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Deputado da tattoo assedia repórter; sindicato emite nota de repúdio

O Sindicato dos Jornalistas do Distrito Federal emitiu nota em repúdio à conduta machista do deputado Wladimir Costa (SD-PA) contra a repórter Basília Rodrigues, da rádio CBN

Wladimir Costa: com mulher, assédio. Com homem, tatuagem. Foto: Lula Marques/AGPT
Da Redação
03 de agosto de 2017, 20h16

O Sindicato dos Jornalistas do Distrito Federal emitiu nota em repúdio à conduta machista do deputado Wladimir Costa (SD-PA) contra a repórter Basília Rodrigues, da rádio CBN. O deputado, que teve o mandato cassado no TRE do Pará por ilicitudes em sua campanha, é o mesmo que tatuou o nome do presidente Michel Temer no ombro.

“Nós, jornalistas do Distrito Federal, viemos a público rechaçar a conduta antiética, misógina, machista e racista do deputado Wladimir Costa contra a jornalista Basília Rodrigues, da CBN. Na noite do dia 1º de agosto, durante o exercício da profissão, Basília foi assediada sexual e moralmente pelo parlamentar”, diz a nota.

“Na noite do dia 1º de agosto, durante o exercício da profissão, Basília foi assediada sexual e moralmente pelo parlamentar”, diz a nota

Basília havia publicado o relato em sua página pessoal no Facebook. Na noite anterior à votação na Câmara que livrou Temer de investigação, ela contou que estava de plantão com outros jornalistas na portaria do apartamento funcional do Fábio Ramalho (PMDB/MG), anfitrião de um jantar com a tropa de choque de Temer. Quando Wladimir Costa saiu, Basília pediu para o parlamentar mostrar a tatuagem novamente, após suspeitas de que ela tenha sido feita com henna. Costa, então, respondeu: “Pra você, só se for o corpo inteiro”.

“Tenho dez anos de jornalismo, sempre dedicada à cobertura política e do judiciário. Esse é o dado mais importante da minha trajetória profissional e não a atitude repugnante de um parlamentar”, disse a repórter da CBN ao Socialista Morena.

O deputado da tattoo voltou a demonstrar desrespeito com mulheres jornalistas após ser flagrado no fundo do plenário pelo fotógrafo Lula Marques, na noite da votação, mandando mensagens pelo Whatsapp a mulheres. Em uma delas, escreveu: “Mostra a bunda, mostra, afinal não são suas profissões que a destacam como mulher”. O próprio parlamentar afirmou ao portal UOL que usou estes termos em uma conversa com uma “profissional de imprensa” que queria que ele mostrasse a tatuagem em plenário.

Flagrante da tela do celular do deputado Wladimir Costa. Fotos: Lula Marques

A mensagem, ampliada

“Somente antes de ontem ela pediu mais de 15 vezes, gente. Ontem foram mais de 20 vezes. ‘Deputado, tira a camisa’. Como é que vou tirar a camisa? Tenho que respeitar a família brasileira. Nós temos o decoro parlamentar, nós temos o decoro parlamentar, nós temos regras dentro da Câmara. E, mesmo que não houvesse regras, que determinam nosso comportamento, eu jamais chegaria a uma situação dessa sem limite”, afirmou.

"Mostra a bunda, mostra, afinal não são suas profissões que a destacam como mulher"

Mais tarde, ao site Poder360 , o deputado mudou a versão, acusando o fotógrafo de ter “forjado” o flagrante. “Ele tem essa prática de pedir ajuda dos deputados para fazer fotos. Eu não vou processar por que seria hipocrisia. Eu me inclinava para ajudar a foto dele”, declarou. O fotógrafo Lula Marques estuda ir à Justiça contra o parlamentar.

 

 


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Wagner Souza em 07/08/2017 - 00h37 comentou:

Se um palhaco como este e um deputado no Brasil eu nao sei onde os eleitores do estado do Para estão com a cabeca! Alias falo por nos mineiros também, nos temos ou melhor, votamos o trio ternura para senadores, temos o Mineirinho, o seu office boy Dengo e o que nao era dono do po no helicóptero Perrela. Brasil, acorda Brasil, valorize o seu voto, pesquise, se informe melhor pois eles nos enganam direitinho!

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