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O bolsonarismo mata: quantas vidas serão ceifadas até pararmos a ideologia do ódio?

Desde Marielle, todo crime político deve ser creditado ao movimento liderado pelo presidente –inclusive as mortes de indígenas, por violência policial ou pela Covid-19

Marcelo Arruda, morto por fazer festa temática com Lula. Foto: reprodução
Cynara Menezes
11 de julho de 2022, 18h05

O petista Marcelo Arruda, casado e pai de quatro filhos (a mais nova um bebê de 40 dias), foi assassinado no sábado em Foz do Iguaçu por causa de um bolo de aniversário. Marcelo comemorava seus 50 anos e fez uma festa privada onde a decoração utilizava temas relacionados ao PT e ao ex-presidente Lula. Foi o bastante para encher de ódio um seguidor de Jair Bolsonaro, que invadiu a festa e assassinou a tiros o aniversariante. Guarda municipal, Marcelo estava armado e conseguiu atingir o assassino em legítima defesa.

Essa é a história do que ocorreu no último final de semana no Paraná. Quem falar em “troca de tiros” está mentindo. Quem, de alguma maneira, tentar culpar Marcelo pela própria morte está mentindo. Quem igualar a virulência bolsonarista ao discurso do PT está mentindo. Bolsonaro fez do ódio seu principal instrumento desde que surgiu na política. Chegou ao poder pelo ódio. Governa pelo ódio. Engaja seguidores pelo ódio. Mente pelo ódio. Se alimenta de ódio. É sinônimo de ódio. Se tirar o ódio, o que sobra do bolsonarismo? Nióbio?

Bolsonaro fez do ódio seu principal instrumento desde que surgiu na política. Chegou ao poder pelo ódio. Governa pelo ódio. Engaja seguidores pelo ódio. Mente pelo ódio. Se alimenta de ódio. Se tirar o ódio, o que sobra do bolsonarismo? Nióbio?

Observe algumas das frases de Bolsonaro em eventos públicos recentemente. Ele não fala de saúde, de educação, de alimentação, de moradia; só fala em armas. Parece mais um representante comercial da Taurus do que um presidente da República. “Um tiro só mata todo mundo e uma granadinha mata todo mundo”, disse, em maio, comentando sobre seus opositores na eleição de 2018. No Paraná, Estado onde ocorreu o crime, disse, no mesmo mês: “Quero que todo cidadão de bem possua sua arma de fogo”.

Nunca foi diferente. Em 1999, o então deputado federal Jair Bolsonaro defendeu que o presidente da República de então, Fernando Henrique Cardoso, fosse “fuzilado”, mesmo termo que usou em relação aos petistas durante a campanha de 2018 e agora diz ter sido “em sentido figurado”. E não foi literalmente o que ocorreu em Foz? Um bolsonarista não fuzilou um petista? Leniente com o disseminador do ódio que surgia, a Câmara dos Deputados não fez nada contra ele após ameaçar FHC. Também não fez nada quando ele homenageou em plenário um torturador, Brilhante Ustra, “o terror de Dilma Rousseff”, a quem já tinha desejado que morresse “de infarto ou câncer”.

Marcelo não é o primeiro a ser assassinado pelo ódio bolsonarista nem será o último se o Brasil não parar a ideologia do ódio capitaneada por Bolsonaro. Em outubro de 2018, o capoeirista Moa do Katendê foi morto com 12 facadas pelas costas por um bolsonarista. E tampouco foi o primeiro: a rigor, todo crime político que ocorreu no país nos últimos anos deve ser creditado ao bolsonarismo, a começar pelo assassinato da vereadora Marielle Franco e de seu motorista, Anderson Gomes, em março de 2018 –um dos assassinos, Ronnie Lessa, aliás, era vizinho de Jair Bolsonaro no Vivendas da Barra, e o outro, Élcio Queiroz, aparece em foto com o então candidato.

Se um político defende que bandido bom é bandido morto, está defendendo que policiais façam Justiça com as próprias mãos. Portanto, mortes de inocentes em decorrência da violência policial, como a de Genivaldo, também devem ser creditadas ao bolsonarismo

Direta ou indiretamente, Marielle e Anderson foram vítimas do ódio político alimentado pelo bolsonarismo. Ou Bolsonaro irá negar que a frase “vamos fuzilar a petralhada” tinha como alvo políticos como Marielle, mulher negra, de esquerda, ou Marcelo Arruda? A morte bárbara do jornalista Dom Phillips e do indigenista Bruno Pereira numa Amazônia que o bolsonarismo transformou em terra sem lei, empoderando as queimadas, a pesca e o garimpo ilegais e por consequência o narcotráfico, deve ser creditada a quem? Ao PT é que não é.

