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Cine Morena especial: Dez Dias que Abalaram o Mundo e Outubro, de Eisenstein

Sessão dupla em homenagem aos 96 anos da revolução russa: primeiro, o raro documentário Dez Dias Que Abalaram o Mundo, de 1967, baseado no livro homônimo de John Reed. Uma produção anglo-soviética feita para a TV, o filme traz imagens de época e algumas cenas retiradas de Outubro (1927), de Serguei Eisenstein, além de cenas […]

Cynara Menezes
07 de novembro de 2013, 10h00

Sessão dupla em homenagem aos 96 anos da revolução russa: primeiro, o raro documentário Dez Dias Que Abalaram o Mundo, de 1967, baseado no livro homônimo de John Reed. Uma produção anglo-soviética feita para a TV, o filme traz imagens de época e algumas cenas retiradas de Outubro (1927), de Serguei Eisenstein, além de cenas recriadas especialmente para o documentário. A narração original é de Orson Welles! Eu só achei com narrador em espanhol, mas dá para colocar legendas. Se alguém encontrar o original com narração de Welles, me mande que eu posto aqui.

A seguir, confira também Outubro, de Serguei Eisenstein. Feito para comemorar os 10 anos da revolução russa, o filme é considerado por alguns críticos como a obra-prima do diretor de O Encouraçado Potemkin (1925), pela inventividade técnica e pelo uso de metáforas visuais. Comprometido com o marxismo  durante os primeiros dez anos da União Soviética, Eisenstein considerava Outubro “o primeiro passo para uma forma totalmente nova de expressão cinematográfica”. Mas, durante as filmagens, teriam início os conflitos com Josef Stalin, por sua defesa incondicional da liberdade artística e independência. O cineasta foi pressionado para fazer mudanças no filme, considerado “inapropriado”, mas se recusou.

(cartaz de Outubro pelos irmãos Stenberg)

Quando filmou a primeira parte de Ivan, O Terrível, Eisenstein foi aclamado pelo comitê central do Partido Comunista ao ponto de receber o Prêmio Stalin em 1944 junto com o compositor Serguei Prokofiev, autor da trilha sonora. No entanto, ao realizar a segunda parte, as conexões feitas pela dupla entre Ivan, “o homem de ferro” e o ditador soviético, “o homem de aço”, obviamente não agradaram e o filme foi banido até 1958. As filmagens da terceira parte foram destruídas. Eisenstein acabaria por sofrer um ataque cardíaco em 1947. Recuperado, chegou a aceitar as condições impostas por Stalin para que a parte dois de Ivan fosse exibida, mas o líder soviético o demitiu. Eisenstein morreria no ano seguinte.

O mais curioso é que Outubro sofreria mutilações para ser exibido ao público norte-americano –ou seja, Eisenstein desagradou a ambos os mundos… O que não impediu que o filme, aclamado na Europa, fosse considerado um clássico desde a estréia. O cineasta trabalhou com uma equipe de diretores soviéticos sob a sua supervisão e recriou o clima na Rússia pré-revolucionária, com a participação de operários e guardas vermelhos que haviam lutado de verdade na época. É possível que essa versão, com legendas em inglês, não corresponda totalmente à original, mas vale a pena assistir.


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(6) comentários Escrever comentário

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Ricardo em 08/11/2012 - 19h25 comentou:

Olha só: aqui em Florianópolis, é só trocar Magalhães por Bornhausen e ACM Neto por um agregado das velhas oligarquias com idade para ser neto do velho Jorge, e o resto do texto pode ficar igual. Rancor venceu a esperança.

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Bacellar em 07/11/2013 - 23h51 comentou:

Bacana tovarish, colocados na lista de "a assistir"…

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flaliman em 08/11/2013 - 00h01 comentou:

Dez dias que abalaram o mundo, mas bem poderia se chamar, O começo de uma ditadura Sanguinária que Matou Milhões em Decadas.

Responder

    Simplesmente Silas em 08/11/2013 - 12h53 comentou:

    Se tu tivesse o mínimo de conhecimento, ou pelo menos se não tivesse esse ódio digno de Stalin, saberia que essa ditadura só começou quando Stalin tomou o poder em 41, muitos anos depois da morte de Lenin. O título de John Reed é perfeito porque o mundo que se abalou é o mundo dos exploradores, dos escravocratas modernos, dos empresários que exigiam 18 horas de trabalho/dia sem nenhum tipo de descanso ou compensação ao trabalhador. Abalou o mundo pois foi um dos poucos momentos em que a solidariedade saiu do discurso e foi para a prática. Abalou o mundo deles do mesmo modo que a revolução francesa abalou o mundo dos déspotas monárquicos.

lenir vicente em 08/11/2013 - 23h50 comentou:

Grande filme !

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Gilson Costa em 08/11/2013 - 23h53 comentou:

Correto Silas, somente o ano em que Stálin toma o poder é ainda quando Lênin está em seu leito de morte, em 1924. Em seu testamento Lênin não foi atendido, pois antes de falecer deixou claro que Leon Trotsky era seu indicado/preferido para assumir seu posto de comandante do governo da URSS. Viva a Revolução Russa e que novas possam acontecer no século XXI!

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