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Cultura, Politik

Grandes primeiros parágrafos da não-ficção

Propus aos leitores do blog enviarem para mim seu primeiro parágrafo favorito de livros de não-ficção. Já vi muitas listas com o começo inesquecível de romances, mas não de ensaios e livros de reportagem. E há obras não-ficcionais tão impossíveis de apagar da memória quanto a mais envolvente aventura ou história de amor. O bacana […]

Cynara Menezes
17 de agosto de 2013, 14h35

Propus aos leitores do blog enviarem para mim seu primeiro parágrafo favorito de livros de não-ficção. Já vi muitas listas com o começo inesquecível de romances, mas não de ensaios e livros de reportagem. E há obras não-ficcionais tão impossíveis de apagar da memória quanto a mais envolvente aventura ou história de amor. O bacana de uma lista assim é que serve também como indicação de leitura. Como um aperitivo, para abrir o apetite antes do prato principal…

Não vou chamar de “melhores primeiros parágrafos de não-ficção” porque isso é tão relativo, né? Mas que são grandes, são. Abro o post com o meu primeiro parágrafo predileto e depois seguem os indicados pelos leitores. Divirtam-se e enviem os seus.

História da Alimentação no Brasil (Global Editora), de Luis da Câmara Cascudo

(Câmara Cascudo em 1972. Foto: Djair Dantas)

“Toda a existência humana decorre do binômio Estômago e Sexo. A Fome e o Amor governam o mundo, afirmava Schiller. Os artifícios da astúcia, disciplina da força, oportunidade da observação aplicada, são formas aquisitivas para a satisfação das duas necessidades onipotentes. O sexo pronuncia-se em época adiantada apesar das generalidades delirantes de Freud. O estômago é contemporâneo, funcional ao primeiro momento extra-uterino. Acompanha a vida, mantendo-a na sua permanência fisiológica. O sexo pode ser adiado, transferido, sublimado noutras atividades absorventes e compensadoras. O estômago não. É dominador, imperioso, inadiável. Por isso os alemães dizem que o sexo é fêmea e o estômago é macho. Das Geschlecht ist weiblich und der Magen ist männlich.”

As Veias Abertas da América Latina (para download aqui), de Eduardo Galeano

(O escritor uruguaio Eduardo Galeano)

“A divisão internacional do trabalho significa que alguns países se especializam em ganhar e outros em perder. Nossa comarca no mundo, que hoje chamamos América Latina, foi precoce: especializou-se em perder desde os remotos tempos em que os europeus do Renascimento se aventuraram pelos mares e lhe cravaram os dentes na garganta. Passaram-se os séculos e a América Latina aprimorou suas funções. Ela já não é o reino das maravilhas em que a realidade superava a fábula e a imaginação era humilhada pelos troféus da conquista, as jazidas de ouro e as montanhas de prata. Mas a região continua trabalhando como serviçal, continua existindo para satisfazer as necessidades alheias, como fonte e reserva de petróleo e ferro, de cobre e carne, frutas e café, matérias-primas e alimentos, destinados aos países ricos que, consumindo-os, ganham muito mais do que ganha a América Latina ao produzi-los.”

(indicação do leitor Eduardo Carli de Moraes)

Raízes do Brasil (Companhia das Letras), de Sérgio Buarque de Holanda

(Sergio Buarque em 1967. Foto: Agência Estado)

“A tentativa de implantação da cultura européia em extenso território, dotado de condições naturais, se não adversas, largamente estranhas à sua tradição milenar, é, nas origens da sociedade brasileira, o fato dominante e mais rico em conseqüências. Trazendo de países distantes nossas formas de convívio, nossas instituições, nossas ideias, e timbrando em manter tudo isso em ambiente muitas vezes desfavorável e hostil, somos ainda hoje uns desterrados em nossa terra. Podemos construir obras excelentes, enriquecer nossa humanidade de aspectos novos e imprevistos, elevar à perfeição o tipo de civilização que representamos: o certo é que todo o fruto de nosso trabalho ou de nossa preguiça parece participar de um sistema de evolução próprio de outro clima e de outra paisagem.”

(dos leitores Wolfgang Lenk e André Luiz Scussiato Farias)

A Luta (Companhia das Letras), de Norman Mailer

(Mailer e Muhammad Ali)

“É sempre um choque vê-lo de novo. Não ao vivo, como na televisão, mas de pé à nossa frente, em sua melhor forma. É então que O Maior Atleta do Mundo corre o risco de se transformar no nosso homem mais belo. E é inevitável o surgimento do vocabulário Camp. Mulheres suspiram audivelmente. Homens baixam o olhar. São lembrados  de novo de sua falta de valor. Mesmo se Ali jamais abrisse a boca para fazer tremer as gelatinas da opinião pública, ainda assim provocaria amor e ódio. Pois ele é o Príncipe do Paraíso – é o que diz o silêncio que envolve seu corpo quando ele está luminoso.”

