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O que aconteceu com os argentinos um ano após a reforma da Previdência

Fome, dívidas, queda do poder aquisitivo: é esse o futuro que o aposentado brasileiro vislumbra se a reforma da Previdência passar

Aposentado em protesto na Argentina: "Macri cagou em todo mundo". Foto: Viojf/Revista Cítrica
Martín Fernández Lorenzo
12 de fevereiro de 2019, 21h11

Na madrugada de 19 de dezembro de 2017, e depois de uma votação sob uma batalha campal fora do Congresso, com forte repressão a cidadãos comuns e a deputados, e onde três pessoas perderam um dos olhos, a reforma da Previdência foi aprovada na Argentina, por 128 votos a favor e 116 contra; 20 deputados da oposição votaram a favor do projeto.

No mesmo dia, o presidente Mauricio Macri divulgou um comunicado: “Esta fórmula garante aos aposentados que, nos próximos anos, eles nunca mais perderão diante dos saltos inflacionários ou da redução de impostos. Nossos avós podem ficar tranquilos que outro surto de inflação não virá, outra mudança abrupta que reduzirá o que eles estão ganhando hoje. No próximo ano eles vão ganhar entre 4 e 6 pontos acima da inflação. Com essa fórmula que temos agora, eles estarão melhores do que este ano”.

A principal novidade da reforma foi a fórmula com a qual eram calculados os benefícios da Previdência Social (pensões, aposentadorias, salário-família etc.). Mas o que aconteceu foi o contrário do que Macri dizia. Com a fórmula anterior à reforma, o primeiro aumento das aposentadorias e pensões, no mês de março seguinte, seria de 14%. Com a nova fórmula, o aumento foi de 5,7, com a desculpa de que “os aposentados perderão dinheiro, mas não poder de compra”.

“Nossos avós podem ficar tranquilos que outro surto de inflação não virá”, disse Macri. A realidade: no ano passado a Argentina teve a inflação mais alta dos últimos 27 anos e os aposentados foram os mais atingidos

A realidade foi bem diferente do delírio macrista: a Argentina teve, em 2018, a inflação mais alta dos últimos 27 anos: 47,6% (a projeção anual era de 15,7%). Os aposentados e pensionistas foram os mais atingidos. Eles não só não ficaram entre 4 e 6 pontos acima da inflação, como ficaram quase 20 pontos abaixo, já que o aumento recebido no ano foi de 28,5 %. De acordo com a ASAP (Associação Argentina de Orçamento e Administração Pública), cada aposentado perdeu 10.200 pesos por ano, sendo a aposentadoria mínima atual de 9300 pesos.

Outro elemento central da nova política de pensões é o fim da moratória (cujo nível de cobertura atingiu 98% em 2015). “A eliminação da moratória das aposentadorias desarmou um sistema inclusivo que permitiu que todos os idosos desfrutassem dos mesmos direitos, e as mulheres são as que mais perdem”, afirmou Debora Ascencio, da CEPA (Centro de Economia Política Argentina). “O fim da moratória da aposentadoria é, portanto, uma clara punição patriarcal. É a condenação das mulheres que trabalharam suas vidas inteiras sem compensação “, disse Julia Strada, membro do CEPA no CELS (Centro de Estudos Legais e Sociais).

 

Curioso que um governo que usou, para fazer a reforma, o argumento de que o sistema previdenciário estava “virtualmente falido” para poder continuar pagando aposentadorias, tenha, ao mesmo tempo, tomado medidas econômicas como a eliminação de impostos sobre a exportação ao setor agrícola ou o perdão de milhões de dívidas às empresas elétricas. Forte com os fracos, e fraco com os poderosos.

Dada a terrível perda de poder de compra, os aposentados escolhem entre comer e pagar as tarifas. E este 2019 não será diferente: a luz aumentou 32%, o botijão de gás aumentou 35%, a tarifa da água, 38% na província de Buenos Aires, o transporte público, 40%. e o gás encanado, 30%, em média.

Um dos diários oficiais de Macri, o jornal La Nación incentivou os aposentados a continuar trabalhando até os 80 anos, inspirando a direita brasileira, a exemplo do presidente da Câmara, Rodrigo Maia, a reproduzir o mesmo e sinistro slogan. Países diferentes, mesmo plano de desmonte dos projetos sociais.

