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Revolucionários em cordel

A tradição da literatura de cordel remonta ao século 15. Foi trazida ao Brasil pelos portugueses e, no Nordeste, acabou virando a mais autêntica forma de literatura sertaneja, com suas capas impressas em xilogravura. À venda nas feiras, nos livrinhos de cordel se encontram praticamente todos os personagens da história do Brasil e do mundo. […]

Cynara Menezes
01 de julho de 2013, 14h14

A tradição da literatura de cordel remonta ao século 15. Foi trazida ao Brasil pelos portugueses e, no Nordeste, acabou virando a mais autêntica forma de literatura sertaneja, com suas capas impressas em xilogravura. À venda nas feiras, nos livrinhos de cordel se encontram praticamente todos os personagens da história do Brasil e do mundo.

Em Vitória da Conquista (BA), achei estes exemplares que contam a vida de alguns revolucionários famosos. Quero compartilhar com vocês imagens e versos desta arte que é a cara do Brasil. Leiam com viola aos ouvidos…

As Aventuras do Guerrilheiro Che Guevara

Mário Téran, um sargento
Pra o ato se ofereceu
Félix Rodriguez da CIA
Mais uma ordem lhe deu
E explicou o porquê:
O alvo é o tórax, pra que
Pensem que em luta morreu.

No dia nove de outubro
Do ano sessenta e sete
À uma hora da tarde
Triste fato se repete
Che Guevara assassinado
Seu nome imortalizado
E a notícia era manchete.

A denúncia de Miranda
Secretário do partido
Deixava Getúlio Vargas
Desde então mais decidido
Mostrar que era ruim
Mandou Olga pra Berlim
Sem nem Hitler ter pedido.

A ação de Getúlio Vargas
Foi uma barbaridade
Pois entregou Olga ao Reich
Sem nenhuma piedade
Por “Pai dos Pobres” tratado
Mas merece ser chamado
Malfeitor da humanidade.

Zapata inda era um menino
Quando um fato aconteceu.
Ele viu o pai chorando
Pelas terras que perdeu.
Então aquela criança
Comovida prometeu:

–Papai eu juro ao senhor
Quando crescer vou lutar.
Vou defender nossa terra,
Nossa casa, nosso lar.
As palavras que o menino
Disse, o homem soube honrar.

Quando Jácome atacou
Naquela segunda vez
Um guerreiro inda menino
Imensa proeza fez:
Destroçou a expedição
Com coragem e altivez.

O menino era Zumbi
Com seus dezessete anos,
Por ser muito inteligente
Sabia traçar seus planos
Para assim se defender
Dos massacres desumanos.

 

Na cidade Xapuri
O seu berço natural
No ano de oitenta e oito
Antevéspera de Natal
O vinte e dois de dezembro
Foi o seu dia final.

Um pistoleiro maldito
Com sua mão assassina
E tamanha violência
Que o leitor não imagina
Disparou em Chico uma
Rajada de carabina.

Ao lado de esposa e filhos
Tombou sem vida no chão
Como quem dizia adeus
Flora do meu coração
Meu sangue se espalha em ti
Pra total libertação.


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(8) comentários Escrever comentário

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Fábio de O. Ribeiro em 01/07/2013 - 18h23 comentou:

A literatura de cordel certamente tem mais leitores do que FHC. Ha, ha, ha… esta é a verdadeira razão do tucanão asqueroso ter sido levado para a ABL. Afinal, a ABL é um lugar em que a literatura de cordel não entra nem pretende entrar. Lá nunca existiu muitos leitores ou eleitores. Ha, ha, ha…

Imortal… Francamente. Considerando a idade avançada de FHC e seu deplorável estado intelectual, a cadeira na ABL funciona como uma espécie de aviso prévio para um ex-intelectual com baixa marcada no cemitério. Pequena perda, diremos.

Responder

    Old Bull Lee em 03/07/2013 - 22h45 comentou:

    Facio "Cachorro Louco", voce tambem esta aqui? Que (des)agradavel surpresa!

Marcos em 01/07/2013 - 21h20 comentou:

Revolucionários não existem, a figura do revolucionário é a coisa menos revolucionaria que existe é meramente uma reposta a um governo a um conjunto de situações politica e sociais durante algum período histórico isso sempre ocorreu, o problema que esse efeito as vezes é muito mais sanguinário que a causa como no caso do Che quer Vara rs, um grande assassino, matava inclusive crianças que discordava do mesmo, racista e homofóbico, "socialista morena" vc admira monstros só não sabe disso.

Responder

malvina cruela em 03/07/2013 - 11h42 comentou:

no próximo dia 27/07 vou a Vitoria da Conquista/Ba (moro em BH/MG) para a apresentação do Auto da Catingueira na casa de Elomar, a Casa dos Carneiros, e gostaria de saber onde se pode adquirir o exemplares dessa obra magnifica..pode me dizer?

Responder

    morenasol em 03/07/2013 - 17h59 comentou:

    olá! aqui nos livros diz que a editora é do ceará. tupinaquim editora: (85) 3217-2891

Old Bull Lee em 03/07/2013 - 22h44 comentou:

Estes livros de Cordel aqui apresentados sao tao "populares" quanto um iPhone 5.

Responder

    malvina cruela em 04/07/2013 - 11h14 comentou:

    e tão bons quanto…

JOACIL CAMBUIM em 14/07/2013 - 09h16 comentou:

Muito bonito a divulgação da Literatura de Cordel. Aos doze anos (1967), sem ir à escola, fui incentivado por meu avô materno a ler os "versos dos cantadores". (Os livrinhos comprados em feiras livres). Dizia ele – com total razão – que a noção sobre rima ajudava a decifrar as palavras e, assim, desenvolver o pouquinho de conhecimento que tinha sobre as letras. Que bom se outras pessoas cultas e influentes divulgassem essa importante manifestação popular.

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