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Presidente da Catalunha foge para a Bélgica e pede garantias ao governo da Espanha

Já se fala em um "governo catalão no exílio", à maneira do que ocorreu durante a ditadura de Franco

O presidente da Catalunha, Carles Puigdemont. Foto: reprodução
Da Redação
31 de outubro de 2017, 12h10

O presidente deposto da Catalunha, Carles Puigdemont, e sete de seus secretários fugiram para Bruxelas, na Bélgica, capital da União Europeia, para denunciar a “ilegitimidade” de sua retirada do poder. Em entrevista coletiva hoje pela manhã, Puigdemont afirmou que não irá pedir asilo à Bèlgica, mas que só retornará à Espanha sob garantias de que terá um julgamento justo. Se voltar, o presidente estará sujeito a uma sentença de nada menos que 30 anos de prisão por “rebelião”, “sedição” e “malversação”. Ah, se fosse a Venezuela…

“Se houvesse garantias imediatas de um tratamento justo, se me permitissem um julgamento justo, independente, com separação de poderes, o que vemos na maioria dos países europeus, eu sem dúvida retornaria imediatamente”, disse, em catalão, espanhol e francês. Já se fala em um “governo republicano no exílio”, como ocorreu durante a ditadura de Franco na Espanha.

Naquele período também houve um “presidente catalão no exílio”, Josep Tarradellas, que voltou nos braços do povo em 1977 para ser presidente da Generalitat, cargo que ocupava Puigdemont até ser destituído pelo governo central.

O presidente catalão disse que aceitará o resultado das eleições antecipadas para o dia 21 de dezembro, mas desafiou o governo de direita da Espanha a fazer o mesmo. “Respeitaremos o resultado das eleições do 21D como fizemos sempre, seja qual seja o resultado. O Estado espanhol fará o mesmo? Quero um compromisso claro por parte do Estado. É imprescindível sabê-lo, porque senão haverá dois tipos de eleitores na Catalunha, os de primeira e os de segunda classe.”

Segundo o jornal La Vanguardia, se pedir asilo à Bélgica, Puigdemont poderá criar uma crise diplomática entre a União Europeia e a Espanha.

 

 

 

 

 


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luana em 31/10/2017 - 19h08 comentou:

É nisso que dá começar algo sem saber como terminar !!!

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Nonato em 01/11/2017 - 17h43 comentou:

a comparação não procede pois Franco era um ditador, enquanto a Espanha hoje vive uma democracia, regida por uma Constituição, à qual esses “líderes ” não querem submeter-se. Tem q ter julgamento justo e pagar pelo crime q cometeram.

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Jefferson em 02/11/2017 - 16h24 comentou:

Depois de ler esse artigo que prima pela distorção e o cinismo recorro a uma parte do artigo do senhor José Carlos de Assis que contrapõe os argumentos da esquerda CRUJ*: “Não consigo entender por que parte relevante da esquerda mundial se pronunciou, e continua a pronunciar-se a favor da independência da Catalunha.” “Os grupos progressistas aparentemente não se deram conta de que o fracionamento dos Estados é um projeto neoliberal que converge ideologicamente, em última instância, para o chamado governo global. Este último é o domínio absoluto da tecnocracia. Longe do povo, o governo mundial, a exemplo do que acontece na Comunidade Européia, pode fazer o que bem entende sem dar satisfação à cidadania. Daí o grande projeto de fracionamento dos estados, como ocorreu na Checoslováquia e, sob os canhões da OTAN, em Kosovo.”
* CRUJ = Comitê revolucionário ultra jovem. É a esquerda que acha lindo qualquer coisa pois mais absurda e contraditória que seja com os valores de esquerda (solidariedade, humanismo e justiça) desde que pareça rebeldinho, revolucionário ou antissistema.

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