(do leitor Jefferson Nunes)

A mulher do próximo (Companhia das Letras), de Gay Talese

(Os jovens Gay Talese e Susan Sontag)

“Ela estava completamente nua, deitada de bruços na areia do deserto, com as pernas abertas, os longos cabelos esvoaçando ao vento, a cabeça inclinada para trás, com os olhos fechados. Parecia perdida em seus pensamentos, longe do mundo, reclinada naquela duna varrida pelo vento da Califórnia, perto da fronteira mexicana, adornada com nada mais que sua beleza natural. Não usava jóias nem flores no cabelo; não havia pegadas na areia, nada indicava a data ou perturbava a perfeição daquela fotografia, exceto os dedos úmidos do garoto de dezessete anos que a segurava e a olhava com desejo e luxúria adolescente.”

(do leitor João Pedro Néia)

O Anti-Édipo (editora 34), de Gilles Deleuze e Félix Guattari

(A dupla de filósofos Gilles Deleuze e Félix Guattari)

“Isso funciona em toda parte: às vezes sem parar, outras vezes descontinuamente. Isso respira, isso aquece, isso come. Isso caga, isso fode. Mas que erro ter dito o isso. Há tão somente máquinas em toda parte, e sem qualquer metáfora: máquinas de máquinas, com seus acoplamentos, suas conexões. Uma máquina-órgão é conectada a uma máquina-fonte: esta emite um fluxo que a outra corta. O seio é uma máquina que produz leite, e a boca, uma máquina acoplada a ela. A boca do anoréxico hesita entre uma máquina de comer, uma máquina anal, uma máquina de falar, uma máquina de respirar (crise de asma). É assim que todos somos ‘bricoleurs’; cada um com as suas pequenas máquinas. Uma máquina-órgão para uma máquina-energia, sempre fluxos e cortes.”

(do leitor Alisson Ramos de Souza)

Desvendando o Arco-Íris (Companhia das Letras), Richard Dawkins

(Richard Dawkins)

“Nós vamos morrer, e isso nos torna afortunados. A maioria das pessoas nunca vai morrer, porque nunca vai nascer. As pessoas potenciais que poderiam estar no meu lugar, mas que jamais verão a luz do dia, são mais numerosas que os grãos de areia da Arábia. Certamente esses fantasmas não nascidos incluem poetas maiores que Keats, cientistas maiores que Newton. Sabemos disso porque o conjunto das pessoas permitidas pelo nosso DNA excede em muito o conjunto de pessoas reais. Apesar dessas probabilidades assombrosas, somos eu e você, com toda a nossa banalidade, que aqui estamos.”

(do leitor Marcelo Eduardo Bigal)


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(14) comentários Escrever comentário

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Celia Pimentel em 17/08/2013 - 15h29 comentou:

"Não há nada que o homem mais tema do que o contato com o desconhecido. Ele quer ver aquilo que o está tocando; quer ser capaz de conecê-lo ou, ao menos classificá-lo, Por toda parte, o homem evita o contato com o que lhe é estranho. … Somente na massa é possivel ao homem libertar-se do temor do contato. Tem-se aí a única situação na qual esse temor transforma-se no seu oposto.
CANETTI, Elias. Massa e poder. São Paulo: Companhia das Letras, 1995

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Cyntia campos em 17/08/2013 - 16h15 comentou:

"É muito fundo o poço do passado. Não deveríamos antes dizer que é sem fundo esse poço? Sim, sem fundo, se (e, talvez, somente neste caso) o passado a que nos referimos é meramente o passado da espécie humana, essa essência enigmática da qual nossas existências normalmente insatisfeitas e muito anormalmente míseras formam uma parte; o mistério dessa essência enigmática inclui por certo o nosso próprio mistério e é o alfa e o ômega de todas as nossas questões, emprestando um imediatismo candente a tudo o que dizemos e um significado a todo o nosso esforço. Pois quanto mais fundo sondamos, quanto mais abaixo tateamos e calcamos o mundo inferior do passado, tanto mais comprovamos que as bases mais remotas da humanidade, sua história e cultura, se revelam inescrutáveis.”
THOMAS MANN, José e seus Irmãos (o parágrafo é mais longo).

