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Direitos Humanos

Imigrante sírio agredido por reaça em Copacabana ganha título de cidadão do Rio

A homenagem foi proposta pelo deputado estadual Wanderson Nogueira (PSOL), que afirmou que o Rio já foi referência nacional em acolhimento de refugiados e que precisa resgatar esse papel

O sírio Mohamed Kenawy beija a bandeira da Portela. Fotos: Tânia Rêgo/Agência Brasil
Da Redação
13 de setembro de 2017, 19h54

O sírio Mohamed Ali Kenawy, de 33 anos, atacado por um reacionário xenófobo no início de agosto em Copacabana, recebeu hoje, na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, o título de cidadão fluminense, um desagravo e uma homenagem proposta pelo deputado Wanderson Nogueira, do PSOL, para mostrar que nosso país ainda é capaz de receber bem imigrantes.

Mohamed foi agredido enquanto trabalhava honestamente, vendendo suas esfirras, por um homem armado de dois paus, que gritava: “Saia do meu país! Eu sou brasileiro e estou vendo meu país ser invadido por esses homens-bombas que mataram, esquartejaram crianças, adolescentes. São miseráveis. Essa terra aqui é nossa. Não vai tomar nosso lugar, não”.

Felizmente, depois que as imagens viralizaram nas redes sociais, Mohamed recebeu uma grande onda de acolhimento e solidariedade. “Minha vida mudou completamente, sou reconhecido, sou quase famoso, o povo brasileiro é muito carinhoso e aqui é a minha casa”, disse ele ao receber o título de Cidadão Fluminense em sessão solene na Alerj. Nascido na Síria mas crescido no Egito, ele diz que está há três anos no Brasil, para onde decidiu vir por causa das disputas com o Estado Islâmico no Egito.

“Na Síria vocês sabem o que acontece. Eu li sobre o Brasil na internet, falava de coisas ruins, sobre drogas, tráfico. Mas eu nunca acredito na internet, li outras coisas, meus amigos de São Paulo falaram que era tranquilo e decidi vir. Aqui, fiquei surpreso com as pessoas, na rua mesmo me ensinando a falar português, isso não acontece em outros países”.

Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

Kenawy era chef de cozinha e trabalhou alguns meses em restaurantes no Brasil, antes de decidir vender comida nas ruas. Sobre a agressão, ele diz que nunca tinha passado por isso antes. Após o ato de xenofobia, ele não considera que os brasileiros sejam pessoas más, mas que existem indivíduos maus em qualquer país.

Minha vida mudou completamente, sou reconhecido, sou quase famoso, o povo brasileiro é muito carinhoso e aqui é a minha casa

“É como ter uma caixa com livros e apenas um danificado, não se pode dizer que estejam todos danificados. Eu não fui para a delegacia, apenas perdi o dia de trabalho. Ele quebrou meu carro, mas carros podem ser consertados. Três dias depois apareceu um monte de pessoas no ponto onde eu vendia. Todos sabiam da minha história, minha vida mudou completamente, as pessoas foram lá por mim, dei entrevistas. Pensei: ‘aqui é o meu país’, esse é meu sentimento nesse momento, muito amor. Seu país não é onde você nasce, seu país é onde você é respeitado como ser humano. Esqueça minha religião, minha cor, minha nacionalidade, o que nos conecta é que somos seres humanos”.

Ele afirmou que a prefeitura ofereceu uma licença para trabalhar no mesmo ponto, na Rua Santa Clara, mas não aceitou por causa violência que sofreu no local. Atualmente, está em outro ponto e busca legalizar um food truck para expandir os negócios.

Kenawy recebeu a solidariedade da escola de samba Portela, atual campeã do carnaval carioca e que fará desfile sobre migração em 2018. Ele foi convidado a participar do desfile de 2018 na Sapucaí e se disse muito surpreso e feliz com o convite. “Me esperem na Sapucaí em 2018”, disse, emocionado.

Seu país não é onde você nasce, seu país é onde você é respeitado como ser humano. Esqueça minha religião, minha cor, minha nacionalidade, o que nos conecta é que somos seres humanos

O deputado estadual Wanderson Nogueira, autor da proposta de concessão do título, afirmou que o Rio de Janeiro já foi referência nacional em acolhimento de refugiados e que o Estado precisa resgatar esse papel. “Quando aconteceu o caso do Mohamed, a gente percebeu que a resposta do povo brasileiro foi muito bonita. Então essa sessão tem o sentido não só de homenagear o Mohamed, mas de reconhecer a necessidade do debate e acima de tudo homenagear todos os migrantes e refugiados que buscam acolhimento no Brasil, principalmente no estado do Rio, que já foi exemplo nessa política, inclusive reconhecida pelos organismos internacionais”, afirmou Nogueira.

Segundo a representante da Cáritas, Débora Marques, atualmente há 7,5 mil refugiados no Estado. “É preciso pensar em estratégias para garantir que eles tenham equidade. Eles têm dificuldade de acesso a escola, ao mercado de trabalho. Eles têm direito às políticas de acesso efetivamente como têm os brasileiros”, defendeu.

A Secretaria de Direitos Humanos e Políticas para Mulheres e Idosos já anunciou que deve lançar até o final do ano o programa Rio de Braços Abertos, para auxiliar refugiados e migrantes no acesso à documentação básica, à educação e ao mercado de trabalho.

Com informações da Agência Brasil

 

 


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Jornal do Nassif em 13/09/2017 - 23h47 comentou:

Enquanto isso, no interior de SP: “(…) Idoso é detido por injúria após ofender família de muçulmanos em Santa Cruz do Rio Pardo

Engenheiro de 65 anos xingou os adeptos da religião islâmica na fila do caixa de um supermercado. No estacionamento, ele ainda tentou atropelar a vítima, que foi salva por um segurança.

https://g1.globo.com/sp/bauru-marilia/noticia/idoso-e-detido-por-injuria-apos-ofender-familia-de-muculmanos-em-santa-cruz-do-rio-pardo.ghtml

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