Socialista Morena
Cultura

O humor involuntário da artista plástica bolsonarista Lucimary Bilhardt

No instagram, pintora homenageia o “mito”, mas o efeito tem sido oposto: as pinturas, mesmo as contra a esquerda, são hilárias

És tu, Cerveró? Retrato de Bolsonaro por Lucimary Bilhardt. Foto: reprodução instagram
Cynara Menezes
09 de outubro de 2024, 16h14

Os maiores músicos, escritores e pintores da História eram antifascistas. Fato. A extrema direita sempre foi combatida pelos artistas e até por isso nunca foi amiga das artes. Pelo contrário, despreza e persegue a cultura. Quantos artistas brasileiros não foram atacados pelo bolsonarismo com a falácia da Lei Rouanet e fake news pesadas?

Volta e meia, porém, aparece a exceção que confirma a regra. Lucimary Bilhardt é uma artista plástica aficionada (obcecada?) por Jair Bolsonaro. E cria obras que divulga em seu perfil no instagram homenageando o “mito” e supostamente zombando dos esquerdistas. Bolsonaro adora e chegou a exibir uma obra dela numa live em 2022.

Só que o efeito tem sido o oposto: as pinturas de Lucimary, mesmo as contra a esquerda, são hilárias. A imaginação fértil da bolsonarista se supera quando mistura os políticos brasileiros da atualidade com elementos da natureza, como por exemplo, pererecas. Surreal. O mais genial é que a artista não fez nada disso sob efeito de substâncias. A turma do “Deus, pátria e família” não faz essas coisas…

Outra obsessão de Lucimary é mostrar mulheres de esquerda como bruxas, cobras e vampiras. Por “mulheres de esquerda” entenda-se qualquer uma não-bolsonarista, como a jornalista Miriam Leitão e a senadora Soraya Thronicke.

Alguns quadros “contra a esquerda” soam lisonjeiros para os personagens. Duvido que Marina Silva e Greta Thunberg tenham se sentido ofendidas por terem sido retratadas como fadas.

O ministro do STF, Alexandre de Moraes, aparece de forma recorrente nas pinturas feitas digitalmente pela artista. Em uma delas, Xandão é um sapinho montado no presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, da Câmara, Arthur Lira, e de Lula. Quantas camadas em uma pintura, hein? Ou seria melhor dizer risadas?

Moraes aparece também como vampiro ao lado do bilionário Elon Musk e com a lua cheia ao fundo… Pálido como cera, o fascista Musk aparenta ser mais vampiresco do que Xandão.

Na mesma pegada Halloween, Lula está no caixão com uma pessoa nas mãos (Gleisi?) e ladeado por Moraes, Marisa Letícia, Carmen Lúcia e Barroso com um olhar expressivo.

Lucimary abusa do mistério a ponto de seus próprios seguidores ficarem atônitos: quem afinal é a figura que a mão comunista está usando como fantoche? Ninguém sabe.

Em outra pintura, Gilmar Mendes é uma lesma observando Moraes e sendo observado por Luis Roberto Barroso e Toffoli, enquanto Lula, um diabinho Zé Pelintra, pisca o olho. Quanto talento!

Algumas vezes Lucimary, como toda bolsonarista, é contraditória: em uma pintura mostra Bolsonaro e Tarcísio de Freitas como centuriões romanos…

…e noutras os centuriões são Lula, Pacheco e Lira (que é bolsonarista), simbolizando os algozes de Jesus. Ou seja, quando estão do lado dela, os centuriões são heróis; quando são “de esquerda”, maus. Poxa, Lucimary.

Mas é quando retrata seu ídolo que a artista reaça se supera, como nessa composição de Bolsonaro, o Congresso Nacional, uma pomba (águia?) e… um urubu.

Em outra pintura, Bolsonaro está pensativo ao lado de uma cachoeira, enquanto uma tartaruga passa à sua frente com uma bandeira do Brasil, trazendo às costas uma perereca com uma lesma e uma borboleta montada nela. Quantos significados ocultos pode ter um quadro? Só um crítico de arte para decifrar.

Na imaginação de Lucimary, Bolsonaro é o soldado solitário de olhar meigo (ela capricha no azul) enquanto o mundo explode… Sendo que na vida real quem está explodindo bomba é o Netanyahu, amigo dele.

A minha favorita é esta: uma pintura onde Donald Trump e Bolsonaro são retratados como águias. Teria o “mito” ficado orgulhoso de ser retratado assim?

Ninguém entendeu a referência e a artista foi obrigada a se explicar. Justo quando Bolsonaro tinha ficado mais fofo…

Por favor, Lucimary, continue.


Apoie o site

Se você não tem uma conta no PayPal, não há necessidade de se inscrever para assinar, você pode usar apenas qualquer cartão de crédito ou débito

Ou você pode ser um patrocinador com uma única contribuição:

Para quem prefere fazer depósito em conta:

Cynara Moreira Menezes
Caixa Econômica Federal
Agência: 3310
Conta: 000591852026-7
PIX: [email protected]
(3) comentários Escrever comentário

Os comentários aqui postados são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião da Socialista Morena. Todos as mensagens são moderadas. Não serão aceitos comentários com ofensas, com links externos ao site, e em letras maiúsculas. Em casos de ofensas pessoais, preconceituosas, ou que incitem o ódio e a violência, denuncie.

Paulo Preto em 10/10/2024 - 10h58 comentou:

Rir é o primeiro impulso diante de tanta “obra bizarra”. A distorção da realidade dessa sujeita é caso para estudo. Bolsonaro, um notório vagabundo, covarde, LADRÃO é retratado como um herói, uma homem decente, dedicado ao país, quando não passa de um verme egocêntrico que só se importa com ele e com os filhos bandidos que colocou na política. Mas tudo está dentro de um contexto distopico que tomou o Brasil de assalto e nem a derrota nas urnas em 2022 conseguiu restaurar a rotina democrática devolvendo alguma sanidade a essa gente nefasta

Responder

Gabriel Arruda em 05/11/2024 - 09h07 comentou:

Ela desenha bem.Ainda bem que Talento artístico pode ser achado até nos Extremos políticos.

Responder

Ricardo em 14/11/2024 - 19h28 comentou:

O bolsonarismo contamina tudo , até a pretensa “arte”. Pelo menos, eu ri de algumas obras. Ela tem humor.

Responder

Deixe um comentário

 


Mais publicações

Politik

O bolsonarismo mata: quantas vidas serão ceifadas até pararmos a ideologia do ódio?


Desde Marielle, todo crime político deve ser creditado ao movimento liderado pelo presidente –inclusive as mortes de indígenas, por violência policial ou pela Covid-19