Desde a época de Menem não se via uma farsa tão grotesca, onde os salários dos trabalhadores foram indiretamente parar nos cofres das multinacionais, com os argentinos tomando empréstimos bancários para pagar os seguidos aumentos de tarifas. A situação dos idosos do país está tão ruim que criaram um sindicato de “trabalhadores passivos” para tentar se proteger das maldades da direita no poder.

Se os trabalhadores brasileiros consideram que a reforma previdenciária melhorará sua qualidade de vida, lembro-lhes a definição de loucura de Einstein: “Fazer a mesma coisa repetidas vezes na esperança de obter resultados diferentes”.

 


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João Junior em 16/02/2019 - 00h44 comentou:

Um fator favorável aos que estão de olho no dinheiro dos aposentados é o tempo que leva para chegar a velhice, pois ela se demora por todo o tempo em que somos capazes de trabalhar até que, finalmente, ela chega para ficar. Enquanto estamos trabalhando temos a sensação de que somos capazes de prover tudo o que precisamos e que é desnecessário contar com terceiros ou com a ajuda do governo. Então, guardar dinheiro suficiente numa poupança parece mesmo ser um meio de continuar independente do governo e dos outros. Mas, a maioria das pessoas realmente não sabe como funciona uma poupança ou qualquer produto bancário.

E todo produto bancário é um empréstimo para o banco. O cliente ao contratar um banco para fazer investimentos, como a poupança, faz na verdade um empréstimo ao banco. Todo produto bancário é como a poupança, em que variam o risco e o rendimento proporcionalmente ao risco, ou seja, quanto maior o risco, maior o rendimento. E nesta relação, o risco e o rendimento não são iguais para bancos e clientes. Começa assim: Qual o risco do poupador? Um risco muito pequeno porque o banco tem milhões de vezes o valor depositado pelo cliente, ou seja, tem patrimônio para devolver o investimento ao cliente sem problemas. O cliente tem um rendimento baixo por isso. Simultaneamente, o banco empresta a terceiros o que fora depositado por esse mesmo cliente. Nesse caso, o tomador do empréstimo não possui as mesmas garantias para dar ao banco de que devolverá o emprestado, então os juros aumentam para valer a pena correr o risco e emprestar o capital. Por exemplo, se você investe alguma quantia num banco e o banco promete a você uma taxa de 18% a.a., significa que a cada $100 investidos você ganhará $18 após exatamente 1 ano. O exato capital que você depositou no banco e sobre o qual ganhará 18% a.a. é logo emprestado a um terceiro, a juros de, digamos, 200% a.a. Proporcionalmente, o banco cobrará $200 a.a. só de juros e pagar a você a micharia de $18. O lucro do banco é de $182 ($200 – $18 = $182). Então, veja bem, a comparação é bem essa, enquanto você ganha $18, o banco ganha $182.

Então, o que os bancos mais querem? Mais dinheiro para movimentar sob essa lógica e por mais tempo. E já faz tempo que os bancos perceberam que esse capital pode muito bem ser o da sua aposentadoria.

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Carlos Piai em 08/03/2019 - 23h34 comentou:

Olá, boa noite.
Gostaria de saber qual sua sugestão para reforma da previdência, visto que no atual modelo, parte considerável do PIB é destinado ao pagamento da previdência e deixa de ser encaminhado para a saúde, educação e segurança, itens ao meu ver fundamentais para a população carente, pois estes não tem condição de arcar com planos particulares e os serviços do estado estão sucateados.

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LUIZ em 23/03/2019 - 05h26 comentou:

E quem disse ou garante que esse dinheiro,que vai sobrar com praticamente o fim da previdência(porque se aprovado, maioria da população não vai chegar receber)irá para cobrir despesas com saúde, educação, só trouxa para acreditar nisso

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heber dias em 25/04/2019 - 10h36 comentou:

Meu amigo vc está esquecendo dos benefícios que a previdência leva aos mais pobres, ela é um importante mecanismo de transferência de renda aos mais pobres, que no fim ajuda a combater a desigualdade social. A saúde, educação e segurança tende a piorar quanto maior a taxa de pobreza, um idoso que não tem dinheiro pra comprar remédio irá sobrecarregar o sus, varias famílias são sustentados pela previdência, o que vai acontecer com aquelas crianças que dependem da avó? como a educação irá melhorar me diga. Com segurança vale o mesmo raciocínio. Em suma sem quer demorar existem estudos que mostram que a previdência é boa para a economia, apesar de tudo que falam. Por fim quero dizer que não poderá haver gasto em saúde e educação devido ao teto de gastos, eles estão mentindo e quem acredita está iludido.

