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Cultura

10 filmes e séries sobre falsários para assistir nos canais por assinatura

Este é um post estritamente cultural; qualquer semelhança com a realidade política do país será mera coincidência

Cartaz do filme Prenda-me se for Capaz
Da Redação
04 de maio de 2023, 16h37

Na galeria dos criminosos, o falsificador ou falsário costuma ser retratado como um gênio, até porque é possível que nunca seja descoberto, a não ser que cometa deslizes fatais, como deixar rastros de sua ação em computadores públicos. Está situado acima das outras modalidades de crime para obtenção de lucro, como o assalto, a corrupção e o sequestro, considerados mais “toscos” se comparados ao refinamento, à sofisticação dos falsários.

Quando envolve pintura, por exemplo, a falsificação é literalmente uma arte. Ao longo da história, muitos pintores célebres tiveram seus quadros (e assinaturas) copiados para enganar incautos dispostos a pagar fortunas para ostentar um Picasso ou Van Gogh falso em sua parede. Em alguns casos, inclusive com a aquiescência do artista, como foi o caso de Salvador Dalí, que assinou centenas, talvez milhares, de folhas em branco logo utilizadas por “discípulos” para vender obras falsas como se fossem do pintor catalão.

O falsário costuma ser retratado como charmoso, sedutor, até simpático. Um trambiqueiro “inofensivo”, autor de um crime “menor”, como imitar a assinatura de alguém num cheque, forjar um passaporte ou um comprovante de vacinação. O que não muda o fato de que falsificar é crime

O tema do crime por fraude ou falsificação é tão fascinante que rendeu incontáveis livros e filmes. Em geral, o falsário reluz na ficção como um homem charmoso, sedutor, até simpático. Um trambiqueiro “inofensivo”, autor de um delito sem sangue, um crime “menor”, como imitar a assinatura de alguém num cheque, forjar um passaporte, uma carteira de identidade ou um comprovante de vacinação. O que não muda o fato de que falsificar é crime.

No Código Penal brasileiro, a falsificação está tipificada como crime desde 1940 no artigo 297: “Falsificar, no todo ou em parte, documento público, ou alterar documento público verdadeiro. Pena: reclusão, de dois a seis anos, e multa”. O primeiro parágrafo adverte que, se o falsificador for agente público, a pena é maior: “Se o agente é funcionário público, e comete o crime prevalecendo-se do cargo, aumenta-se a pena de sexta parte”.

Selecionamos alguns filmes e séries disponíveis nos canais de streaming para você se familiarizar (e se divertir) com o assunto. Atenção: este é um post estritamente cultural. Qualquer semelhança com a realidade política do país será mera coincidência.

1. Um Autêntico Vermeer (2016, Prime)

O holandês Han van Meegeren é considerado um dos mais famosos falsificadores de arte de todos os tempos. Desprezado pelos críticos como imitador dos grandes nomes da pintura, ele decide produzir um Vermeer falso para tentar passá-lo como verdadeiro, e consegue ganhar muito dinheiro com isso. Até que, em 1943, Hermann Göring, líder do partido nazista, o procura para comprar um Vermeer para sua coleção particular.

2. O Falsificador Mórmon (2021, Netflix)

É uma minissérie documental em três episódios que conta a história de Mark Hoffman, ex-membro da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, os mórmons. Em 1985, Mark assassinou duas pessoas em Salt Lake City, Utah, com bombas caseiras fabricadas por ele mesmo, em três atentados num dos quais ele próprio se feriu. O mais bizarro da história foi a motivação: evitar que seu esquema ilegal de falsificação de documentos supostamente históricos e raros da religião mórmon fosse descoberto.

3. As Falsificadoras (2022, Netflix)

Duas estudantes do ensino médio de Vancouver, Canadá, amigas desde a infância, descobrem ter um talento incomum para falsificar identidades. Elas acabam criando um dos maiores esquemas de identidades falsas da América do Norte –e ganham muito dinheiro e se divertem à pampa enquanto não se tornam alvo da polícia. Cada um dos 10 episódios é narrado a partir da perspectiva de uma delas.

