Socialista Morena
Politik

Provamos que sabemos fazer Copa. Que venham as escolas e hospitais “padrão Brasil”

Claro que foi duro ver a seleção tomar 7 gols da Alemanha, mas as tragédias fazem parte da mística do futebol. O importante é que a seleção perdeu, mas o Brasil ganhou: a Copa do Mundo 2014 foi um sucesso. A despeito das previsões catastróficas feitas pela oposição e pela mídia, que praticou apenas mau […]

(A bela Arena Amazônia. Foto: Chico Batata/Agecom-AM)
Cynara Menezes
14 de julho de 2014, 18h44
(A bela Arena Amazônia. Foto: Chico Batata/Agecom-AM)

(A bela Arena Amazônia. Foto: Chico Batata/Agecom-AM)

Claro que foi duro ver a seleção tomar 7 gols da Alemanha, mas as tragédias fazem parte da mística do futebol. O importante é que a seleção perdeu, mas o Brasil ganhou: a Copa do Mundo 2014 foi um sucesso. A despeito das previsões catastróficas feitas pela oposição e pela mídia, que praticou apenas mau jornalismo no que diz respeito à Copa, fizemos um grande evento, digno de um grande país. Nem vou mencionar aqui o pedido de desculpas que deveria ser feito por todos ao ex-presidente Lula, que nunca duvidou do sucesso do Mundial de futebol no Brasil desde o princípio. Lula, a Copa foi um golaço.

Houve uma torcida contra feia não me refiro aqui aos que foram às ruas para defender, com justiça, as vítimas de remoções por conta das obras da Copa. Critico os que torceram contra o País. Gente na imprensa e na oposição que desejou até mesmo que um dos estádios ou aeroportos erguidos para o Mundial desmoronasse e causasse mortes. Esta é a verdade, que só escrevo agora até por superstição. Não é à toa que se tentou atribuir a queda de um viaduto em Belo Horizonte, de responsabilidade da prefeitura, ao governo federal. Só que se uma tragédia ocorresse na Copa, não atingiria apenas a imagem do governo, e sim a do Brasil. Sinal que essa gente não está preocupada com o País, só quer tomar o poder. Não está nem aí para o fato de que, aconteça o que acontecer, o Brasil é o mesmo. Os governos vão, o País fica.

Felizmente, a Copa transcorreu da melhor forma possível. Recebemos bem os visitantes estrangeiros, que ficaram impressionados com a simpatia e a alegria do nosso povo, nossa boa comida, nosso clima, nossa natureza exuberante e nem um pouco com a brutalidade de nossa polícia. Não aconteceu o caos aéreo também desejado por setores da oposição e da mídia, tudo funcionou direitinho e recebemos os maiores elogios dos turistas e da imprensa internacional. Nos divertimos a valer com os jogos, que bateram todos os recordes de gols inclusive nas redes da seleção brasileira… Foi um mês de farra, que deixará saudades. Já estamos com saudades.

Agora, devemos olhar para frente, para o futuro, para o Brasil que queremos. Em minha opinião, uma das reivindicações mais justas feitas pelos que protestaram nas manifestações de junho do ano passado e, este ano, contra a Copa do Mundo, foi a que pedia, em faixas e cartazes, equipamentos públicos “padrão FIFA”. Parece um pedido genérico, mas não é. Principalmente após vermos os estádios e aeroportos que construímos. Bonitos, modernos, funcionais. “Padrão FIFA”. Por que não escolas e hospitais com a mesma excelência? Não podemos deixar de almejar isso. Não podemos rebaixar nosso nível de exigência depois que vimos do que somos capazes.

O que muitas das pessoas que foram às ruas exigir “padrão FIFA” não sabem, porém, é que isso não depende somente do governo federal. Saúde e educação também são responsabilidade dos governos estaduais e municipais. Se aí, na sua cidade, um hospital municipal não funciona bem, não adianta cobrar quem preside o País, tem que cobrar o prefeito. Se uma escola estadual não funciona bem, não adianta reclamar com o governo federal, tem que reclamar com o governador. Já que aprendemos a ir às ruas protestar, é preciso direcionar os protestos para o alvo certo e não apenas ficar repetindo clichês.

Uma boa maneira de protestar por equipamentos públicos “padrão FIFA” é deixando de eleger maus políticos, que nunca fizeram nada pelo País, por seu Estado ou por sua cidade. Ir às ruas é bacana. Mas é importante também dedicar algum tempo para se informar sobre os vereadores, deputados estaduais e federais, senadores, governadores e o prefeito que você elege. Porque infelizmente manifestações não bastam para mudar as coisas. Numa democracia, a única maneira eficiente de promover mudanças é votando. Em quem você votou na eleição passada? Verifique se seu candidato cumpriu tudo aquilo que prometeu. Se não cumpriu, não vote mais nele.

