Serra posta foto com Carina Vitral, presidenta da UNE, e é massacrado por coxinhas no Face

Publicado em 9 de maio de 2017
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(Carina e Serra. Foto: reprodução)

O senador tucano e ex-ministro das Relações Exteriores José Serra, em um momento de nostalgia de seu passado de esquerda, resolveu postar no Facebook uma foto ao lado de Carina Vitral, atual presidenta da União Nacional dos Estudantes, entidade que ele presidiu em 1963, pouco antes do golpe. Carina havia ido entrevistá-lo para um filme que a UNE está produzindo sobre seus 80 anos de história. Ao final, ambos posaram simpaticamente para uma foto, que Serra postou em sua página na rede social.

Ele escreveu: “recebi hoje a presidente nacional da UNE, Karina Vitral, para a gravação do filme Praia do Flamengo 132. Foi ótimo relembrar o início de minha vida política, as angústias e os desafios da época. Para hoje, continuo convicto das minhas obrigações para a construção de um país mais igualitário e justo.”

Foi o suficiente para ser atacado por centenas de seguidores “decepcionados” com sua aproximação com Carina, militante do PCdoB. A maioria repetia clichês anticomunistas e acusava a presidenta da UNE de apoiar o regime de Nicolás Maduro.

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Houve quem dissesse que Serra é, na verdade, “petista disfarçado”.

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E vários disseram que não vão mais votar nele.

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Teve até um para quem a foto só fez comprovar sua certeza de que Serra é um seguidor de Karl Marx.

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Felizmente, apareceram uns sensatos para chamar os coxinhas à razão. Afinal, não havia nada demais em dois presidentes da UNE posarem juntos para uma foto.

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E, para alívio geral, apareceu até um gozador para tirar onda e quebrar o climão.

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Confira a postagem do senador.

O pior é que, do lado de Carina, também houve quem atacasse ao postar a foto, acusando-a se de se juntar a “golpistas”. No post, a presidenta da UNE contava do “depoimento emocionado” de Serra ao documentário, mas acabou sendo forçada a “se explicar” a seguidores de esquerda mais exaltados, de forma elegante.

“O diálogo entre pessoas de posições divergentes ou mesmo opostas faz parte da democracia e, na verdade, é a sua essência para a construção de uma sociedade que saiba respeitar todos os seus membros, independente de credo, raça, posição social, política ou opção sexual. É preciso ter maturidade para compreender que dialogar não significa mudar de lado, ou ficar amigo; é simplesmente uma ação política, e o Serra faz parte da história da instituição que eu presido.”

 

 

 

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FGV: esquerda está convencendo brasileiros que reforma trabalhista = perda de direitos

Publicado em 1 de maio de 2017
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(A “nuvem” de comentários da esquerda no twitter. Fonte: DAPP/FGV)

Uma análise das redes sociais elaborada pela Fundação Getúlio Vargas no dia 28 de abril, dia da greve geral, indica que a esquerda está ganhando a disputa narrativa sobre a reforma trabalhista e conseguindo convencer os brasileiros de que ela é sinônimo de perda de direitos. Trata-se de uma importante guinada na narrativa política, dominada pela direita desde 2014, após a vitória da petista Dilma Rousseff na eleição ser questionada pelo candidato derrotado, Aécio Neves, do PSDB.

De acordo com a publicação, o movimento de apoio à greve geral nas redes sociais foi a maior ação da oposição ao governo Temer até agora, com mais de 1,1 milhão de menções relacionadas à paralisação. “O volume faz do evento o maior nas redes dos últimos anos, superando inclusive os maiores atos em favor do impeachment”, entre março de 2015 e março de 2016. Criada pela esquerda, a hashtag #BrasilEmGreve dominou o twitter, com 326 mil menções até as 17 h. Para comparação, a tag da direita, #AGreveFracassou, mesmo utilizando robôs, teve 28 mil menções apenas.

