O ex-casseta Marcelo Madureira e as viúvas de um tipo de humor que datou, já era

Publicado em 15 de junho de 2017
(Reprodução youtube)

(O ex-comediante Marcelo Madureira. Foto: reprodução youtube)

Confesso que Marcelo Madureira me intriga. Entre todos os sete integrantes do Casseta&Planeta, foi o único que se tornou um reaça de carteirinha. Porque o Claudio Manoel é assumidamente tucano, mas não é reaça. Madureira é reaça do nível estar à direita do Diogo Mainardi, ser parça do Danilo Gentili, fazer comentários na Jovem Pan e discursar em cima do carro de som dos Revoltados Online. Reaça no último.

Fico pensando o que aconteceu com o Madureira. Pesquisando sua biografia, vejo que tem 59 anos e é, ao contrário do que a gente pensava, curitibano e não carioca. Hum… Teria o fato de ser da terra de Sérgio Moro, com fama de conservadora, pesado na transformação de Madureira em reaça? Por outro lado, diz a Wikipedia que os pais do ex-comediante eram militantes do PCB (Partido Comunista Brasileiro) e o próprio Marcelo engrossou as fileiras do partidão na juventude. Ou seja, Madureira é ex-comunista. Vixe! Todo mundo sabe que ninguém é mais furiosamente reaça do que um ex-comunista.

Tentando decifrar a psiquê de Madureira, mergulhei na minha velha coleção de almanaques Casseta&Planeta em busca de mais respostas. Fui uma grande fã do Planeta Diário e da Casseta Popular na adolescência. Cheguei a ir num show ao vivo da trupe no Canecão, em 1988. Eu simplesmente adorava o humor cáustico e nonsense deles. Mas hoje, relendo as revistas, me dei conta de que o humor que o Casseta&Planeta fazia datou. O almanaque é um verdadeiro catálogo de preconceitos. Tem de tudo ali.

Preconceito de classe:

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Preconceito de classe + racismo:

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Homofobia:

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Preconceito de origem:

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Preconceito de origem + racismo:

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Machismo:

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Putz. Me senti até envergonhada por um dia ter dado risada de algo tão repulsivo. É preciso lembrar que nesta época, final dos anos 1980, não se falava tanto quanto agora de preconceito, intolerância. Nem se sabia que bullying era bullying. E as vítimas das “inofensivas” brincadeiras tampouco haviam se conscientizado de que este tipo de humor não é engraçado, é apenas ofensivo. Negros, pobres, mulheres, gays, deficientes… Ninguém mais quer ser alvo de piada preconceituosa. Este tipo de humor datou, já era.

Muita gente ainda vai rir destas “piadas”? Infelizmente, sim. Mas é inegável que elas não cabem mais no Brasil e no mundo do século 21. Vejam bem, não é que tudo que o Casseta&Planeta fazia em sua revista fosse preconceituoso. Não, tem coisas hilárias até hoje ali, principalmente quando eles tiravam onda da guerra às drogas e mexiam com os políticos –homens, porque quando eram mulheres, como a ministra da Economia do governo Collor, Zélia Cardoso de Mello, fatalmente escorregavam no machismo.

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E eu acho que foi essa perda que amargou o Madureira. Ele não se conforma que o humor “politicamente incorreto” que fazia ao lado dos Cassetas tenha datado, que tenha virado coisa do passado, demodê. Que a arte da comédia tenha se moldado à sociedade contemporânea e dado as costas para a ofensa, a agressão, o constrangimento, o preconceito. Não é à toa que Madureira se una com frequência a outras viúvas do humor-bullying, como Danilo Gentili, para chorar suas pitangas dizendo ser alvo de “censura”, “patrulhamento”.

