Áudios demonstram que Bolsonaro é fraco e pau mandado de Malafaia
Tantas vezes Bolsonaro e seu séquito chamaram Dilma e Haddad de "postes de Lula"... Já está liberado chamar Jair de "poste de Malafaia"?
A cineasta Petra Costa já tinha matado a charada em seu mais recente documentário, Apocalipse nos Trópicos. Durante a manifestação de 7 de setembro de 2021 em São Paulo, que a PGR (Procuradoria-Geral da República) aponta como “os primeiros atos executórios” do plano golpista, há uma cena emblemática: Jair Bolsonaro faz um discurso inflamado enquanto o pastor Silas Malafaia move os lábios como se soubesse de antemão tudo que o então presidente da República iria falar.
“Bolsonaro olha para Malafaia em busca de aprovação”, observa Petra sobre a cena que vê: o pastor movendo os lábios sincronizadamente com a fala de Bolsonaro e então rindo, satisfeito de ver seu pupilo seguindo à risca o script que traçou, enquanto o presidente lhe dirige o olhar a cada frase, a cada xingamento a Alexandre de Moraes. Na quarta-feira, 20 de agosto, após a divulgação dos áudios, a cineasta comentou na rede X que sua impressão de que Malafaia atua como eminência parda de Bolsonaro se confirmara.
Fazendo Apocalipse nos Trópicos, descobrimos como Malafaia virou um dos conselheiros com mais influência sobre Bolsonaro, a ponto de escrever os seus discursos.
As mensagens, hoje reveladas pela investigação da PF, deixa o seu papel de Rasputin ainda mais evidente. pic.twitter.com/uRKfk7g0WG
— Petra Costa (@petracostal) August 21, 2025
“Fazendo Apocalipse nos Trópicos, descobrimos como Malafaia virou um dos conselheiros com mais influência sobre Bolsonaro, a ponto de escrever os seus discursos”, postou Petra. “As mensagens, hoje reveladas pela investigação da PF, deixam seu papel de Rasputin ainda mais evidente.”
Nos áudios e mensagens de whatsapp, o “capitão” aparece como um homem claudicante, dominado por soluços, que escuta, sem qualquer contestação, um irascível Malafaia xingar seu próprio filho. “Esse seu filho Eduardo é um babaca inexperiente”, “um estúpido de marca maior”, “só não faço um vídeo e arrebento com ele por consideração a você. Não sei se vou ter paciência e ficar calado se esse idiota falar mais alguma asneira”. Que tipo de pai é esse que aguenta ouvir outro sujeito atacar um filho seu de maneira tão violenta?
Malafaia guia todos os passos do ex-presidente. Manda vídeos pelo zap e ordena que Bolsonaro os divulgue: “Manda na sua lista de transmissão o vídeo que te mandei”. Orienta Bolsonaro sobre como se posicionar contra o STF e em favor da anistia: que ele deve dizer que não deseja a sanção de Donald Trump sobre os ministros “para ficar bonito, dar uma de bacana”; e que não precisa xingar Alexandre de Moraes, mas que tem de se posicionar.
Malafaia dá o tom, a “linha editorial” que Bolsonaro deve seguir, inclusive indicando a que meios de comunicação ele deve ou não dar entrevistas e em que horário. “Você não pode falar com qualquer veículo… 4 e meia da tarde nessa porcaria desses caras”, disse Malafaia se referindo ao site Poder 360 e à entrevista em que Bolsonaro justificou que Eduardo só atacou Tarcísio de Freitas porque é “inexperiente”. Para Malafaia, o melhor canal para o ex-presidente dar entrevista é o Metrópoles. “Lá é um lugar para você falar e a hora é fundamental. Tem que ser depois de 18”, diz.
O PGR aponta o total domínio do pastor sobre o ex-presidente como a principal razão para impor medidas cautelares a Malafaia. “A representação está encorpada com significativos elementos, materializados em diversos diálogos e publicações, sugestivos da atuação ilícita do requerido SILAS LIMA MALAFAIA, que aparece como orientador e auxiliar das ações de coação e obstrução promovidas pelos investigados Eduardo Nantes Bolsonaro e Jair Messias Bolsonaro”, escreve Paulo Gonet. Detalhe importante: é Malafaia quem assumidamente banca as despesas das manifestações flopadas em favor do “mito”.
Soluçando e subserviente diante do pastor gritalhão e estridente, Bolsonaro é incapaz de defender o próprio filho. Não aparenta ter ideias próprias ou estratégia; é só um pau mandado de Malafaia, uma ovelha mais no rebanho do pastor, dizendo amém a tudo
O que ressai das conversas é um político fraco, pusilânime, muito distante do “estadista” que Bolsonaro quer convencer que é. O “mito” que crescia para cima de repórteres mulheres na presidência e, na Câmara, para cima de deputadas mulheres, parece apavorado com a ideia de ser preso. Soluçando e subserviente ao pastor gritalhão, Bolsonaro é incapaz de defender o filho. Não aparenta ter ideias próprias ou estratégia; é só um pau mandado de Silas Malafaia, uma ovelha mais no rebanho do pastor, dizendo amém a tudo que ele ordena.
A imagem pública de Jair Bolsonaro, do “homem com testosterona” bradado por Nikolas Ferreira, não orna com a imagem privada das conversas de zap. Todo mundo já tinha reparado na covardia do ex-presidente, sempre correndo para o hospital quando a coisa aperta para o lado dele. O que ficou evidente agora é que ele tampouco lidera ninguém, e sim é liderado, comandado por um líder pseudocristão que o manipula como a um boneco de ventríloquo.
