Socialista Morena
Kapital

LeftBank vai realizar sonho esquerdista de ter cartão bancário com Karl Marx

Ex-presidente da Câmara Marco Maia, um dos criadores do banco digital, vai destinar 20% do lucro aos movimentos sociais. "Quero ser um banqueiro do bem"

Montagem com cartão e rosto de Karl Marx. Foto: reprodução internet
Cynara Menezes
11 de novembro de 2021, 17h15

Sabem aquele cartão de banco com a efígie de Karl Marx que andou circulando por aí? Pois está próximo de virar realidade no Brasil. Criado pelo ex-presidente da Câmara dos Deputados Marco Maia, o LeftBank pretende disponibilizar cartões personalizados com figuras da esquerda para os correntistas. Hoje com 3 mil correntistas diretos e 12 mil de serviços, a ambição do novo banco digital é conquistar clientes oferecendo pacotes de serviços mais baratos e menos burocracia na hora de abrir a conta.

“No LeftBank todo mundo é personnalité desde o começo”, garante Maia, diretor-geral da empresa, criada no modelo das fintechs, empresas do setor financeiro totalmente digitais, cuja existência se tornou possível a partir do governo Dilma Rousseff, quando foram reguladas pelo Banco Central e receberam o aval do Congresso com o objetivo de diminuir a concentração bancária –três bancos privados e dois públicos detêm mais de 80% do mercado atualmente. “É possível abrir uma conta jurídica conosco em 5 minutos. E fazer um Pix ou TED pela metade do preço cobrado pelos bancos tradicionais.”

“No LeftBank todo mundo é personnalité desde o começo. É possível abrir uma conta jurídica conosco em 5 minutos. E fazer um Pix ou TED pela metade do preço cobrado pelos bancos tradicionais”, garante Marco Maia

O ex-deputado idealizou o banco com dois parceiros, também petistas, que se dispuseram a investir para começar o negócio, o advogado Daniel Gonçalves (CEO do banco) e o administrador e contador Volnei Borba (executivo-chefe de operações). Mas o banco não tem nenhuma ligação com o PT. “Quando eu contei para a Gleisi que ia abrir um banco ela se espantou. ‘Nossa, como é isso?'”, ri. A meta do “banco da esquerda” é angariar clientes entre os milhões de brasileiros que se identificam com este perfil ideológico, cerca de 30% da população, de acordo com pesquisa encomendada por eles.

Mas e pessoas de direita, podem se tornar correntistas do Left Bank? “Nós não discriminamos ninguém, não fazemos checagem ideológica”, garante Maia. “Agora, quem abrir uma conta conosco sabe que está optando por um banco que defende os Direitos Humanos, os direitos LGBTs, é pró-vacina, é antifascista, a favor da ciência, da defesa do meio ambiente, da reforma agrária… E que vai destinar 20% do lucro para os movimentos sociais. Quem não quer dar dinheiro para eles melhor nem entrar.”

O ex-deputado e agora “banqueiro do bem” Marco Maia. Foto Marcelo Justo/divulgação

Pergunto para o ex-deputado gaúcho se não é uma contradição para pessoas que ideologicamente lutam contra o capitalismo abrir um banco. “Estamos questionando as estruturas por dentro. Entramos no coração do capitalismo para inverter a lógica de apropriação dos bens do trabalhador, fazendo com que estes recursos possam retornar para eles”, explica Maia. “Não adianta a gente questionar o capitalismo e continuar comendo no McDonald’s e dando dinheiro para o Bradesco. Todo mundo precisa ter uma conta bancária, um seguro. Mas estes serviços não precisam ser para enriquecer famílias, podem servir a um propósito.”

Para viabilizar a ligação com os movimentos sociais, será criado o Instituto Left Bank, que centralizará a parcela do lucro destinada “às lutas”, como diz Maia. O diretor-geral pretende também estabelecer parcerias com os sindicatos, que perderam muita renda após as reformas trabalhistas de Michel Temer e Jair Bolsonaro. Ao conquistar clientes para o novo banco, os sindicatos ganharão comissão.

O escritório físico do banco fica na prestigiada avenida Berrini, em São Paulo (“do lado da Globo”, diz Marco Maia). Lançado em dezembro de 2020, o LeftBank já oferece aos clientes 90% dos serviços dos bancos tradicionais –não existe ainda a possibilidade de empréstimos. Embora possa ser utilizado para compras na internet, o cartão “vermelhinho” (claro), com a marca do banco e uma logo inspirada no número 13 e no símbolo da foice e martelo, por enquanto só funciona como cartão de débito.

O cartão “vermelhinho” com o 13 e a foice e o martelo estilizados. Foto: reprodução facebook

O grupo oferece também outros produtos, como o LeftFone, de telefonia móvel celular; o Left Assistência 24h, um seguro automotivo, em parceria com uma das 3 mil associações de proteção veicular existentes no país; o Left Seguros, para seguros de vida e acidentes pessoais; e o LeftPay, que vai entrar com tudo no mercado das maquininhas de cartão. Em estudos, o LeftCine, para financiar projetos audiovisuais. Os executivos iniciaram conversação com esquerdistas argentinos para ampliar a experiência para lá e, quem sabe, se tornar o Left Bank América Latina mais adiante.