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Cesar Farias dos Santos em 28/04/2019 - 14h43 comentou:

Sou nordestino, conheço São Paulo, desde 1970, presenciei várias crises nas indústrias automobilísticas, sou advogado e vou se aposentar com 1 salário mínimo, mais estão questionando o serviço doado ao Exército brasileiro, que, está na Constituição Federal, na Lei da Previdência e Decreto, que , esse tempo é contado para aposentadoria, tenho 68 anos, trabalho como advogado inclusive previdenciário, trabalhista, e cível, e contribuo até hoje, tenho tempo com carteira e tempo como contribuinte individual, já passei das 200 contribuições, a lei exige 180. Essa reforma vai levar os mais novos a não se aposentar com esse sofisma de capitalização, e quem vai pagar?

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alessandra dinos anunciaçao em 29/04/2019 - 08h26 comentou:

Do valor arrecado grande parte vai para pagar juros aos bancos pelos emprestimos do país, sem falar nas aposentarorias de mais de 10 mil dos politicos e militares, me responde porque a reforma só esta sacrificando a maioria dos aposentados que ganham salario minimo. Repare, empresário nao usa previdencia, não fica afastado pela caixa, nao precisa de pegar medicamento em posto de saúde, porque eles podem comprar o que precisam. Nessa reforma ai, quem vai ter de trabalhar até os 65, 70 ou oitenta anos é o pobre coitado que pega onibus e depende do governo para hospital e escola.

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Cleide Napoleão em 08/05/2019 - 09h51 comentou:

Primeiro, veio essa capacidade do dinheiro de se reproduzir sem lastro na produção de bens. De MEIO de troca, de bens por bens, tornou-se FIM. É o capitalismo, a marca da civilização contemporânea, onde a vantagem, exclusiva, é do capitalista. O que tem dinheiro sobrando pra fazer mais dinheiro. E a ralé mundial, crescente proporcionalmente à concentração de renda, de seu pra vender no mercado só tem a própria a força de trabalho. A globalização derrubando o estado nação aumentou exponencialmente a capacidade desse mecanismo, derrubando fronteiras não só protecionistas de produção interna, como de exploração do trabalho. As reformas da Previdência em curso vem vindo para subtrair valor da força de trabalho inativa, corte de benefícios previdenciarios, ou fazer mais longo o período de sua exploração, adiando a aposentadoria. Qualquer promessa de governos protagonistas de “novas” reformas previdenciarias, seja para “equilibrar” contas de fundos nacionais, seja para sobrar verbas para serviços públicos, saúde, educação… é fake news. Porque quem manda no negócio e na economia dos países hoje não são mais os respectivos governos e suas promessas de campanha, é a globalização do “livre mercado”. Ela não só otimizou a exploração do trabalho e o lucro da seleta elite mundial. Consome recursos naturais não renováveis, polui ar e água, exacerba catástrofes climáticas, está matando a vida no planeta e tudo porque precisou de EMBALAGENS para o consumo globalizado. Um peido na China ou na privada do Trump cheiro-verde globalmente. E repercute nas bolsas dos Cartolas e no bolso furado do trabalhador. Não é a toa que o nosso governo quer destinar quatro vezes mais dinheiro para o agronegocio exportador do que para a agricultura familiar, que coloca 70 por cento da comida na mesa do trabalhador brasileiro, e que gera empregos na mesma proporção. Como sair dessa crueldade? Se Jesus não voltar logo, sinto dizer, somos nós, os desterrados, que teremos que voltar a consumir do vizinho, sem embalagens, e sem dinheiro preso no banco. Sim, um passo atrás do consumidor consciente pode abreviar a agonia desse cão senil e raivoso. Porque Jesus decerto não voltaria capitalista.

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José Geraldo Resende em 16/05/2019 - 10h57 comentou:

Esse discurso é falso, a grande reforma da previdência é fazer uma grande auditoria para resgatar tudo que desviado desde a construção da ponte rio-niteroi e itaipú binacional e capitalizá-la inclusive instituindo o banco da previdência evitando que seus recursos seja usado pelos grandes bancos privado.

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