são as mais tristes”, diz o pesquisador. “O Brasil tem problemas sérios com o crime organizado e o tráfico de drogas, mas essas apreensões são absurdas e mostram o problema de um policiamento altamente militarizado que só tem foco em punir.”

Nem os cãezinhos farejadores escapam da criatividade dos policiais.

Outra imagem frequente são os brinquedos e bichos de pelúcia encontrados com drogas dentro, que os policiais fazem questão de exibir de forma ostensiva, como se fossem a evidência máxima de um trabalho bem feito.

Perguntei ao pesquisador se esse tipo de coisa é exclusiva do Brasil e ele disse que na Turquia fazem parecido. “Mas os policiais brasileiros devem ser os mais sofisticados”, ri.

Até onde essa inútil guerra às drogas vai nos levar? A lugar algum. Para ver a sequência completa dos tweets de Christoph Harig, clique aqui.

 

 


Apoie o site

Se você não tem uma conta no PayPal, não há necessidade de se inscrever para assinar, você pode usar apenas qualquer cartão de crédito ou débito

Ou você pode ser um patrocinador com uma única contribuição:

Para quem prefere fazer depósito em conta:

Cynara Moreira Menezes
Caixa Econômica Federal
Agência: 3310
Conta Corrente: 23023-7
(5) comentários Escrever comentário

Os comentários aqui postados são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião da Socialista Morena. Todos as mensagens são moderadas. Não serão aceitos comentários com ofensas, com links externos ao site, e em letras maiúsculas. Em casos de ofensas pessoais, preconceituosas, ou que incitem o ódio e a violência, denuncie.

PAULO ROBERTO MARTINS em 14/04/2021 - 20h01 comentou:

Uma verdadeira palhaçada! Todos sabem que a guerra às drogas existe porque envolve muito dinheiro,salários,empregos,exposições públicas,exibicionismos,egos,etc. Quantos empregos públicos existem devido ao combate às drogas? Quantos ficariam desempregados se acabassem com esta palhaçada? Quando não tem “terroristas”,”subversivos” ou “comunistas” para caçar,tem-se que gastar a energia e o dinheiro público em alguma coisa.Melhor gastar com os pés de chinelo que transportam,cultivam ou distribuem drogas. Peixes pequenos.Menos perigoso,saudável e – parece-me – divertido!

Responder

Marcelo em 15/04/2021 - 10h22 comentou:

Justamente é um comércio essa guerra hoje em dia, você olha e acha divertido ou criativo (alguém né). Enquanto prendem 1 tonelada pra dizer que foi apreendido muita droga existem no mesmo momento mais de 300 toneladas em movimento fontes? Minha cabeça. Todos sabem que o cultivo organizado da cannabis por exemplo é muito mais benéfico do que prejudicial aí sim com base em pesquisas como Oxford ou Havard, no Canadá por exemplo no 1 ano de liberação da maconha medicinal e posteriormente recreativa eles lucraram mais de 3bi de U$$, a quebra com o tráfico reduziu o custo com a polícia nesse quesito em 33%, gera em torno de 5% de empregos nacionais entre outros benefícios como a queda na violência em alguns bairros mais pobres, mas no Brasil não temos educação…
Cara um produto medicinal que vai ajudar muitas famílias ser produzido aqui ou cultivado sem risco pq hoje já existem famílias que cultivam e extraem seu cbd com medo de serem presos sendo que quem é pesquisador sabe a diferença de cbd e thc e os produtos medicinais são quase livres de thc. Bom é só um descontentamento mesmo o governo gasta com essa guerra inútil ao invés de utilizar as próprias forças pra combater o mesmo, nossas fronteiras são abandonadas de forma geral, uma guerra contra uma planta que ajuda milhões de famílias pelo mundo e gera muita renda etc. Sei lá o Brasil só anda na contramão do mundo todo, seja no covid seja na guerra as drogas e até na educação.

Responder

PAULO ROBERTO MARTINS em 16/04/2021 - 11h20 comentou:

Complementando… antigamente os meganhas nacionais adoravam exibir as cabeças degoladas de prisioneiros politicos,cangaceiros,índios,desafetos.Agora bancam os engraçadinhos com as drogas apreendidas.Não tem limites os gracejos da repressão verde-amarela.São muito graciosos!

Responder

felipe puxirum em 01/05/2021 - 14h07 comentou:

sagrada fumaça

descendo a raja gabáglia na companhia de uma erva santa
e para quem quer entender é como quer no kimbundu dizer diamba
orgânica e sensorial costume ancestral até a contorno
quando a desinteligência de farda impõe o estado impondo transtorno
é rotina de reprodução das violências do preconceito
dessa hipócrita sociedade cuja desigualdade é seu pior defeito
pensei nisso depois do pulão na alvares cabral de mente expandida
sentindo alegre compensação de que seu uso plural afirma a vida

parabéns ao uruguai pelo salto de inteligência
que soube ir para além do maniqueísmo de conveniência
provando que o problema jamais foi a maconha
mas interesses inconfessáveis sob “segurança pública” sem
vergonha

planta de cura e poder prazer conviver sob seus efeitos
presente da vida às culturas na sábia natura conectores afeitos
de cabeça feita e erguida pergunto no banco da assembléia
quem lucra no controle racista sobre o maconheiro em volta dela

Responder

Zérruela em 02/05/2021 - 21h33 comentou:

Aí pixurim… matou a ponta e engoliu os pontos, né maluco! Sort’essa fumaça e respira, manuvéi. Vírgula. Kkk

Responder

Deixe uma resposta

 


Mais publicações

Politik

Os 171 dias de governo: um balanço das “realizações” de Bolsonaro até agora


Confira o que Bolsonaro já fez e julgue você mesmo se são projetos que engrandecem e contribuem para nosso futuro como nação

Politik

“Lagostagate”: imprensa israelense zoa “farsa kosher” de seu embaixador


Para fugir das críticas ao consumo de frutos do mar, proibidos pelo judaísmo, embaixada recorreu a um péssimo photoshop