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Moacir Xavier em 17/08/2013 - 19h33 comentou:

"Todas as famílias felizes se parecem entre si; as infelizes são infelizes cada uma à sua maneira.
Tolstói / Ana Karênina

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Antonio Luiz em 19/08/2013 - 00h12 comentou:

"Hegel observa em uma de suas obras que todos os fatos e personagens de grande importância na história do mundo ocorrem, por assim dizer, duas vezes. E esqueceu-se de acrescentar: a primeira vez como tragédia, a segunda como farsa. Caussidière por Danton, Louis Blanc por Robespierre, a Montanha de 1845-1851 pela Montanha de 1793-1795, o sobrinho pelo tio. E a mesma caricatura ocorre nas circunstâncias que acompanham a segunda edição do Dezoito Brumário! Os homens fazem a sua própria história, mas não a fazem segundo a sua livre vontade; não a fazem sob circunstâncias de sua escolha e sim sob aquelas com que se defrontam diretamente, legadas e transmitidas pelo passado. A tradição de todas as gerações mortas oprime como um pesadelo o cérebro dos vivos. E justamente quando parecem empenhados em revolucionar-se a si e às coisas, em criar algo que jamais existiu, precisamente nesses períodos de crise revolucionária, os homens conjuram ansiosamente em seu auxilio os espíritos do passado, tomando-lhes emprestado os nomes, os gritos de guerra e as roupagens, a fim de apresentar e nessa linguagem emprestada."

O 18 de Brumário de Louis Bonaparte
Karl Marx

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Marco em 19/08/2013 - 13h20 comentou:

"Resolvo-me a contar, depois de muita hesitação, casos passados há dez anos e, antes de começar, digo os motivos porque silenciei e porque me decido. Não conservo notas: algumas que tomei foram inutilizadas, e assim, com o decorrer do tempo, ia-me parecendo cada vez mais difícil, quase impossível, redigir esta narrativa. Além disso, julgando a matéria superior às minhas forças, esperei que outros mais aptos se ocupassem dela. Não vai aqui falsa modéstia, como adiante se verá. Também me afligiu a idéia de jogar no papel criaturas vivas, sem disfarces, com os nomes que têm no registro civil. Repugnava-me deformá-las, dar-lhes pseudônimo, fazer do livro uma espécie de romance; mas teria eu o direito de utilizá-las em história presumivelmente verdadeira? Que diriam elas se se vissem impressas, realizando atos esquecidos, repetindo palavras contestáveis e obliteradas?"

Memórias do Cárcere
Graciliano Ramos

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Ricardo G. Ramos em 19/08/2013 - 14h56 comentou:

E pensar que – tempos universitários, anos de chumbo – encontrei em uma livraria importante da cidade Raízes do Brasil na Seção de Agricultura. 2) Impressionante a semelhança do imenso Cascudo com o atual e excelente Presidente da República Oriental do Uruguai, o popular Pepe Mujica.

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Bacellar em 19/08/2013 - 20h32 comentou:

"Quando em 1532 se organizou econômica e civilmente a sociedade brasileira, já foi depois de um século inteiro de contato dos portugueses com os trópicos; de demonstrada na índia e na África sua aptidão para a vida tropical. Mudado em São Vicente e em Pernambuco o rumo da colonização portuguesa do fácil, mercantil, para o agrícola; organizada a sociedade colonial sobre base mais sólida e em condições mais estáveis que na índia ou nas feitorias africanas, no Brasil é que se realizaria a prova definitiva daquela aptidão. A base, a agricultura; as condições, a estabilidade patriarcal da família, a regularidade do trabalho por meio da escravidão, a união do português com a mulher índia, incorporada assim à cultura
econômica e social do invasor." G.Freyre – Casa Grande e Senzala.

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marcosfaria em 19/08/2013 - 21h14 comentou:

"Um fantasma ronda a Europa – o fantasma do comunismo. Todas as potências da velha Europa unem-se numa Santa Aliança para conjurá-lo: o papa e a czar, Metternich e Guizot, os radicais da França e os policiais da Alemanha."
Marx e Engels, Manifesto Comunista.

"A Península Ibérica ingressou na Idade Moderna sob o signo de. Marte, formando-se e construindo-se sua sociedade no campo da guerra. Primeiro, os bárbaros do Norte; depois, os Mouros assentaram no seu solo as praças de combate. Duas civilizações – uma do Ocidente remoto, outra do Oriente próximo – pelejaram, dentro de suas fronteiras, pela hegemonia da Europa."
Faoro, Os Donos do Poder.

