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Direitos Humanos

Com a Amazônia em chamas, Bolsonaro monta “gabinete de crise”… no twitter

Em vez de confrontar o fogo, governo prefere confrontar a realidade em postagens nas redes sociais

Fumaça na Amazônia. Foto: NASA
Da Redação
23 de agosto de 2019, 10h13

Segundo o Inpe, o desmatamento no Brasil cresceu 88% em relação a junho passado, quando Bolsonaro ainda não havia assumido a presidência. O instituto Imazon apontou um crescimento de 66% no desmatamento na chamada Amazônia Legal no mês de julho de 2019 comparado ao mesmo período do ano passado. Já as queimadas aumentaram 82% em relação a 2018. A NASA, a agência espacial norte-americana, também confirmou com imagens que o fogo se alastra pelos estados de Rondônia, Amazonas, Pará e Mato Grosso.

O que faz o Bolsonaro? Se mobiliza para apagar o incêndio? Sim, mas só no sentido figurado. Praticamente todos os integrantes do governo foram ao twitter tentar desmentir o noticiário e atacar o presidente da França, Emmanuel Macron, que convocou o G7 para debater o assunto de forma urgente.

O “gabinete de crise” de Bolsonaro no twitter começou pelo próprio presidente acusando o homólogo francês, que é de direita, de “instrumentalizar” o tema. Bolsonaro, que faltou a todos os debates no segundo turno presidencial, também se disse “aberto ao diálogo” e apelou à suposta “mentalidade colonialista” de Macron. Logo ele que bate continência para a bandeira dos EUA…

O filho do presidente, indicado pelo pai embaixador brasileiro nos EUA, mostrou sua total inaptidão para a diplomacia chamando o francês de “idiota”.

É claro que Carluxo não poderia faltar, apelando à “união” contra o “inimigo” francês que quer “controlar nosso patrimônio”. Nem parecem os mesmos que estão privatizando todas as estatais brasileiras.

O general de pijamas Villas Boas, em uma série surreal de tweets em que cita até Ho Chi Mihn, o líder comunista do Vietnã, e acontecimentos da época em que Macron nem era nascido, falou em “soberania”, como se não fosse o mesmo governo que entregou a base militar de Alcântara aos EUA e que pretende dar nosso subsolo a mineradoras estrangeiras.

Pior foi o vice-presidente Hamilton Mourão, que saiu do ostracismo em que se encontra para dizer que não é a Amazônia o pulmão do mundo, mas os oceanos.

Já o ministro contra o Meio Ambiente, Ricardo Salles, preferiu recorrer a uma publicação de extrema direita para culpar… a Bolívia. Esqueçam a redução na fiscalização, o aval para o desmatamento e a substituição de técnicos capacitados por apaniguados do governo sem nenhuma qualificação nos principais órgãos ambientais: “culpa da Bolívia” is the new “culpa do PT”.

Fato é que Bolsonaro está nas cordas. Não faz mais nada além de se defender dos ataques da comunidade internacional preocupada com o destino da Amazônia. Quando é que o governo vai começar a trabalhar em vez de ficar nas redes sociais?

Lembrando que, em 2004, o então presidente Lula lançou o PPCDAm (Plano para Prevenção e Controle do Desmatamento na Amazônia), que resultou em uma considerável redução dos índices de desmatamento. Em 2019, Bolsonaro foi ao twitter.

 


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(2) comentários Escrever comentário

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arthur em 26/08/2019 - 09h15 comentou:

oi, gente, tudo bom com vcs? adoro o site, acho extremamente criativa a forma como vcs conduzem tudo isso, todavia, adoraria deixar uma humilde sugestão. o país ta numa realidade muito dinâmica, vem ocorrido muitas coisas em pouco tempo, sinto que vcs não tão dando conta de discutir sobre determinadas coisas importantes no contexto político e social do brasil. a minha sugestão é: trazer o máximo de noticias e assuntos de maneira mais “condensada”, sabe?! algumas matérias de vcs são enormeees e com toda essa enxurrada de noticias que sai diariamente no país, fica “enfadonho” ler coisas tão longas, pq o que a gente quer mesmo é estar a par de tudo, então, quanto mais noticias lemos, mais informados ficamos. por essa razão, acredito que as noticias devam ser “compactas”. não sei se ficou claro o que eu quis dizer. um grande e caloroso abraço, camaradas.

Responder

    Cynara Menezes em 26/08/2019 - 11h46 comentou:

    a intenção aqui é CONSCIENTIZAR A POPULAÇÃO. se você quiser ler coisas condensadas, melhor ler a mídia comercial

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