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Cuba: a pandemia não respeita fronteiras nem ideologias; países devem unir esforços

O "país dos jalecos brancos", que enviou médicos à Itália, convidou EUA e Canadá a participar de encontro virtual entre as Américas

Cartum feito pela italiana Bianca Taglialatela Gil em homenagem aos médicos cubanos. Foto: reprodução
Da Redação
25 de março de 2020, 21h04

Na contramão do discurso ideologizado de Bolsonaro e Trump, o ministro das Relações Exteriores de Cuba, Bruno Rodríguez, alertou nesta quarta-feira, por videoconferência, na Primeira Reunião Extraordinária dos Ministros de Relações Exteriores e Saúde dos Países do Caribe, que só a união dos países pode vencer o coronavírus.

“O momento pede que afastemos as diferenças políticas para nos concentrar em enfrentar a emergência e as suas graves consequências no futuro imediato”, disse. “Cada país pode e deve contribuir com o que esteja a seu alcance. A pandemia não respeita fronteiras nem ideologias, devemos unir esforços e nos apoiar mutuamente.”

O ministro cubano se mostrou consciente de que, superada a pandemia, virão os efeitos econômicos “devastadores” dela, com o mundo sucumbindo a uma profunda recessão que afetará em cheio os países do hemisfério Sul. Em um quadro como este, advertiu, é inútil pensar que a ajuda virá do Norte

O ministro cubano propôs que nas próximas semanas se realize um encontro virtual com especialistas de saúde de todos os países da América, inclusive Estados Unidos e Canadá, para estabelecer comunicação, compartilhar experiências e intercambiar informação para unificar o enfrentamento à epidemia.

Cuba, que tem, ao longo da História, se firmado como “o país dos jalecos brancos”, enviando médicos a todo país que enfrente problemas de saúde pública, embarcou até agora centenas de profissionais para ajudar no combate ao coronavírus na Itália, Venezuela, Nicarágua, Granada e Suriname.

O ministro cubano se mostrou consciente de que, superada a pandemia, virão os efeitos econômicos “devastadores” dela, com o mundo sucumbindo a uma profunda recessão que afetará em cheio os países do hemisfério Sul. Em um quadro como este, advertiu, é inútil pensar que a ajuda virá do Norte.

“Não devemos esperar e muito menos confiar que os países ricos e industrializados venham salvar nosso povo. Pouca ajuda chegará do Norte. A responsabilidade de assumir o desafio e atuar como merecem nossos cidadãos é nossa”, disse. “Teremos que meditar sobre como assumir as dificuldades econômicas, comerciais e consequentemente sociais para nossos países. Enfrentaremos um cenário com o turismo afetado, transporte reduzido, linhas comerciais reduzidas; com incerteza no abastecimento e distorção dos fluxos mercantis. Não podemos pensar que o mercado dará resposta a estes desafios. Será preciso o empenho de nossos governos. Se juntamos esforços, teremos melhores possibilidades de de superar isso em menos tempo.”

Não podemos pensar que o mercado dará resposta a estes desafios. Será preciso o empenho de nossos governos. Se juntamos esforços, teremos melhores possibilidades de de superar isso em menos tempo

Cuba ainda não teve transmissão local do coronavírus. Todos os 57 casos registrados até agora foram de cidadãos e cidadãs estrangeiros, vindos de outros países ou que tiveram contato com turistas infectados. Ainda não houve nenhuma morte. Bruno Rodríguez atribuiu os resultados “à coesão social e à solidariedade”, à infraestrutura de atenção primária que garante o controle epidemiológico e ao fato de Cuba priorizar a saúde da população. “Temos um desenvolvimento científico especializado em doenças transmissíveis e contamos com uma indústria farmacêutica de alto nível tecnológico.”

Ele lembrou ainda o histórico de solidariedade do país. “Nos motivam os valores solidários que caracterizam Cuba, incluída a premissa de compartilhar o que temos, ainda que seja escasso”, disse. “A realidade que enfrentamos requer que coloquemos a vontade de agir e a solidariedade à frente da inação e do egoísmo. A humanidade demanda uma solução efetiva. Juntos podemos conseguir isso.”

Com informações do Granma

 

 

 


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pedro+de+A.+Figueira em 30/03/2020 - 19h08 comentou:

Em Cuba não se fala em dilema entre economia e vida.

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