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Jean Wyllys sobre cusparada em Jair Bolsonaro: “Eu faria tudo de novo”

Em entrevista, ex-deputado federal, hoje no exílio nos EUA, comenta a cena vivida em 2016, na votação do impeachment na Câmara

Charge: Daniel Pxeira
Da Redação
29 de junho de 2020, 17h34

A cena parece ter acontecido séculos atrás, mas foi há apenas quatro anos, em abril de 2016. No dia da votação do impeachment da presidenta Dilma Rousseff, o então deputado federal Jean Wyllys responderia à derradeira provocação de Jair Bolsonaro com uma cusparada. Desde que assumiu pela primeira vez o mandato, em 2011, o parlamentar do PSOL era agredido com insultos homofóbicos pelo integrante do baixo clero da Câmara que se tornou presidente da República.

Na última sexta-feira, em entrevista a Cynara Menezes, editora do Socialista Morena, no programa Papo-Cabeça do canal da Revista Fórum no youtube, Jean Wyllys não titubeou ao responder se sente arrependimento do gesto, pelo qual foi julgado e absolvido na Comissão de Ética da Casa –recebeu apenas uma censura por escrito. Já o processo de quebra de decoro contra Bolsonaro por, no mesmo dia, elogiar o torturador Brilhante Ustra durante seu voto favorável ao impeachment, foi arquivado.

“Eu faria tudo de novo, não tenho qualquer arrependimento. Embora, no momento em que eu fiz, tenha entrado numa espécie de transe”, disse o ex-deputadoo. “Estávamos todos tensos, era um momento de violência política muito grande, o corpo social brasileiro estava envenenado pelo antipetismo e esse veneno produziu um câncer no interior do sistema chamado bolsonarismo, que estava nascendo. E quando fui votar, fui recebido com uma chuva de insultos daqueles deputados: ‘Viado, sai daí’.”

“Ele tinha dado o voto ao Brilhante Ustra e eu estava escandalizado como alguém podia dedicar o voto a um torturador e ainda mais fazer referência ao ‘terror de Dilma Rousseff’. Fiz o meu voto e quando voltei vi no meio da massa de pessoas alguém dizer: ‘vai, queima-rosca’. Parei para olhar e vi que era ele. Ele olhou para mim e falou: ‘tchau, querida’. Quando ele falou isso eu fui tomado por uma coisa, entrei em transe e cuspi na cara dele.”

Em janeiro de 2019, Jean decidiu renunciar ao cargo de deputado reeleito para o terceiro mandato e se exilar do país diante das ameaças que vinha sofrendo à sua vida e a de seus familiares. Atualmente, ele atua como pesquisador-visitante no Instituto Afro-Latino-Americano do Hutchins Center da Universidade de Harvard, nos Estados Unidos.

Assista a íntegra da entrevista abaixo. O Papo-Cabeça, sempre com um convidado para falar de cultura e política, com dicas de leituras, filmes, músicas e séries, acontece toda sexta às 20h no canal da Revista Fórum no youtube. Não se esqueça de se inscrever no canal e acionar o sininho para receber os avisos de novos vídeos.


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(1) comentário Escrever comentário

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Paulo Caldeira em 01/07/2020 - 20h02 comentou:

“Absolvição” e “censura por escrito” se contradizem e se excluem, evidentemente.

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