Outra coisa que as pessoas parecem não saber é que prefeitos, governadores e o presidente da República dependem dos órgãos legislativos para governar bem. Não adianta votar em nomes decentes para os cargos executivos e votar mal para as Câmaras de Vereadores, Assembléias e o Congresso Nacional. Muita gente vive reclamando que os políticos são ruins. Que são corruptos. Que não pensam no País. Mas quem os elege é você. Eu e muita gente que nunca votou num mau político pagamos pelos canalhas que você botou lá. E depois ainda vai à rua bradar, como se não tivesse nada a ver com isso: “Fora Fulano!”, “Fora Beltrano!”. Acho cara-de-pau.

Votando direito, fica mais fácil conquistar o que foi gritado nas ruas e exposto em cartazes. É, sim, uma reivindicação justíssima: está mais do que na hora de nosso País ter bons equipamentos públicos, boas escolas, bons hospitais. Não digo nem “padrão FIFA”, que afinal essa entidade não deve ser parâmetro para nada. Prefiro falar em “padrão Brasil”, porque a Copa mostrou como somos um país maravilhoso, receptivo, organizado e competente quando queremos. É assim que as coisas aqui devem ser, sempre, não só quando temos visitantes estrangeiros em casa. Que venha, portanto, o padrão Brasil. Nosso povo merece.


Apoie o site

Se você não tem uma conta no PayPal, não há necessidade de se inscrever para assinar, você pode usar apenas qualquer cartão de crédito ou débito

Ou você pode ser um patrocinador com uma única contribuição:

Para quem prefere fazer depósito em conta:

Cynara Moreira Menezes
Caixa Econômica Federal
Agência: 3310
Conta Corrente: 23023-7
(23) comentários Escrever comentário

Os comentários aqui postados são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião da Socialista Morena. Todos as mensagens são moderadas. Não serão aceitos comentários com ofensas, com links externos ao site, e em letras maiúsculas. Em casos de ofensas pessoais, preconceituosas, ou que incitem o ódio e a violência, denuncie.

Flavio Lima em 14/07/2014 - 19h43 comentou:

Depois desse post, mais uma vez muito bom, merecidíssmas férias!

Responder

Luiz em 14/07/2014 - 23h00 comentou:

"Numa democracia, a única maneira eficiente de promover mudanças é votando. " – Se a gente tivesse em uma ia ser mo daora mesmo. Fala isso para os presos políticos do Rio de Janeiro.

Responder

J Ferreira em 14/07/2014 - 23h47 comentou:

Uma lição política foi dada aqui gratuitamente. Que tal vocês lerem, manifestantes e black blocks sem juízo.

Responder

@fps3000 em 14/07/2014 - 23h54 comentou:

Um padrão Brasil igual ao padrão FIFA é caro para se manter (a maioria das estruturas será privatizada depois da Copa). Prefiro um padrão eficiente e barato, chamado apenas de "o padrão".

Responder

Luci A em 15/07/2014 - 02h30 comentou:

Só discordo da parte do voto certo, porque não acredito neste tipo de representação.As ruas é o lugar de mudanças (lugar do povo por excelência!), urnas não.
No mais, assino cada linha do seu texto. Excelente análise sobre o Brasil de fato, e o Brasil que esperamos.
Beijos. Boas (e merecidas) férias!
Aguardamos ansiosamente seu retorno.

=**

Luci A.

Responder

Léo Miranda em 15/07/2014 - 02h48 comentou:

Isso aí é o que o Safatle chamou de "esquerda padrão Fifa" e o Lobão de "revoltados chapa branca" (percebam de onde partem as críticas). É a "esquerda revolucionária" que faz o jogo do governo e propaga o "sucesso" da Copa, mesmo sendo ela a maior crítica da "sociedade do espetáculo".

Vamos comemorar o "sucesso" da Copa que:

– desapropriou mais de um milhão de famílias
– construiu estádios em condições deploráveis de trabalho
– financiou megaprojetos sem sentido que só serviram à especulação imobiliária
– promoveu ainda mais relações incestuosas entre governos e empresários
– teve incompetência gerencial em todos os níveis e empreendimentos
– prendeu milhares da manifestantes

Por fim, por muito pouco não vimos (ou vimos?) a autodeclarada esquerda reeditando o slogan "Brasil, ame-o ou deixe-o". Manifestação virou coisa da direita(!!!!!).

