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Fome na Argentina de Macri: 46,8% das crianças menores de 14 anos são pobres

Supermercados colocam alarme na carne e restringem a compra do leite mais barato a apenas um litro por consumidor

"Macri é fome". Foto: reprodução
Martín Fernández Lorenzo
03 de abril de 2019, 12h43

Na semana passada, o INDEC (Instituto Nacional de Estatísticas e Censos da Argentina) publicou índices de pobreza e indigência em nossos vizinhos: 32,2% e 6,7%, respectivamente. O presidente de direita Mauricio Macri, que usou durante toda sua campanha o slogan “Pobreza Zero”, desde que assumiu o cargo teve o cuidado de fazer exatamente o oposto com suas políticas econômicas.

O dado mais preocupante sobre o aumento da pobreza em geral na Argentina da era Macri é o seguinte: 46,8% das crianças menores de 14 anos são pobres e representam 10,9% dos indigentes. Em comparação com 2017, a pobreza entre as crianças cresceu 18% e a indigência, 43%.

“Eu quero ser julgado, caso eu possa reduzir a pobreza ou não”, disse Macri em março de 2017. Bem, presidente, como Perón diria: “A única verdade é a realidade”. Segundo dados do Barômetro da Dívida Social divulgado pela Universidade Católica da Argentina, atualmente 3,4 milhões de pessoas, 7,9% dos argentinos, comem apenas uma vez ao dia. Sendo que o país, terceiro produtor mundial de mel, soja, alho e limões, quarto produtor de pera, milho e carne, quinto produtor de maçãs e sétimo de trigo e azeite, produz comida suficiente para alimentar dez vezes a sua população, segundo a BBC.

Macri também disse que a inflação é a demonstração da incapacidade de governar de um político.

E que “acabar com o problema da inflação é das coisas mais simples” que ele tinha de fazer.

As mentiras do presidente foram dignas de um mitomaníaco descontrolado. Em três anos, suas palavras foram seu próprio carrasco. A inflação, que em 2018 foi a maior dos últimos 27 anos (47,6%), permanece incontrolável. Em apenas dois meses, o índice está em 6,7% (o governo projeta uma taxa impossível de 23% ao ano) e espera-se que até março chegue a 10%, liquefazendo o salário diário dos trabalhadores.

asado, comida típica dos argentinos, tornou-se um luxo apenas para os ricos. A carne, em todos os seus cortes, é quase inacessível para uma família média, ou no mínimo suas porções foram drasticamente reduzidas, por conta do preço do quilo. Em alguns supermercados colocaram alarmes nas bandejas com carne para impedir roubos, como acontece com produtos caros, e em outros limitaram a venda a “dois quilos por pessoa” dos cortes em promoção, mas se fôssemos a Venezuela…

Foto: reprodução

O caso mais grave foi, sem dúvida, o do leite. Devido ao aumento deste produto fundamental e básico, alguns supermercados vendem produtos lácteos com água ou outros derivados, e o leite mais barato é permitido comprar apenas uma unidade por pessoa, mas se fôssemos a Venezuela…

Foto: reprodução

O jornalista Pedro Brieger começou na semana passada a fazer um acompanhamento sobre o preço da marca de leite de qualidade (tipo A, como se diz no Brasil) “La Serenisima”. Em sete dias, o litro do leite passou de 60 para 70 pesos. Mas o que se tornou marcante foram as reações à sua pesquisa, onde mostraram o preço do produto em outras partes do mundo. A Argentina tem o leite mais caro que a Espanha, a Alemanha, a Noruega, a Austrália, Suíça, Itália, Suécia, Holanda, etc. Esse foi o primeiro mundo que Macri prometeu: leite apenas para os ricos.

Desde o início do ano, a luz subiu 32%, o botijão de gás 35%, a água 38%, o transporte público 40% e o gás 29%. É impossível chegar ao fim do mês, e sob o comando do FMI, de quem assumimos a maior dívida que a agência emprestou (onde os argentinos não vimos um só dólar do empréstimo), o futuro parece mais obscuro a cada dia. A Argentina, sétimo exportador mundial de carne e segundo produtor de leite da América Latina, não disponibiliza estes produtos para seu próprio povo. Não tínhamos um país tão deprimido por longo tempo, e nunca vimos um presidente que nos sujeitou à pobreza, zombando daqueles a quem governa por reclamar da mesma. “Você tem que pôr o ombro, mas sem chorar.”

O salário mínimo vital e móvel é de 12.500 pesos, e o valor da cesta básica de Páscoa é de quase 1.500 pesos, cerca de 10% do total. A Páscoa será para poucos. “As pessoas têm que aguentar”, disse o insensível bilionário aos cidadãos, enquanto as pessoas não têm nem o que comer.

Para culminar com o deboche, na semana passada o rei Felipe da Espanha visitou o país, e Macri o agradeceu pela “conquista” da América, para o presidente sul-americano uma “façanha” daqueles que mataram milhões de indígenas e roubaram suas riquezas.

Esta é a realidade miserável que nos toca, por ter votado em um bruto ignorante que chegou ao poder com frases de auto-ajuda. Nunca nos sentimos tão envergonhados, nem com tanta tristeza.

 


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(1) comentário Escrever comentário

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Pedro em 06/04/2019 - 23h22 comentou:

E aí, Bolsonaro, não vai ajudar o Trump a invadir a Argentina, afinal de contas tudo aquilo de que acusam a Venezuela parece estar acontecendo precisamente neste país governado por uma parasita?

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