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Bolsonaro chora porque pela primeira vez os EUA não apoiam um golpe no Brasil

O principal motivo para as lágrimas do presidente é a tremenda frustração de não realizar seu sonho dourado de jogar o país de novo numa ditadura militar

Bolsonaro chora em evento militar. Foto: reprodução TV Brasil
Cynara Menezes
12 de dezembro de 2022, 15h54

Após o longo silêncio que se seguiu à derrota para Luiz Inácio Lula da Silva na eleição, o futuro ex-presidente Jair Bolsonaro já apareceu três vezes em público chorando nas últimas semanas.

A primeira foi no dia 5 de dezembro, na cerimônia de promoção dos novos generais, em Brasília.

A segunda vez aconteceu na Academia da Força Aérea, em Pirassununga (SP), no dia 8 de dezembro, durante a cerimônia de declaração de aspirantes a oficiais.

A terceira foi neste domingo, 11 de dezembro, ao abraçar uma criança em frente ao Palácio da Alvorada.

Por que Bolsonaro chora? Motivos não faltam: perdeu a reeleição mesmo com a máquina do Estado nas mãos, maior atestado de incompetência para um governante; não terá mais o sigilo de 100 anos acobertando os malfeitos de sua administração; com o papai fora do cargo, seus filhos estarão desprotegidos das investigações da Polícia Federal; sabe que provavelmente pagará por sua sabotagem ao combate à pandemia, que levou a quase 700 mil mortos. E certamente chora de inveja de Lula por não ser amado pela maioria do povo; a rejeição dói.

Mas o principal motivo para as lágrimas do presidente é a tremenda frustração de não realizar seu sonho dourado de jogar o Brasil de novo numa ditadura militar. Bolsonaro chora na cama em posição fetal, ao lado de Carluxo, simplesmente porque, pela primeira vez na história, os EUA não apoiarão um golpe em nosso país. Apoiaram o golpe de 1964 contra João Goulart e apoiaram o golpe contra Dilma Rousseff em 2016. Em 2022, as circunstâncias são outras: apoiar um golpe contra Lula seria fortalecer o maior adversário de Joe Biden, Donald Trump.

Bolsonaro chora na cama em posição fetal, ao lado de Carluxo, simplesmente porque, pela primeira vez na história, os EUA não apoiarão um golpe aqui, como em 1964 e 2016. Em 2022, apoiar um golpe contra Lula seria fortalecer o maior rival de Biden, Trump

Bolsonaro e seus aliados na caserna já deram todos os sinais de que desejariam lançar o Brasil mais uma vez nas águas turvas e sangrentas de uma ditadura. Mas é praticamente impossível embarcar numa aventura dessas sem o apoio dos norte-americanos, e o presidente dos EUA já deixou bem claro, e de forma reiterada, seu aval à vitória de Lula na eleição –inclusive convidou o presidente eleito a uma visita oficial ainda antes da posse. Biden não quer balbúrdia militar por aqui não porque seja “defensor da democracia” ou porque se preocupa com o destino dos brasileiros, mas porque não interessa a ele ajudar um parça de Trump.

Se Donald Trump estivesse no poder, a história seria outra. Não haveria quem segurasse a sanha golpista de Bolsonaro nem muito menos, tenho certeza, os militares titubeariam em jogar o país no obscurantismo verde-oliva novamente. Se ilude quem acha que algum dos fardados mais graduados coloca o espírito cívico e o respeito à Constituição acima da manutenção dos próprios privilégios. Para sorte nossa, o extremista de direita norte-americano também mostrou incompetência e não se reelegeu. E um golpe sem o apoio dos EUA está fora de cogitação.

Resta a Bolsonaro fazer bravatas para atiçar seus apoiadores mais fanáticos, incentivar as paralisações nas estradas, manter o gado engajado na frente dos quartéis através de mensagens subliminares amalucadas, convocar seguidores ao Alvorada para tentar empanar o brilho da diplomação de Lula e… chorar. Fazer-se de vítima diante de seus eleitores é outra estratégia de engajamento.

Mas o bolsonarismo é capaz de tudo e precisa ser monitorado de perto. O que preocupa hoje de fato não é a possibilidade remotíssima de golpe militar, mas, em primeiro lugar, garantir a segurança do presidente eleito; garantir a tranquilidade das pessoas que comparecerão em massa à festa da posse em 1º de janeiro; e atuar imediatamente para prevenir a sabotagem ao abastecimento nos primeiros meses de 2023, jogada mais do que manjada da extrema direita para desestabilizar governos progressistas desde Salvador Allende.

 

 


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