4. Prenda-me se for capaz (2003, Netflix)

O filme é baseado na autobiografia de Frank Abagnale Jr., lendário falsário que, antes de completar 19 anos, já havia realizado golpes de milhões de dólares ao se apresentar como médico, advogado e piloto de aviões da PANAM. Vivido por Leonardo Di Caprio na telona, o maior talento de Frank era a falsificação de cheques, criando contas em bancos diferentes a partir de identidades falsas. Tudo vai indo de forma estupenda e glamourosa para Frank até que aparece em seu encalço o agente do FBI Carl Hanratty (Tom Hanks)…

5. VIPs: Histórias Reais de Um Mentiroso (2010, Youtube)

O documentário de Mariana Caltabiano, que está disponível na íntegra no Youtube, conta a história de Marcelo Nascimento da Rocha contada por ele mesmo. Marcelo nasceu em Maringá, no Paraná, e desde a adolescência praticava pequenos golpes, passando-se por filho de donos de empresas de ônibus para viajar pelo país de graça. Em 2001, passou-se por Henrique Constantino, filho do dono da Gol, numa festa de carnaval em Recife, onde chegou a ser entrevistado pelo colunista social Amaury Júnior. A história de Marcelo também virou um longa-metragem de ficção estrelado por Wagner Moura.

6. O Vigarista do Ano (2006, Prime)

Escritor fracassado, o norte-americano Clifford Irving se tornou famoso na década de 1970 com uma “autobiografia” de Howard Hughes, aviador, engenheiro aeronáutico, industrial, produtor de cinema e diretor cinematográfico, além de um dos homens mais ricos do mundo. A “autobiografia” teria sido ditada a Irving por Hughes em pessoa. Falsificando documentos e com um grande trabalho de pesquisa, Irving consegue enganar seus editores e a imprensa até que Hughes sai de sua reclusão para denunciar a farsa. O filme é baseado no livro A Fraude, onde o próprio escritor dá sua versão do que aconteceu. A história também foi contada pelo cineasta Orson Welles em seu filme F for Fake, de 1973.

7. Nove Rainhas (2000, Star+)

O filme que lançou o ator argentino Ricardo Darín ao estrelato conta a história de dois picaretas que resolvem se juntar para um golpe milionário envolvendo uma série de selos falsificados conhecidos como “Nove Rainhas” e avaliados em meio milhão de dólares. O problema é que não faltam outros ladrões e golpistas para atravessar o caminho da dupla, que já não sabe se pode confiar nem mesmo um no outro.

8. Fake Art: Uma História Real (2020, Netflix)

Em 1994, uma mulher adentra uma famosa galeria de Nova York e consegue convencer sua diretora de que dispõe de várias obras desconhecidas de mestres da pintura contemporânea, como Jackson Pollock, Willem de Kooning e Mark Rothko, cujo proprietário é um colecionador suíço que não quer aparecer. Assim começa a história do maior golpe do mercado de arte dos EUA. O documentário deixa no ar a pergunta: Ann Freedman, a diretora da Galeria Knoedler, foi cúmplice dos falsificadores ou não? Ela clama ser inocente, até porque os especialistas que procurou atestaram que os quadros eram verdadeiros.

9. Os Falsários (2007, Prime)

Vencedor do Oscar de Melhor Filme Estrangeiro em 2008 e baseado em fatos reais, Os Falsários traz a história de Salomon Smolianoff (Sorowitsch no filme), que leva uma vida boêmia em Berlim durante a era nazista até ser preso e jogado em um campo de concentração. Quando os nazistas descobrem seu excepcional talento para a falsificação, Salomon concorda em ajudá-los na Operação Bernhard: imprimir mais de 130 milhões de libras esterlinas falsas com o objetivo de desestabilizar a economia dos países Aliados. Em troca, continuaria vivo. Smolianoff morreu no Brasil, em Porto Alegre, em 1976.

10. Um Homem de Ação (2022, Netflix)

Este é sem dúvida, dentre todos, um falsário herói. O anarquista espanhol Lucio Urtubia forneceu documentos falsos a uma grande quantidade de guerrilheiros e exilados durante o regime franquista. Na década de 1960, juntou-se a outros anarquistas para falsificar dinheiro com o qual financiariam inúmeros grupos anticapitalistas em todo o mundo. Lucio chegou a propor a Che Guevara a falsificação massiva de dólares norte-americanos, mas o guerrilheiro recusou. Seu golpe de mestre foi a falsificação de cheques de viagem do Citibank na segunda metade da década de 1970: produziu 8 mil folhas de 25 cheques de 100 dólares cada, num total de 20 milhões de dólares, o que quase quebrou o banco. Esse dinheiro foi usado para financiar movimentos guerrilheiros na América Latina, como os Tupamaros e os Montoneros e também na Europa. Taí um falsificador de respeito.

 

 

 


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(2) comentários Escrever comentário

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Angelo Panebianco em 05/05/2023 - 15h46 comentou:

Boas dicas Cynara, valeu !!

Responder

Eugênio Bh em 05/05/2023 - 19h31 comentou:

Belas dicas.
Já vi a metade, muito bons filmes.
E fica um pedido (ou súplica):
façam uma listinha dessas pelo menos mensalmente…

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