Por incrível que pareça, o ex-casseta atribui à esquerda em geral e ao PT em particular o sepultamento do estilo de comédia que sempre foi seu ganha-pão, o que pode explicar suas obsessões, mas está longe de ser realidade. O empoderamento das minorias, para desgraça (literal) de Marcelo Madureira e outros reaças do humor, é uma consequência natural da evolução humana. O que Madureira queria? Que as mulheres continuassem a não se ofender com piadas machistas? Que os negros continuassem tolerando piadas racistas? Que os gays continuassem aceitando piadas homofóbicas? O mundo mudou, mas Marcelo Madureira acha que é “culpa do PT”.

Além de expiar na esquerda as frustrações por não fazer mais nenhum sucesso como humorista, Madureira, como muitos atualmente nos mais diversos ramos, do jornalismo ao rock, também se tornou reaça furioso por uma estratégia de sobrevivência. Como comediante, ele não conseguia mais ganhar dinheiro; mas como reaça profissional, conquistou um lugar ao sol. Ser antiesquerdista, antifeminista, antipetista, antilulista, virou um nicho midiático em nosso país, uma carreira.

Mas a verdade da qual Madureira foge é que para fazer humor na era pós-politicamente correto é preciso ser mais inteligente do que antes. Fazer rir mofando-se dos outros é fácil, qualquer aluno secundário faz. Difícil é driblar as justas limitações do respeito às minorias e ainda assim conseguir provocar gargalhadas. Em entrevista ao amigo Gentili em 2015, Madureira demonstra seu recalque com as novas gerações de humoristas ao declarar que Marcelo Adnet e o pessoal do programa “Tá no Ar”, da Globo, não são nada além de “uma cópia” do TV Pirata e do Casseta. Como se eles tivessem culpa do humor de Madureira ter envelhecido mal.

(Os ex-Cassetas e Marcelo Madureira quando ainda sabia rir. Foto: divulgação)

(Os ex-Cassetas e Marcelo Madureira quando ainda sabia rir. Foto: divulgação)

Os outros integrantes do Casseta&Planeta superaram melhor a dor da perda e aparecem na mídia sempre relaxados, sorridentes. Madureira, que no programa de TV fazia o tipo “rabugento engraçado”, deixou o “engraçado” de lado e virou só rabugento. Está sempre de cara amarrada, triste, enfezado, reclamando sem parar, repetindo chavões sobre o PT, Lula, a esquerda… Uma pessoa que desconhece o passado que teve no Casseta e assiste a seu comentário na Jovem Pan pelo youtube jamais dirá que algum dia ele foi um humorista.

Recentemente, Marcelo Madureira foi cobrado por ter apoiado Aécio Neves nas eleições e fez um vídeo se declarando “desapontado” com as denúncias contra o senador tucano. No fundo, talvez a esperança de Madureira e de outras viúvas do politicamente incorreto seja que um governo de direita será capaz de resgatar o tipo de humor que ele fazia. Sei lá, um presidente reaça que baixe um decreto liberando humoristas para dizer barbaridades e outro decreto obrigando as pessoas a não se sentirem ofendidas.

Obviamente isso nunca vai acontecer. Mesmo que a esquerda jamais volte à presidência do Brasil (toc, toc, toc), não fará ressuscitar o politicamente incorreto que Madureira tanto amava. Se eu estivesse no lugar dele, faria um enterro simbólico de tudo isso, virava a página e tentava reencontrar o caminho do humor perdido. Ou então esquecia o humor para sempre e entrava para a política de uma vez, de preferência no partido do Bolsonaro, outro que não tem graça nenhuma.

 

 

 

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Como o Macarthismo perseguiu professores (exatamente como quer o Escola Sem Partido)

Publicado em 14 de junho de 2017
("Quão vermelha é a escolinha vermelha?)

(“Quão vermelha é a escolinha vermelha? É hora dos pais americanos saberem os fatos!”)