“É possível afirmar que a greve geral inaugura um novo momento na disputa política, em que a oposição ao governo adquire nas redes proporções similares ao movimento que, iniciado em 2015, culminou com o afastamento de Dilma”, diz o relatório elaborado pela Diretoria de Análise de Políticas Públicas da fundação. O mapa de interações nas redes sociais do debate sobre os protestos evidencia, segundo o estudo, que os partidários do governo Temer encontram-se na “defensiva”.

Esta disputa de narrativas também se mostra dissociada da mídia comercial, que está “marginalizada”, sem nenhum perfil de destaque participando do debate. Entre os perfis no twitter que mais se destacaram do lado dos “Vermelhos” estão a Mídia Ninja, o jornalista Xico Sá, a atriz Leandra Leal, o repórter do Incercept George Marques, o perfil de humor progressista Dilma Bolada e a jornalista Cynara Menezes, deste blog. Do lado “Azul” aparecem, bem distanciados em termos de interações, o BlogdoPim, do site da Veja, o perfil de humor reacionário JOAQUINVOLTOU, e o roqueiro Roger, do Ultraje a Rigor.

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(Fonte: DAPP/FGV)

Outra “nuvem”, produzida pelo professor Fabio Malini, do Labic (Laboratório de Estudos de Imagem e Cibercultura) da Universidade Federal do Espírito Santo, mostra com nitidez como os pró-Temer ficaram encurralados nas redes no dia da greve geral: na parte escura, os perfis que defenderam a greve dos trabalhadores contra as reformas e, em amarelo, os que a atacaram.

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“Os Vermelhos ganharam a guerra na comunicação ao relacionar as propostas com perdas de direitos. Desorganizados, os Azuis não foram capazes até o momento de demonstrar vantagens das duas propostas (reformas da Previdência e trabalhista) para a sociedade”, diz o texto da FGV. Um ano após o impeachment, o debate em torno da greve geral mostra que “as forças pró e contra o impeachment continuam dominando as discussões nas redes. Os chamados Vermelhos (pró-Dilma e pró-Lula) estavam acossados por meses pelas investigações da Força-Tarefa da Operação Lava-Jato e pela recessão de 2015. A mobilização em torno da greve geral mostra uma inflexão na relação entre Azuis e Vermelhos.”

Uma das razões para essa reviravolta acontecer foi o fato de a “lista de Fachin” ter comprovado o que a esquerda dizia: que a corrupção brasileira é sistêmica, está na forma como se faz campanha no país, e por isso atinge políticos de todos os partidos, não apenas do PT. “A inclusão de nomes como o do senador Aécio Neves nas delações tirou dos Azuis a primazia do discurso anticorrupção”, conclui o estudo. Confira aqui a íntegra.

 

 

 

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Ana Amélia sai em defesa do ex-colega de RBS Lasier Martins, acusado de agredir a mulher

Publicado em 4 de abril de 2017
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(Os senadores Ana Amélia e Lasier Martins. Foto: Geraldo Magela/Agência Senado)

Por Katia Guimarães*

Na contramão do combate à violência contra a mulher travado diariamente no país, a senadora Ana Amélia Lemos (PP-RS) saiu hoje em defesa do conterrâneo e ex-colega de RBS, senador Lasier Martins (PSD), acusado de agressão física e psicológica contra sua mulher, a jornalista Janice Santos. A denúncia foi registrada, na semana passada, na Delegacia Especial de Atendimento à Mulher (DEAM) de Brasília, onde Janice compareceu, acompanhada de testemunha, e realizou exame de corpo de delito no Instituto Médico Legal (IML).

A jornalista acusou o marido, de quem está se separando, de tê-la agredido inclusive utilizando um cinto. O caso foi parar também no Senado, onde a Procuradoria Especial da Mulher cobrou celeridade e rigor nas investigações. “Estaremos atentas e acompanharemos os desdobramentos de tão lamentável acontecimento. Faremos o que for necessário para ver o caso elucidado, pois reafirmamos nossa convicção de que a vida sem violência é um direito inalienável de todas e de todos”, diz a nota assinada pelas senadoras.