Sobre fazer concorrência com os bancos públicos, tão prezados pela esquerda, Marco Maia argumenta que, desde o governo Temer, “infelizmente o Banco do Brasil e a Caixa Econômica têm agido como se privados fossem”. Segundo ele, está cada vez mais difícil abrir uma conta no BB. Conseguir empréstimos, então, ficou complicadíssimo. “Os bancos só emprestam dinheiro para quem tem dinheiro. Nos governos Lula e Dilma facilitavam mais, mas nos governos Temer e Bolsonaro viraram máquinas de ganhar dinheiro sem nenhuma preocupação social.”

Torneiro mecânico como Lula, Marco Maia, 55, começou a militar ainda na juventude, nos anos 1980, no Sindicato dos Metalúrgicos de Canoas, e foi deputado federal por três legislaturas. Tudo isso para virar banqueiro?, provoco. “Sim, mas quero ser um banqueiro do bem”, ri.

 

 


Apoie o site

Se você não tem uma conta no PayPal, não há necessidade de se inscrever para assinar, você pode usar apenas qualquer cartão de crédito ou débito

Ou você pode ser um patrocinador com uma única contribuição:

Para quem prefere fazer depósito em conta:

Cynara Moreira Menezes
Caixa Econômica Federal
Agência: 3310
Conta Corrente: 23023-7
(11) comentários Escrever comentário

Os comentários aqui postados são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião da Socialista Morena. Todos as mensagens são moderadas. Não serão aceitos comentários com ofensas, com links externos ao site, e em letras maiúsculas. Em casos de ofensas pessoais, preconceituosas, ou que incitem o ódio e a violência, denuncie.

Bernardo Santos Melo em 11/11/2021 - 22h01 comentou:

Tamborete !

Responder

Laudeci Valerio de Arruda Cardozo em 12/11/2021 - 10h26 comentou:

ACHEI A IDÉIA SENSACIONAL, VIBRANTE, ESPECIALMENTE POR AJUDAR OS MOVIMENTOS SOCIAIS TÃO MASSACRADOS NA MÍDIA, E PELA ELITE ESCRAVOCRATA. PARABÉNS, SUCESSO E MAIS PROPAGANDA!

Responder

Maria Cristina Bortolozo em 12/11/2021 - 11h39 comentou:

Quero abrir contaaaaaa.

Responder

Léo Lobato em 12/11/2021 - 13h28 comentou:

Muito bom vou abrir uma conta nesse banco em breve, vou me informar como faço para fazer depósito.

Responder

Egberto Alves dos Santos. em 12/11/2021 - 14h13 comentou:

Adorei a idéia! Vou conhecer melhor as atividades já desenvolvidas pir este banco e começar a utilizá-las. A saída é sempre pela esquerda. Lula presidente, de novo!!!✊✊✊✊✊

Responder

Afonso Queiroz em 12/11/2021 - 17h34 comentou:

Ótimo. Vida longa ao banco e aos seus fundadores. Vamos fazer os direitopatas tremerem, contrariando a mentira deles de que o comunismo queria tirar riqueza dos outros e não, como, de fato é, gerar tantas riquezas que elas poderão ser divididas. Mas, uma pergunta: como o grupo reuniu recursos suficientes para fundar uma instituição financeira?

Responder

Adinaldo José de Souza em 13/11/2021 - 09h30 comentou:

É lamentável ter-se um Banco dito de esquerda e não ter na sua digital o carimbo da luta antirracista, logo…

Responder

Eraldo Fábio de Araújo em 15/11/2021 - 12h37 comentou:

Tive está ideia em 2018.
Acho que este é um caminho de ruptura concreta com as instituições financeiras hoje contaminadas com uma política de roubo aparente dos pequenos profissionais, operários, que tem seus salários explorados financeiramente sem nenhum tipo de retorno.

Responder

Eraldo Fábio de Araújo Eraldo em 15/11/2021 - 12h43 comentou:

O capital dos políticos de esquerda e suas emendas, assim como os salários de vários grupos de operários poderão ser melhor valorizados e aplicados para melhorar a qualidade de vida dos marginalizados pelo sistema financeiro com viéz puramente rentista. Parabéns por concretizar esta iniciativa.

Responder

Marly Dompieri em 16/11/2021 - 09h16 comentou:

Adorei a ideia! Só penso que o nome deveria ser na nossa Língua Portuguesa! Banco do Povo!

Responder

Eric Souza dos Santos em 24/11/2021 - 09h42 comentou:

Gostei da ideia.

Responder

Deixe uma resposta

 


Mais publicações

Kapital

Horrores do capitalismo: maior economia do planeta, EUA é campeão de pobreza infantil


Com a desigualdade cada vez maior nos Estados Unidos, a pobreza infantil cresce junto. Enquanto a riqueza do país aumentou 60% nos últimos seis anos, acima de 30 trilhões de dólares, o número de crianças…

Kapital

A guerra do papa ao capitalismo e a guerra do capitalismo ao papa


A direita da igreja acusa de "heresia" o papa, que continua a criticar um sistema que produz "degradação humana, social e ambiental"