Tantas vezes, nos últimos anos, Bolsonaro e seu séquito chamaram Dilma Rousseff de “poste de Lula”, chamaram Fernando Haddad de “poste de Lula”. Já está liberado chamar Jair de poste de Malafaia?
Apoie o site
Se você não tem uma conta no PayPal, não há necessidade de se inscrever para assinar, você pode usar apenas qualquer cartão de crédito ou débito
Ou você pode ser um patrocinador com uma única contribuição:
Para quem prefere fazer depósito em conta:
Cynara Moreira MenezesCaixa Econômica Federal
Agência: 3310
Conta: 000591852026-7
PIX: [email protected]












Os comentários aqui postados são de responsabilidade exclusiva de seus autores e não representam a opinião da Socialista Morena. Todos as mensagens são moderadas. Não serão aceitos comentários com ofensas, com links externos ao site, e em letras maiúsculas. Em casos de ofensas pessoais, preconceituosas, ou que incitem o ódio e a violência, denuncie.
José Carlos Abreu em 23/08/2025 - 10h14 comentou:
Estava com saudades dos seus artigos.
O que houve? Férias prolongadas? doença? outras responsabilidades?
De qualquer forma fico feliz com seu retorno.
Grande abraço.
Cynara Menezes em 25/08/2025 - 17h32 comentou:
machuquei minha mão em março, voltando agora
Daniel Paula em 24/08/2025 - 19h31 comentou:
Nada mais previsível do que um texto militante travestido de análise “profunda”. Um amontoado de frases de efeito, insultos reciclados e conclusões prontas, tudo embalado em linguagem cinematográfica para fingir ser prova jurídica. Vamos destrinchar as falácias com calma, já que a autora preferiu o roteiro de novela ao rigor lógico.
1) Ad hominem
Chamar Bolsonaro de “pusilânime” ou “pau mandado” não prova nada além do rancor de quem escreve. O ataque pessoal é a forma mais pobre de argumentar. A Constituição, no art. 5º, X, protege a honra. Ou seja, insulto pode render indenização, mas nunca condenação penal.
2) Apelo à autoridade
Petra Costa pode filmar quantos documentários quiser, mas sua opinião não substitui investigação. Invocar uma cineasta como se fosse jurista ou perita é falácia pura. O art. 5º, LIV da CF/88 exige devido processo legal, não streaming da Netflix como fonte probatória.
3) Culpa por associação
Dizer que Bolsonaro virou “fantoche” de Malafaia porque ouvia conselhos é outro salto lógico. O art. 5º, IV e VI da CF/88 garante a liberdade de expressão e crença. Ouvinte não é cúmplice. Se conselho fosse crime, nenhum presidente passaria ileso em Brasília.
4) Post hoc (falsa causalidade)
Associar o 7 de setembro a “plano golpista” sem prova de ligação direta é clássico exemplo de “depois disso, logo por causa disso”. A CF/88 art. 5º, LVII consagra a presunção de inocência. Nexo causal precisa de fato, não de palpite ideológico.
5) Generalização apressada
Com base em alguns áudios, conclui-se que Bolsonaro “não tem ideias próprias”. É como ver um frame de filme e achar que entendeu toda a trama. A inferência ignora contexto. O princípio da presunção de inocência também serve contra análises preguiçosas.
6) Falsa analogia
Chamar Bolsonaro de “poste de Malafaia” porque Dilma e Haddad foram apelidados de “postes de Lula” é analogia preguiçosa. Situações distintas não se equiparam. O CPP art. 155 exige prova concreta. Comparação retórica não substitui elemento jurídico.
7) Apelo à ridicularização
Zombar das idas ao hospital ou soluços como se fossem fraqueza política é golpe baixo. Isso não invalida posições nem decisões. A CF/88, art. 1º, III protege a dignidade da pessoa humana. Debochar de saúde é argumento de quinta categoria.
8) Petição de princípio
O texto assume de saída que houve “plano golpista” e tenta provar isso com as próprias premissas. É raciocínio circular. O art. 5º, LIV da CF/88 exige devido processo, ou seja, fatos externos à tese, não tautologia travestida de análise.
9) Espantalho
Atribuir a Bolsonaro intenção de pedir “sanção de Trump” contra ministros é inventar inimigo para refutar. Espantalho clássico: cria-se uma posição caricata para então destruí-la. Refutar a fantasia não atinge a realidade.
10) Falso dilema
Ou Bolsonaro é “líder forte” ou é “fantoche de Malafaia”. Redução simplista, ignorando a complexidade das relações políticas. Falso dilema é arma de retórica para cortar nuances, não para revelar a verdade.
11) Apelo à emoção
Comparações com “boneco de ventríloquo” ou “ovelha” servem apenas para provocar nojo ou riso. Isso é recurso estético, não evidência. O art. 93, IX da CF/88 exige fundamentação em fatos. Emoção pode servir em novela, não em direito penal.
12) Falácia genética
Desqualificar uma ideia só porque vem de Malafaia não invalida seu conteúdo. O mérito de um argumento não depende da origem. É falácia genética: atacar a raiz e não o fruto. O exame deve ser de conteúdo, não de procedência.
Ufa!!!
No fim, a blogueira constrói um roteiro digno de telenovela: soluços, ventríloquos, postes e Rasputins. Tudo, menos prova. A ironia é que, ao tentar pintar Bolsonaro como marionete, a própria autora vira porta-voz de narrativa previsível, mais “poste” da militância que analista política.
Cynara Menezes em 25/08/2025 - 17h31 comentou:
a verdade dói… tanto que escreveu um textão para tentar rebater
Daniel Paula em 25/08/2025 - 18h04 comentou:
Só isso? Previsível e raso.