Na Bahia, até candidata loira se autodeclara “parda”
Autodeclaração está sendo deturpada para obter mais recursos do fundo, o que prejudica não só as políticas de reparação histórica como as estatísticas
Não foi só ACM Neto que se autodeclarou “pardo” nesta eleição na Bahia: tem até candidata loiríssima que se declarou afrodescendente –para o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), “pardos” e “pretos” constituem estatisticamente o contingente dos negros na população. O objetivo da informação sobre a raça na ficha do candidato na Justiça Eleitoral é quantificar a presença dos negros na política, mas candidatos/as com fenótipo de brancos estão deturpando a autodeclaração para receber mais recursos do fundo eleitoral. Com isso, prejudicam não só as políticas de reparação histórica como as estatísticas.
Não por acaso, o total de candidatos pretos e pardos para a Câmara dos Deputados aumentou em 2022. Somadas as masculinas e as femininas, são 4.886 candidaturas de pretos ou pardos, ou 47% dos quase 10,3 mil postulantes. Em 2018, foram 3.586, ou 42% de 8,6 mil. Este ano, para aumentar a diversidade racial e de gênero na política, a Emenda Constitucional 111 estabeleceu incentivos para a eleição de candidatos negros (pretos e pardos), além de candidatas mulheres. Os votos nessas candidaturas contarão em dobro para a distribuição de verbas públicas nos próximos anos. Mas quantas destas pessoas de fato são afrodescendentes?
Pelo menos duas candidatas loiras na Bahia se autodeclararam pardas em 2022, ambas apoiadoras do candidato Neto. Atual vereadora em Salvador, a delegada Kátia Alves, ligada ao carlismo desde o princípio da carreira, foi a primeira mulher a ocupar a Secretaria de Segurança Pública no Estado, em 1998. Candidata a deputada federal pelo União Brasil, Kátia é loiríssima, como se pode conferir em seus santinhos de campanha, mas se autodeclara parda em sua ficha como candidata desde 2018.

Kátia Alves: parda para a Justiça Eleitoral
Também do União Brasil, mesmo partido de ACM Neto, a candidata a deputada federal Marisete, ex-prefeita de Brejolândia e ex-primeira-dama de Barreiras, aparece em sua foto para uso na urna com longos cabelos loiros cacheados sobre os ombros. Na ficha de registro na Justiça eleitoral, porém, a pecuarista com bens declarados no valor de 745 mil reais se autodeclara como “parda”.

A “parda” Marisete
O caso mais gritante de extreme makeover racial aconteceu com o veterano deputado federal baiano José Rocha, que se identificava como branco em 2018 e, quatro anos depois, se autodeclara pardo. No meio da pandemia, Rocha também tirou o bigode, pintou o cabelo e fez harmonização facial. Está irreconhecível desde que se tornou “pardo”, compare as fotos e vídeos. Parece outra pessoa.

O deputado José Rocha quando era “branco”… Foto: Najara Araújo/Câmara dos Deputados

…e agora, “pardo”. Irreconhecível. Foto: Elaine Menke/Câmara dos Deputados
ANTES
DEPOIS
Com informações da Agência Câmara
Apoie o site
Se você não tem uma conta no PayPal, não há necessidade de se inscrever para assinar, você pode usar apenas qualquer cartão de crédito ou débito
Ou você pode ser um patrocinador com uma única contribuição:
Para quem prefere fazer depósito em conta:
Cynara Moreira MenezesCaixa Econômica Federal
Agência: 3310
Conta: 000591852026-7
PIX: [email protected]













Os comentários aqui postados são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião da Socialista Morena. Todos as mensagens são moderadas. Não serão aceitos comentários com ofensas, com links externos ao site, e em letras maiúsculas. Em casos de ofensas pessoais, preconceituosas, ou que incitem o ódio e a violência, denuncie.