E o aumento das mortes de indígenas por invasores de terras e garimpeiros desde que Bolsonaro chegou ao poder? Não terá pesado sobre isso o fato de o então candidato ter garantido que, em seu governo, não haveria “nem um centímetro demarcado para reserva indígena e para quilombola”? Ter dito diversas vezes que indígena “tem terra demais” ou que o tamanho de área indígena é “abusivo” não é um convite à violência? Não deixa os povos indígenas vulneráveis? Afirmar que debaixo do solo das reservas há “trilhões de reais”, como faz o presidente, não é expô-los ao perigo?

Há mais mortes na conta do bolsonarismo. Se um político defende que “bandido bom é bandido morto”, está defendendo que policiais façam Justiça com as próprias mãos, o que o então governador bolsonarista do Rio, Wilson Witzel, deixou claro ao prometer que a polícia ia “mirar na cabecinha e… fogo”. Portanto, todas as mortes de pessoas inocentes em decorrência da violência policial devem ser creditadas a essa ideologia do ódio –como a de Genivaldo de Jesus Santos, em maio, morto por asfixia ao ser colocado no porta-malas de um camburão e sufocado com gás lacrimogêneo por policiais rodoviários federais.

Também devem ser creditadas ao bolsonarismo as quase 700 mil mortes pela Covid-19, quando se sabe que pelo menos um terço delas poderia ter sido evitada, não fosse a inércia, a inépcia ou a sabotagem escancarada do governo federal ao combate à pandemia. Enquanto as pessoas morriam e o ministério da Saúde fazia negociatas com a vacina, Bolsonaro chamava a Covid-19 de “gripezinha”, desobedecia à recomendação de usar máscaras, imitava gente chegando ao hospital com falta de ar, dizia “e daí? Não sou coveiro” e oferecia cloroquina até às emas do Palácio da Alvorada.

É disso que a esquerda fala quando chama o bolsonarismo de "necropolítica". Bolsonaro tem cheiro de morte. Não é uma questão de "atribuir culpa" a ele ou não, e sim de esmiuçar uma ideologia baseada em ódio e responsabilizá-la pela violência que plantou

É disso que a esquerda fala quando chama o bolsonarismo de “necropolítica”. Bolsonaro tem cheiro de morte. Não é uma questão de “atribuir culpa” a ele ou não, e sim de esmiuçar uma ideologia baseada em ódio e responsabilizá-la pela violência que plantou. Ou a masculinidade tóxica promovida pelo bolsonarismo não tem responsabilidade alguma por termos um estupro a cada 10 minutos e um feminicídio a cada 7 horas no país? Quem foi que disse que só não estupraria uma colega porque “ela é muito feia”? Um presidente que diz que uma repórter “queria dar o furo” é exemplo de respeito às mulheres? E quem é que defende que criança tenha filho de estuprador? A esquerda é que não.

Infelizmente, para arrancar o PT do poder no tapetão, a mídia comercial alimentou o ódio à esquerda de que hoje o presidente se nutre, rumina e regurgita sobre seus seguidores. O que é mais lamentável é ver parte da mídia neste momento, auxiliada por políticos movidos pelo rancor, em vez de ajudar Lula a tirar o país do lodaçal de sangue em que se encontra, continuarem a irrigá-lo, e da mesma forma que fazem os bolsonaristas: culpando a vítima.

 


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(2) comentários Escrever comentário

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Bernardo Santos Melo em 12/07/2022 - 00h45 comentou:

Nazista , Pestilento , Miliciano , Necrófilo , Homofóbico, Desaculturado , … Capeta !
Projeto do Inferno , NÃO TE ACEITAMOS NEM MAIS UM MINUTO .
Moleque Arruaceiro !
SUMA !
Canalha . mil vezes Crápula !
Teu ódio tua vida .
Teu ídolo alemão não se renovará em ti , serás preso pelos teus atos abomináveis .
Te venceremos e honraremos para sempre o dia da vitória .

Responder

João Ferreira Bastos em 12/07/2022 - 11h55 comentou:

Os petistas namastê discordam companheira
eles querem flores e conciliação

Responder

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