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Sentiu: Bolsonaro quer obrigar Lula a apagar posts da superlive “Brasil da Esperança”

Com indisfarçável dor de cotovelo, ação acusa Lula de "ofender a igualdade de condições" e argumenta que o presidente só não faz igual porque não dá mais tempo

Lula e artistas na superlive. Foto: Ricardo Stuckert
Cynara Menezes
28 de setembro de 2022, 19h27

Com quase nenhum apoio de personalidades do setor cultural, que sempre atacou e desprezou, a campanha de Jair Bolsonaro resolveu recorrer ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral) para tentar impugnar a candidatura de Lula pela realização da superlive “Brasil da Esperança”, que contou com a participação, presencial ou online, de mais de uma centena de intelectuais, músicos, escritores e influenciadores na última segunda-feira, 26 de setembro, no auditório do Anhembi, em São Paulo.

Incomodado com a dimensão do ato, já assistido por mais de 700 mil pessoas no canal de Lula no youtube, Bolsonaro quer que o adversário apague das redes sociais as postagens feitas sobre o evento, chamado pelos advogados do presidente de “showmício megalomaníaco”, e ainda pretende proibir o uso das imagens nos programas eleitorais do petista.

Bolsonaro sentiu tanto o golpe que a própria ação judicial fala em “ofensa à igualdade de condições entre os contendores”, e argumenta que o presidente só não faz algo parecido porque não teria tempo suficiente. Segundo os advogados de Bolsonaro, o PT “se valeu da junção de dezenas de artistas de renome (de cachês milionários!), como forma de chamar a atenção para a eleição de Luiz Inácio Lula da Silva e obter engajamento eleitoral em redes sociais”. Na verdade, todos os artistas estão “fazendo o L” gratuitamente, pelo desejo de ver o país livre de um governo que só trouxe o mal.

A campanha bolsonarista ainda acusa Lula de tentar “colonizar” a arte, citando o filme sobre o nazismo Arquitetura da Destruição e o Realismo Soviético. “Não é lícita a colonização das artes por bandeiras políticas. A (vã) tentativa de circunscrever a arte com uma única coloração política indica, historicamente, tanto o adoecimento da política quanto a negativa da própria arte”, diz o texto da representação. “A classe artística não apoia, toda ela, exclusivamente, os Investigados e é de todo ilegítima qualquer pretensão de se passar uma mensagem fraudulenta dessa natureza.”

A campanha bolsonarista argumenta que a superlive quis fazer crer que o apoio a Lula é unânime entre os artistas. Ora, se não é a totalidade, é a maioria. Afinal, Bolsonaro sempre acusou os artistas mais importantes do país, como Chico Buarque, de trocar sua ideologia por recursos da lei Rouanet

Ora, se Lula não é apoiado pela totalidade da classe artística, é pela maioria dela. Afinal, antes mesmo de chegar ao poder, Bolsonaro acusava os artistas mais importantes do país, como Chico Buarque, de trocar seu pensamento político por recursos da lei Rouanet. No Planalto, indicou um ator canastrão para a Secretaria de Cultura, que se notabilizou por atacar atores e cantores de esquerda; e seu presidente da Fundação Palmares excluiu 27 nomes homenageados na lista de personalidades negras, entre eles a escritora Conceição Evaristo, o cantor Milton Nascimento e a atriz Zezé Motta.

O presidente também vetou as leis Paulo Gustavo e Aldir Blanc 2, de apoio financeiro aos artistas e técnicos do setor cultural prejudicados pela pandemia de coronavírus. Foi o Congresso que derrubou os vetos. Se dependesse de Bolsonaro, os profissionais da cultura estariam morrendo de fome.

O apoio maciço de artistas e intelectuais a Lula decorre não só das diferenças ideológicas com o presidente, mas é resultado direto dos ataques de Bolsonaro ao setor da cultura. Não à toa, os maiores nomes da cultura brasileira marcaram presença na superlive, como a própria representação reconhece, com indisfarçável dor de cotovelo. O texto cita, entre outros, “as cantoras Anitta, Ludmilla e Pabllo Vittar e Duda Beat, todas detentoras de faixas e singles de grande sucesso com milhões de seguidores nas redes sociais” e “o produtor e diretor de criação Konrad Dantas, conhecido como KondZilla, produtor e gravador de cantores e funkeiros de alta notoriedade, e cujo canal no YouTube totaliza sessenta e seis milhões de seguidores –mais do que a população da França”.

O apoio maciço de artistas e intelectuais a Lula decorre não só das diferenças ideológicas com o presidente, mas é resultado direto dos ataques de Bolsonaro ao setor da cultura –inclusive vetando as leis Paulo Gustavo e Aldir Blanc 2, de apoio financeiro ao setor cultural, prejudicado pela pandemia

Para recalque do presidente e dos seus fãs, nomes como o cantor Paulo Miklos, o escritor Itamar Vieira Junior, autor de Torto Arado, a cantora Daniela Mercury, o humorista Gregório Duvivier e o escritor Silvio Almeida subiram ao palco para discursar pela democracia, pela paz e contra o fascismo e o autoritarismo. Artistas internacionais como Danny Glover, Mark Ruffalo e Roger Waters também enviaram vídeos dizendo que Lula é o único nome que pode proteger a Amazônia e combater o fascismo.

Outras personalidades que participaram da superlive de Lula: Otto, Fabiana Cozza, Marcelo Jeneci, Johnny Hooker, Silva, Duda Beat, Lukinhas, Grace Passo, Mônica Martelli, Max B.O., Rogéria Holtz, Salgadinho, Tuyo, Maíra, Maciel Melo, Família Quilombo, Pedro Serrano, Edson Leite e Txai Suruí, Maria Bopp, Ivan Baron e Thelminha. Chico Buarque, Caetano Veloso e Gilberto Gil também enviaram vídeos em apoio, assim como Djamila Ribeiro, Heloisa Sterling, Lilia Schwarz, Emicida e Gaby Amarantos.

Enquanto isso, do lado de Bolsonaro, meia dúzia de cantores sertanejos, Regina Duarte e Paulo Cintura. Issa! Realmente é de morrer de inveja.


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(3) comentários Escrever comentário

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Renato Malcher em 28/09/2022 - 20h57 comentou:

Vou assistir pela terceira vez só prá irritar o Bolsonaro…

Responder

Teresa Maria Braga de Moraes em 29/09/2022 - 21h30 comentou:

A inveja é um sentimento terrível que anula o ser que o sente e o leva a ter mais sentimentos negativos sobre si mesmo e os outros. Vou tbm assistir mais uma vez esse showmício espetacular, como Lula o merece e nós seus/as eleitores/as .Ainda acho que o poeta repentista Antônio Marinho mereceria mais destaque pq fez a síntese da saga brasileira, manifestando toda a riqueza cultural e natural de nosso imenso e diverso país.

Responder

Teresa Maria Braga de Moraes em 29/09/2022 - 21h30 comentou:

Viva o povo brasileiro!

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