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Rodrigo Terra em 20/08/2013 - 16h38 comentou:

"Berta, abro este diário com seu nome. Dia a dia escreverei o que me suceder, sentindo que falo com você. Ponha sua mão na minha mão e venha comigo. Vamos percorrer mil quilômetros de picadas pela floresta, visitando as aldeias índias que nos esperam, para conviver com eles, vê-los viver, aprender com eles."
Darcy Ribeiro, Diários Índios

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charlesnisz em 20/08/2013 - 17h27 comentou:

A aldeiade Holcomb fica situada no meio dos planaltos de trigo, no Oeste do Kansas, numa área
isolada que os demais habitantes do estado chamam ”lá para diante”. Perto de setenta milhas a leste
da fronteira do Colorado, com um céu azul intenso e um ar transparente, de deserto, possui uma
atmosfera que lembra mais o Extremo Oeste do que o Médio Oeste. A pronúncia local tem um
sotaque da planície, um nasalado próprio dos rancheiros, e os homens, na sua maioria, vestem
calças justas de fronteiriços, chapéus de feltro de aba larga, botas de tacão alto com biqueiras
aguçadas. A terra é plana e os horizontes são incrivelmente vastos; os cavalos, as manadas de gado
e o branco aglomerado dos silos a erguerem-se graciosamente no céu como outros tantos templos
gregos se avistam muito antes de o viajante chegar perto deles.

Truman Capote, À sangue frio

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SLeo em 20/08/2013 - 20h32 comentou:

"Um dia, há muito tempo, encontrei uma fotografia do irmão mais novo de Napoleão, Jerome (1852). Disse então para comigo, com um espanto que, desde então, nunca consegui reduzir: " vejo os olhos que viram o Imperador." Por vezes falava desse espanto, mas, como ninguém parecia partilhá-lo, nem sequer compreendê-lo (a vida é feita assim, de pequenas solidões), esqueci-o"
Roland Barthes, a Câmara Clara.

"Admitindo que a verdade seja mulher, não será justificado suspeitar que todos os filósofos, conquanto dogmáticos, pouco percebiam de mulheres? Que o sério trágico, a inoportuna falta de tato que até agora têm empregado para atingir a verdade, eram meios demasiadamente desastrados e inconvenientes para conquistar o coração de uma mulher?"

Fiedrich Nietzsche, no prefácio de Para Além do Bem e do Mal.

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Edmilson Pereira em 21/08/2013 - 15h51 comentou:

Quando o mundo era cinco séculos mais jovem, tudo o que acontecia na vida era dotado de contornos bem mais nítidos que os de hoje. Entre a dor e a alegria, o infortúnio e a felicidade, a distância parecia maior do que para nós; tudo que o homem vivia ainda possuía aquele teor imediato e absoluto que no mundo de hoje só se observa nos arroubos infantis de felicidade e dor. Cada momento da vida, cada feito era cercado de formas enfáticas e expressivas, realçado pela solenidade de um estilo de vida rígido e perene. Os grandes fatos da vida – o nascimento, o matrimônio, a morte – eram envoltos, por obra dos sacramentos, no esplendor do mistério divino. Mas também os menores – uma viagem, uma tarefa, uma visita – eram acompanhados de mil bênçãos, cerimônias, ditos e convenções.

O Outono da Idade Média (Cosac Naify), de Johan Huizinga.

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claudio portela em 27/08/2013 - 16h32 comentou:

Eu tenho a indicar não apenas um único parágrafo, mas todo o último capítulo " Dos Donos do Poder " do Raymundo Faoro, Capítulo intitulado "A Viagem Redonda" é sensacional.

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Bruno Conde em 30/08/2013 - 17h58 comentou:

Basicamente qq livro do Braga, Cynara. Em "O homem rouco", se não me falha a memória, a primeira crônica é "O ausente de Bogotá", txt mto bom. No entanto, a segunda crônica, "Sobre o amor, etc." é um clássico fodástico. Começa assim:

Dizem que o mundo está cada dia menor. É tão perto do Rio a Paris! Assim é na verdade, mas acontece que raramente vamos sequer a Niterói. E alguma coisa, talvez a idade, alonga nossas distâncias sentimentais. Na verdade há amigos espalhados pelo mundo. Antigamente era fácil pensar que a vida era algo de muito móvel, e oferecia uma perspectiva infinita e nos sentíamos contentes achando que um belo dia estaríamos todos reunidos em volta de uma farta mesa e nos abraçaríamos e muitos se poriam a cantar e a beber e então tudo seria bom. Agora começamos a aprender o que há de irremissível nas separações. Agora sabemos que jamais voltaremos a estar juntos; pois quando estivermos juntos perceberemos que já somos outros e estamos separados pelo tempo perdido na distância. Cada um de nós terá incorporado a si mesmo o tempo da ausência. Poderemos falar, falar, para nos correspondermos por cima dessa muralha dupla; mas não estaremos juntos; seremos duas outras pessoas, talvez por este motivo, melancólicas; talvez nem isso.

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