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Exército da Argentina está fabricando máscaras e álcool gel para combate ao coronavírus

Como o governo de esquerda de Alberto Fernández está enfrentando a pandemia em vez de tratar como "histeria"

O álcool gel produzido pelas Forças Armadas argentinas. Foto: divulgação
Martín Fernández Lorenzo
20 de março de 2020, 18h34

O ministro da Defesa da Argentina, Agustín Rossi, anunciou que as Forças Armadas produzirão álcool gel, máscaras, aventais e toucas para os profissionais de saúde e para reforçar o abastecimento à população e ao sistema na prevenção à pandemia de coronavírus.

Até o momento, a Argentina tem 128 casos confirmados de coronavírus e 3 casos fatais. Nesta quinta-feira, 19 de março, o presidente Alberto Fernández se dirigiu ao povo argentino anunciando quarentena geral obrigatória. “A partir da zero hora de amanhã, todos devem se submeter ao isolamento social preventivo e obrigatório. Isso significa que, a partir desse momento, ninguém poderá mais sair de sua residência. Todos precisam ficar em casa”, disse.

Nesta sexta-feira ele comemorou no twitter o resultado, mostrando a Plaza de Mayo, em Buenos Aires, completamente vazia.

Desde 26 de fevereiro, em vez de dizer que o coronavírus é “fantasia”, “histeria” ou “invenção da imprensa”, como fez Jair Bolsonaro até surgirem mais de 20 casos de contaminação na comitiva que levou aos EUA, o governo argentino anuncia iniciativas para prevenir que o coronavírus se espalhe pelo país. A primeira medida foram ações no aeroporto de Ezeiza para monitorar possíveis infectados, sobretudo nos vôos chegando da Itália.

Já com o primeiro caso de coronavírus confirmado, em 3 de março, Fernández concedeu uma licença excepcional para os trabalhadores que retornam de áreas afetadas pelo coronavírus e possibilitou a justificativa de faltas no campo educacional. Em 10 de março, foi criado um fundo especial de 1,7 bilhão de pesos para compra de suprimentos médicos.

Fernández convocou a oposição para tentar encontrar soluções conjuntas, deixando de lado diferenças ideológicas ou políticas. Os partidos opositores aprovaram todas as medidas tomadas pelo governo, em nome da saúde do povo

Depois que a pandemia foi declarada pela OMS em 11 de março, o governo deu prioridade urgente ao combate, com um pacote agressivo e vigoroso de medidas até o momento:

11 de março: Novo protocolo para vôos chegando na Argentina.

12 de março: Decreto de Necessidade e Urgência, que estende a Emergência em Saúde por um ano; fechamento de espaços culturais nacionais; suspensão da presença do público em grandes shows em todo o país; suspensão da chegada de voos de países em risco por 30 dias: China, Europa, EUA, Irã, Japão, Coréia do Sul. Brasil e Chile entraram na lista dias depois.

13 de março: Fortalecimento do controle nas passagens de fronteira; criação do Comitê de Crise de Transporte; linha de consulta gratuita para idosos; regulação de todos os vôos que chegam na Argentina; abertura de canais de comunicação para argentinos no exterior; regulamentação de licenças para trabalhadores da Administração Pública Nacional: a licença preventiva será concedida por 14 dias corridos, com pleno gozo do salário.

Uma das primeiras medidas foi reforçar a política de proteção social, com um bônus extraordinário que atingirá mais de 9 milhões de aposentados, pensionistas, titulares da AUH (bolsa família) e Auxílio Universal à Gravidez

14 de março: Reajuste do calendário acadêmico em todas as instituições de ensino superior e superior do país; atualização de licenças de trabalho; agências de viagens passam a atender ao público exclusivamente por meio de canais eletrônicos.

15 de março: Suspensão do ensino de aulas presenciais em todas as escolas do país; proibição de entrada no território nacional de estrangeiros não-residentes; fechamento de parques nacionais e áreas protegidas do país; proibição de aglomerações e suspensão de atividades não essenciais; licenças preventivas para a comunidade educacional; implementação de medidas preventivas no setor hoteleiro.

16 de março: Licenças e trabalhos remotos para o setor público e privado; mulheres grávidas com mais de 60 anos e grupos de risco estão isentas de comparecer a seus locais de trabalho; no setor público nacional, todos os agentes estão autorizados a realizar tarefas em casa. Fechamento das fronteiras.

17 de março:  Pacote de medidas para proteger a produção, trabalho e abastecimento; reforços na política de proteção social: bônus extraordinário que atingirá mais de 9 milhões de aposentados, pensionistas, titulares da AUH (bolsa família) e Auxílio Universal à Gravidez. Por outro lado, a ANSES (Agência Nacional de Seguridade Social) estendeu a suas afiliados o período de carência para pagamento de parcelas de crédito durante abril e maio; foi disponibilizada a linha de telefone 134, para denúncias de violação da quarentena obrigatória; decretada a suspensão de jogos de futebol; novas disposições para transportes públicos; restrição de hotéis para acomodar argentinos e argentinos; campanha de prevenção personalizada para argentinos que viajaram para o exterior; novo esquema de atendimento no AFIP (Receita Federal) e ANSES.

18 de março: Construção de 8 hospitais modulares de emergência; criação da Unidade Coronavirus COVID-19; nomeação do Chefe do Estado Maior como coordenador do setor público nacional no âmbito da Emergência em Saúde.

19 de março: Disponibilizado um serviço de chamada de vídeo para deficientes auditivos.

O presidente Alberto Fernández convocou ainda os setores da oposição para tentar encontrar soluções conjuntas, deixando de lado diferenças ideológicas ou políticas. Os partidos de oposição aprovaram todas as medidas tomadas pelo governo, em nome da saúde do povo.

Após o pedido de união, a mídia argentina também se uniu e publicou em conjunto a mesma capa: “Paramos o vírus entre todos”. Foi algo histórico no país.

Jornais argentinos com a mesma capa

Depois que a pandemia foi declarada, e pela primeira vez desde que assumiu o governo, Fernández apareceu em cadeia nacional para aumentar a conscientização da população. O compromisso do presidente tem sido tal, que quando um cidadão não cumpriu a quarentena e agrediu um guarda, ele próprio interferiu sobre o assunto.

No dia anterior ao anúncio da OMS, Fernández concretizou uma promessa de campanha: 170 remédios gratuitos para os aposentados (alcançará 5 milhões de pessoas). Mais do que oportuno neste complicado cenário mundial.

 

 


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