Safatle termina o texto dele dizendo "A esquerda morre quando negocia sua força crítica por alguns ingressos de futebol". Clap clap clap.

Sou de esquerda e envergonhado dessa esquerda governista. Não se vendam por ingressos de futebol! Permaneçam críticos! Integridade é o mínimo que devemos ter, companheiros.

Responder

    Rodrigo_Galera em 15/07/2014 - 19h32 comentou:

    Touché! Me considero centrista mas sempre tive um "pézinho" na esquerda, tanto é que eu venero o exemplo dos países nórdicos. E acho uma imensa idiotice chamar esse desgoverno de "esquerda". Ainda mais com toda essa palhaçada, esse circo. E os presos políticos no Rio de Janeiro? E a violação dos direitos humanos durante as obras?

Mateus Fonseca em 15/07/2014 - 03h13 comentou:

Acho que você, talvez sem querer, reduziu todos manifestantes a coxinhas. Acho que tanto protestar e votar são grandes exercícios de cidadania. No mais excelente post

Responder

Renata Mezenes em 15/07/2014 - 04h53 comentou:

Estranho, vi vários posts seus #naovaitercopa.

Responder

Vitor em 15/07/2014 - 11h20 comentou:

Só pode estar de sacanagem! Pedir desculpas pra Lula? Logo ele que anunciou uma Copa com dinheiro privado??? Peça você, eu não!
Se o padrão Brasil for atraso e superfaturamento de estádios, obras de mobilidade incompletas, atrasadas e que nem saem do papel, feriados aos montes para as cidades não pararem, aeroportos com puxadinhos e sem planejamento de longo prazo, polícia ostensiva e repressora nas ruas…. Bom, eu prefiro que as coisas não tenham padrão Brasil não, nem padrão Lula (nem padrão FHC, aliás)…

Responder

    Gustavo em 15/07/2014 - 14h18 comentou:

    Tirou as palavras da minha boca. Pedir desculpas ao Lula foi piada né…prometeu não usar dinheiro público, enfio goela baixo da FIFA que seriam 12 sedes e não 8 e etc…

    Vitor em 01/08/2014 - 16h48 comentou:

    Eu fico surpreso quando vejo pessoas instruídas praticando culto a personalidades… É estarrecedor!

RICARDO AZEVEDO em 15/07/2014 - 11h56 comentou:

NOS JÁ TEMOS HOSPITAIS E ESCOLAS PADRÃO PT !

Responder

Carolina Kuwer em 15/07/2014 - 16h46 comentou:

Acho esse lance de votar certo meio lavar as mãos". Claro que pesquisar os candidatos, acompanhar os projetos e presenças deles nas assembleias legislativas, por exemplo, é uma ferramenta. Mas a mudança tem que vir do ser humano brasileiro. enquanto não mudarmos nossa postura, nosso desrespeito pelos outros, nossa ganância, nosso ódio por quem pensa diversamente de nós, nossa mesquinhez, o país não muda. O brasileiro tem que ser mais cooperativo, mais preocupado com o bem estar geral, mais respeitoso com opiniões diversas, mas cumpridores de deveres (mesmo qdo não há ngm olhando). É o caráter que tem que mudar, para que o reflexo mude. Senão, é mera transferência de responsabilidade para os eleitos.

Responder

Paulo em 15/07/2014 - 20h58 comentou:

Alguém poderia me explicar por quê ninguém lembra da saúde e da educação durante o carnaval, que é feito com dinheiro público, durante a parada gay, que tam bém é feita com dinheiro público e durante as estréias de filmes nacionais que tam bém são feitos com dinheiro público.

Responder

    Vitor B. em 16/07/2014 - 11h52 comentou:

    E o que tem de errado em investir na cultura? Engraçado que não vi você mencionar o fato de que igrejas não pagam impostos.

    Paulo em 18/07/2014 - 15h18 comentou:

    Parada gay não é cultura, homossexualismo é orientação sexual, não cultura. O futebol é considerado parte da cultura brasileira, então por esse motivo não há nada de mais em usar dinheiro público para construir estádios. Quanto as Igrejas, fazem bem em não pagar impostos, pagar imposto no Brasil é financiar o Foro de São Paulo, as Farc, o MST, o MTST, o movimento gay, etc, além do mais as Igrejas mantém obras de caridade que dão muito mais retorno para a sociedade do que o governo dá.

