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Após 4 anos sendo chamada de “corrupta”, Gleisi é absolvida pelo STF

Presidenta do PT e o marido, Paulo Bernardo, foram inocentados das acusações de corrupção passiva, lavagem de dinheiro e caixa 2

Gleisi no lançamento da pré-candidatura de Lula. Foto: Ricardo Stuckert
Da Redação
19 de junho de 2018, 23h46

Desde que se tornou presidenta do PT, a senadora Gleisi Hoffmann virou alvo do tiroteio midiático-policial da operação Lava-Jato. A situação piorou quando Gleisi ganhou protagonismo ao assumir a defesa de Lula e marcar presença quase diária no acampamento próximo à Superintendência da PF em Curitiba, onde o ex-presidente está preso. Seu estranhamente célere julgamento pelo STF (Supremo Tribunal Federal) parecia fechar o cerco em torno da senadora. Mas nesta terça-feira Gleisi e seu marido, o ex-ministro do Planejamento Paulo Bernardo, foram absolvidos das acusações de corrupção passiva, lavagem de dinheiro e de caixa 2 eleitoral.

A sentença confirma as reclamações da senadora petista nas redes sociais sobre o caso. Segundo Gleisi, o processo é “uma farsa” porque ela não ocupava cargo público na época dos fatos –ela era acusada de ter recebido 1 milhão de reais para sua campanha ao Senado em 2010. Foi exatamente o que disse o relator Fachin ao absolvê-la. Ele explicou que, para que se configure o crime de corrupção passiva, a solicitação de vantagem indevida deve estar relacionada com as atribuições funcionais do agente público, e Gleisi ainda não detinha mandato eletivo nem exercia qualquer função pública.

Na denúncia, a Procuradoria-Geral da República (PGR) usou depoimentos do doleiro Alberto Youssef e do ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa para embasar a acusação, mas Fachin viu divergências nos depoimentos de Youssef e Costa e afirmou que não há provas suficientes para comprovar que Paulo Bernardo solicitou o dinheiro. “Os demais elementos de prova, sejam documentais e testemunhais, não são aptos a confirmar a tese acusatória no sentido de que a solicitação da vantagem indevida a Paulo Roberto Costa tenha partido do denunciado Paulo Bernardo.”

A senadora petista chegou a ser chamada de “ladra” e “corrupta” por cidadãos estimulados por sites de direita que, alimentados pela Polícia Federal, a pré-julgaram. Quem vai pagar pelo dano à sua imagem?

Segundo a acusação, o valor teria sido desviado no esquema de corrupção na Petrobras e negociado por intermédio de Paulo Bernardo e do empresário Ernesto Kluger Rodrigues, que também é réu. O colegiado seguiu o entendimento de Fachin sobre as divergências nos depoimentos de Youssef e de Costa e que não há provas suficientes para comprovar que Paulo Bernardo solicitou o dinheiro, muito menos que a senadora teria dado apoio ao ex-diretor para mantê-lo no cargo em troca da suposta propina.

Os ministros Dias Toffoli, Gilmar Mendes e Ricardo Lewandowski discordaram, porém, da argumentação de Fachin, acompanhado por Celso de Mello, de que houve crime de caixa 2, e absolveram Gleisi e Paulo Bernardo de todas as acusações por falta de provas.

Nos últimos quatro anos, a senadora petista chegou a ser atacada em locais públicos, chamada de “ladra” e “corrupta” por cidadãos estimulados por sites e revistas de direita que, alimentados pela Polícia Federal, a pré-julgaram. Quem vai pagar pelo dano à sua imagem?

A Veja chegou a publicar que, segundo a PF, Gleisi Hoffmann “praticou lavagem de dinheiro e corrupção passiva” em sua “campanha ao Senado em 2014”, sendo que ela foi eleita para o Senado em 2010. Cadê as agências de checagem numa hora dessas?

Com informações da Agência Brasil

 


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Viviane em 20/06/2018 - 10h44 comentou:

Curiosa a manchete do ANTAgonista: “PF conclui que Gleisi é corrupta […]”. Ora, a PF acumula os papeis de polícia, promotor e juiz?!

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Ademir José de Souza em 20/06/2018 - 15h15 comentou:

Eu nunca fui e também não quero me filiar em nenhum partido político, nunca fui petista, mas sou e serei sempre lulista, pois o Lula não é apenas um ser humano, mas Lula é uma ideia e por sinal a melhor idéia que o povo brasileiro já viveu em todos os tempos…

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Ademir José de Souza em 20/06/2018 - 15h24 comentou:

Parabéns senadora, você provou pra essa cambada de de gente safada como Sérgio Moro, rede Globo, PSDB e todos os bandidos desse país que você é uma senhora digna e honesta , que na escola onde você se formou eles nunca passaram por perto…

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Rodolfo Lisboa Cerveira em 20/06/2018 - 21h32 comentou:

E ai, vai ficar por isso? Achincalham, deturpam, denigrem as vidas das pessoas, sempre com a certeza de que ficarão impunes! A sociedade tem que cobrar desses impostores tamanha iniquidade.

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Renato em 21/06/2018 - 14h06 comentou:

ain, a lavajato é seletiva. tsc, tsc, tsc.

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Alvaro jazeera em 21/06/2018 - 21h52 comentou:

Ih! Ela foi absolvida pelo STF? Então moralmente essa decisão não representa nada. STF não representa nem a Constituição que é para ser defendida.

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