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6 greves de mulheres no mundo que mudaram o curso da História

No dia 8 de março as brasileiras também podem fazer História contra Bolsonaro e em defesa da democracia

Cartaz da transição espanhola, anos 1970
Do Pijama Surf
28 de fevereiro de 2020, 19h25

Por Jimena O., no Pijama Surf
Tradução Cynara Menezes

A história dos movimentos de trabalhadores foi muito bem documentada. E as mulheres tiveram um papel muito relevante neles, pois graças à sua organização deram o exemplo para as gerações seguintes.

Veja algumas das greves e movimentos de mulheres mais importantes da história dos movimentos trabalhistas e suas conquistas.

1. Trabalhadoras da indústria do tabaco em Madri, 1857

A greve das 4000 trabalhadoras da Fábrica de Tabaco de La Coruña é considerada a vanguarda do movimento operário espanhol.

Numa segunda-feira, 7 de dezembro de 1857, as operárias deixaram seus postos de trabalho e foram para cima com tudo: destruíram escritórios, móveis e maquinário. Entre as razões que desataram a fúria das trabalhadoras estavam as jornadas de trabalho cada vez mais longas, as oficinas abarrotadas onde as mulheres trabalhavam em temperaturas extremas e o ritmo de produção exigido, cada vez mais rápido, tudo isso a salário cada vez menores.

Depois do exemplo das trabalhadoras do tabaco houve uma greve de marceneiras em 1880 e a paralisação das operárias do tabaco de Gijón em 1903.

2. Greve de Pão e Rosas em Lawrence, Massachussetts, em 1912

No começo do século 20, os operários da indústria têxtil nos EUA se movimentavam exigindo melhores condições de trabalho e melhores salários. As mulheres do setor começaram então a organizar seus próprios protestos. Em 11 de janeiro de 1912, as trabalhadoras da indústria têxtil, a maioria delas imigrantes, começaram uma paralisação que duraria dois meses e ficaria conhecida como “a greve do pão e rosas”. Formaram um cordão ao redor das fábricas, de forma que nem sequer a polícia podia entrar. Os vizinhos instalaram creches e refeitórios em apoio às trabalhadoras.

3. Dagenham, Inglaterra, 1968

Em 1968, a empresa norte-americana Ford tinha aproximadamente 55 mil trabalhadores na Inglaterra, dos quais 187 eram mulheres. Estas mulheres eram encarregadas de fazer o estofamento dos assentos dos carros. Apesar do número significativamente menor, estas operárias decidiram começar uma folga que durou três semanas para exigir sobretudo igualdade salarial, pois seus salários eram 92% menores do que os dos trabalhadores homens.

Em 1970, com o apoio do Partido Trabalhista, o Reino Unido aprovou a Lei de Igualdade Salarial, que entrou em vigor 5 anos depois em todo o país.

4. O dia livre das mulheres da Islândia em 1975

Até 1975, o salário dos homens islandeses era 40% mais alto que o das mulheres. Diante desta situação, 90% das mulheres trabalhadoras do país começaram uma greve que repercutiu em todo o país: conseguiram parar a atividade de bancos, escolas e fábricas. Os homens tiveram que ocupar os espaços vazios que as mulheres tinham deixado, tanto no trabalho como no lar. Como consequência deste movimento, cinco anos depois da paralisação a Islândia elegeu a primeira mulher presidenta: Vigdis Finnbogadottir.

5. Greve de fome das mineiras de La Paz, Bolívia, 28 de dezembro de 1977

Domitila Chungara, ativista boliviana

Durante a ditadura de Hugo Banzer na Bolívia (1971-1978), houve quatro mulheres que encabeçaram um movimento que culminaria na queda do ditador. Luzmila de Pimentel, Nelly de Paniagua, Aurora de Lora e Angélica de Flores, todas elas esposas de dirigentes sindicais mineiros, junto com seus 14 filhos, se uniram à ativista Domitila Chungara, tomaram a arquidiocese de La Paz em 28 de dezembro de 1977 e se declararam em greve de fome. As reivindicações: anistia geral para os opositores do regime e convocação de eleições livres. Mais de 1500 bolivianos se uniram a esta greve de fome. Meio ano depois, o ditador Hugo Banzer renunciou. Estas cinco mulheres deram o primeiro passo para a democracia na Bolívia.

6. Bangalore, Índia, Garment Labour Union, 2002

Em 2002, as mulheres trabalhadoras das fábricas têxteis se uniram e formaram seu próprio sindicato, o Garment Labour Union. O GLU se propôs a reunir todas as trabalhadoras do setor têxtil para exigir melhores condições de trabalho e aumento do salário mínimo, o qual havia aumentado apenas 4 vezes em 45 anos. Um dos objetivos principais deste sindicato é conscientizar sobre os direitos trabalhistas das mulheres na Índia.

***

No próximo dia 8 de março as mulheres brasileiras também podem fazer História lutando contra Bolsonaro e em defesa da democracia.


(5) comentários Escrever comentário

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Adriana Citino em 28/02/2020 - 21h32 comentou:

Fico muito triste com a baixa consciência das mulheres brasileiras. Poderíamos mudar a história, mas, por mais que algumas de nós lutemos, a coisa não anda.

Responder

Avel de Alencar em 28/02/2020 - 23h12 comentou:

Sou fã do blog Socialista Morena.

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    Cynara Menezes em 29/02/2020 - 19h04 comentou:

    obrigada!

Amarilde Batista da Silva em 29/02/2020 - 12h18 comentou:

Muito interessante este documentário, sobre a luta das mulheres no mundo. Ficou a desejar a tradução dos vídeos históricos. Pra mim como mulher trabalhadora, tenho o grande desejo de fazer a diferença nas lutas do meu país. Abaixo o fascismo, a perda de direitos, a todas formas de opressão. Á luta mulheres, temos muito o quê conquistar.

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Nidia em 02/03/2020 - 08h23 comentou:

Precisamos voltar a ter grupo de mulheres,em todos os lugares. Sem imediatismo.Clube de mães, ginástica, informática, grupo de ajuda etc. Descobrir o que interessa as mulheres. Com carinho,ternura devagar se chega na conscientização.
A idéia de qdo td está ruim, tem que se ir numa igreja pegou mesmo e é o espaço que as mulheres têm…

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