    Vitor B. em 21/07/2014 - 15h39 comentou:

    Parada Gay é cultura sim, pode não ser sua cultura, mas é manifestação cultural de uma parcela da população. Existe musica, dança, cinema, teatro, moda, comportamento voltado especificamente para a comunidade Gay. Já em relação ao seu raciocínio para justificar a isenção tributária para as igrejas, podemos aplicá-las às empresas que mantêm instituições de caridades então? Até a parada Gay é organizada por instituições que prestam serviços relevantes como a prevenção às DST's, abrigam pessoas marginalizadas pela sua orientação sexual, realizam a promoção destas pessoas. Toda instituição de caridade é isenta de tributos, então a parte das igrejas que se dedicam a esse trabalho deve sim continuar isenta, porém igreja também trás rendimento financeiro, exemplos os impérios construídos pela Igreja Católica, ou pelos lideres de Igrejas Protestantes, isso sim, na minha opinião deve ser tributado. Além do mais as Igrejas e os cristãos não fazem mais do que a obrigação de prestar caridade aos necessitados, pois isso é um dos dogmas pregados pelo cristianismo.
    P.S.: vou deixar bem claro que sou Católico Apostólico Romano, antes que me taxem como ateu esquerdopata, como costumam fazer.

Fernando Nunes em 15/07/2014 - 23h03 comentou:

Olha Cynara, você só esqueceu de mencionar que os absurdos cometidos pela polícia ao longo dos preparativos par Copa, até a derradeira final, no estado de exceção que foi implantado nas cidades-sede, com destaque para a covardia da polícia militar e dos mandados de prisão de inocentes no RJ, um dia antes da finalíssima, tem o dedo da Dilma e do ministro Eduardo Cardozo. Concordo com tudo que você disse, mas não podemos mais passar a mão na cabeça da Dilma e seu partido, quando nunca enfrentaram assuntos espinhosos, como a PM, e ainda por cima se colocam lado a lado com essa corja. Não é somente responsabilidade dos estados, a Dilma pisou feio na bola, esse entre outros temas irão lhe custar caro lá na frente. Abraços!

Responder

Julia em 19/07/2014 - 15h15 comentou:

Texto maravilhoso, transmitiu exatamente como o sistema deve funcionar para mudar as coisas no Brasil. Sem essa onda desse povo querendo ser intelectualzinho ou revoltadinho criticando o texto, mania desse povo de se importar com coisas bestas e discordar de tudo. É isso aí, a mensagem principal foi dada, e está tudo certo, se seguirmos esse modelo, o Brasil sem dúvida será diferente, daqui a alguns anos. Abraço

Responder

Visitante em 19/07/2014 - 18h12 comentou:

Acho que a lei federal 8.666 (Licitações e Contratos) é, em certa medida, um entrave para aquisição de materiais padrão FIFA/Brasil para a área da Saúde. Por meio dessa lei, busca-se, quase sempre, atingir o menor preço nas licitações. Disso resulta a compra de equipamentos fajutos, que dão problema no curtíssimo prazo.

Aqui, em São José do Rio Preto-SP, é assim. A Administração Pública Municipal inaugura prédios muito bonitos para servirem de UBS/UBSF's, e os preenchem com equipamentos de baixa qualidade. Pena que isso não é percebido de forma clara pela população.

Responder

Anna Luíza Araújo em 31/07/2014 - 01h49 comentou:

Concordo plenamente. No meu ponto de vista, depois de mostrar ao mundo que somos capazes de realizar um evento do porte da Copa, com a estrutura construída a sua disposição, devemos mostrar a ele que podemos ter hospitais e escolas de qualidade. Não adianta ser o país do futebol estando mal colocado no ranking do desenvolvimento e tendo uma população com a saúde precária precisando de hospitais para atende-los.

Responder

Guilherme em 27/11/2014 - 21h01 comentou:

É de se ressaltar que alguns investimentos para a Copa foram feitos em locais que não poderão retornar o investimento, tão pouco manter os estádios com boas condições. Investir é sempre válido e necessário, precisamos muito de investimentos em outros setores sociais. Vamos cumprir nosso papel na sociedade e pedir esses avanços nas áreas que eles mais precisam estar e não apenas fechar nossos olhos e que seja um invista onde bem entender.

Responder

Deixe uma resposta

 


Mais publicações

Politik

As grandes reivindicações ausentes dos protestos


  Já critiquei aqui a falta de foco da grande maioria dos manifestantes que foram às ruas nas últimas semanas para protestar contra “tudo”. Desde então, apareceram algumas listas e pesquisas sobre o que querem…

Politik

Pesquisa confirma: quem foi às ruas não foi “o povo”, mas leitores reaças da…


  Uma pesquisa feita por pesquisadores da USP e da Unifesp, com apoio da Fundação Ford, confirma o que todo mundo já desconfiava: quem foi às ruas no domingo foram os leitores de direita e…