Hoje Lasier subiu à tribuna para se queixar que se trata de um “problema pessoal, que deveria ter ficado restrito a uma vara de família”. Sem fazer referência direta à denúncia, o senador se disse “defensor da Lei Maria da Penha” e citou a filha da ex-mulher, que, segundo Janice, presenciou as agressões, que ele nega. “No drama pessoal a que qualquer pessoa está sujeita, há uma criança. Há uma menina de 10 anos, uma menina talentosa, cativante, muito querida, que não pode sofrer efeitos negativos, deletérios sobre o cenário que foi armado”, afirmou o senador gaúcho.

Lasier chegou a dizer que a repercussão do caso ultrapassou os limites e que só não abre mão do foro privilegiado para acelerar o processo porque “não pode”. “Naquilo que depender de mim, o processo judicial andará muito rápido, porque eu quero ver o fim desse dilema que se transformou num pesadelo injusto. E quando me perguntam: mas por que não abre mão do foro privilegiado? Se eu pudesse, já teria feito, mas é imperiosidade constitucional, é prerrogativa da função e não da pessoa. Então, se pudesse, eu estaria abrindo mão do foro privilegiado”.

A ex-colega de RBS Ana Amélia se recusou a assinar a nota das senadoras e criticou que a denúncia esteja sendo tratada com “dois pesos e duas medidas”. “Houve casos semelhantes, análogos aos seus, envolvendo colegas que não tiveram o mesmo tratamento”, disse, sem citar quais. “Eu queria apenas ressaltar, como jornalista, sua colega, que trabalhamos numa empresa, a forma sempre respeitosa que V. Exª teve com as colegas jornalistas e também das informações que tenho sobre a sua convivência familiar com a sua família. É muito difícil, num caso estritamente pessoal e particular, íntimo, porque é a sua palavra e a palavra da pessoa que o denunciou.”

A declaração de Ana Amélia causou indignação entre as senadoras que têm atuado no enfrentamento à violência contra a mulher. “Houve fatos anteriores. Verificamos antecedentes de todos. E aqueles em que havia um processo à época do acontecido, em que houve denúncia, nós nos posicionamos da mesma forma”, reagiu Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM), procuradora Especial da Mulher no Senado. “Nós brigamos muito contra aquele velho ditado que diz ’em briga de marido e mulher, ninguém põe a colher’. Põe a colher, sim”, afirmou.

A última alteração na Lei Maria da Penha foi justamente nesse sentido, para permitir que a agressão seja denunciada à revelia da vítima. O Supremo Tribunal Federal decidiu que o Ministério Público pode entrar com a ação penal, em casos de violência doméstica, mesmo que a mulher decida voltar atrás na acusação contra seu companheiro. A ideia é que o Estado proteja a vítima mesmo quando ela se mostra incapaz de fazê-lo. Esta decisão tornou possível, por exemplo, que a suposta agressão do cantor Victor à mulher continue a ser apurado pela polícia, mesmo que ela tenha recuado da queixa.

“Nós não poderíamos nos omitir de maneira nenhuma. Seja parlamentar, seja lá quem for, nossa posição aqui é um dever, uma prerrogativa que a gente tem. Repito, o que se quer é a investigação, é a apuração e que tudo seja feito com muita seriedade, para que ao final a verdade venha à tona”, disse a senadora Fátima Bezerra (PT-RN).

Nessa quarta-feira, 5 de abril, será instalada no Senado a Comissão Mista de Combate à Violência Contra a Mulher, com a divulgação de relatório do Observatório da Mulher contra a Violência (OMV), que aponta que, em 2014, houve 4,6 assassinatos a cada 100 mil mulheres no país. Do total de vítimas, 62% eram negras ou pardas.

 

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