Há uma história pouco contada dentro da histeria anticomunista que tomou conta dos Estados Unidos entre 1947 e 1956, a chamada “caça às bruxas” ou Macarthismo: a perseguição, pelo senador Joseph McCarthy e seus discípulos, aos professores do país. Em março de 1952, a Suprema Corte norte-americana atestou a constitucionalidade da Lei Feinberg, aplicada no Estado de Nova York desde 1949. De acordo com a lei, as escolas públicas estavam proibidas de contratar professores “subversivos” e poderia demitir todos os docentes que julgassem “comunistas”.

Após o Supremo dar seu aval à lei, que contrariava frontalmente a primeira emenda da Constituição norte-americana, vários outros estados a adotaram, perseguindo e demitindo professores apontados como “subversivos”. Na maioria dos Estados, os docentes contratados por instituições educacionais públicas depois desta data eram obrigados a assinar um juramento atestando que não eram nem nunca foram comunistas.

Por 6 votos a 3, os juízes da Suprema Corte consideraram, como noticiou o New York Times na época, que “o Estado tem o direito constitucional de proteger as mentes imaturas das crianças nas escolas públicas da propaganda subversiva, sutil ou não, disseminada por aqueles para quem elas olham buscando informação, autoridade e liderança”.

Qualquer semelhança com o que diz o movimento Escola Sem Partido no Brasil de 2017 não é mera coincidência: “É fato notório que professores e autores de livros didáticos vêm-se utilizando de suas aulas e de suas obras para tentar obter a adesão dos estudantes a determinadas correntes políticas e ideológicas; e para fazer com que eles adotem padrões de julgamento e de conduta moral –especialmente moral sexual– incompatíveis com os que lhes são ensinados por seus pais ou responsáveis”.

Na prática, a Corte Suprema norte-americana avalizou o que já estava ocorrendo em todo o país com a “caça às bruxas” promovida pelos macarthistas em escolas e universidades: professores eram dedurados, submetidos a interrogatório e perdiam seus empregos. A paranoia anticomunista na educação havia começado em 1946, com a formação do Conselho Nacional para a Educação Americana, uma organização que tinha como finalidade “erradicar o socialismo, o comunismo e todas as formas de marxismo das escolas e universidades da América, e estimular a educação americana”, seja lá o que isto signifique.

Um ano antes de a lei Feinberg ser considerada constitucional, em fevereiro de 1951, o diretor do FBI, J. Edgar Hoover, instado por governadores de estados como Delaware e Illinois, decidira passar a espionar professores das escolas públicas e universidades do país para que os políticos não precisassem passar pelo “constrangimento” de serem acusados de perseguir docentes. Se os governadores fossem municiados confidencialmente, argumentaram, poderiam se proteger das acusações. A partir daí, o FBI teve carta branca para expandir a espionagem que fazia sobre os artistas hollywoodianos, intelectuais e políticos também ao professorado e demais funcionários públicos dos EUA.

“Em 30 de abril de 1951, uma conferência de executivos do FBI recomendava fazer uma purga de professores nas escolas públicas, porque ‘o contato diário dos professores com os pupilos cria uma ligação próxima e faz os professores controlarem efetivamente o pensamento das crianças e então insidiosamente impregnar suas mentes com o pensamento do partido Comunista’. Hoover deu sua aprovação escrevendo: ‘OK, H.’ na recomendação. O diretor acreditava que os subversivos estavam ’em ação em todas as instituições educacionais, desde o jardim da infância até a universidade'”, diz a introdução do historiador Kenneth O’Reilly, da Universidade do Alasca, para o catálogo dos documentos sobre a perseguição aos professores.

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(“Decência, honra, sinceridade:  ideias idiotas!” “É hora de todos os pais americanos terem um interesse maior em nossas escolas e uma mão mais ativa em moldar as mentes de suas crianças”)

Ao contrário do que Hoover pensava, a opinião pública não ficaria do lado da caça aos professores, mas a mídia, sim. Os estudiosos do tema dizem que somente um jornal do país, o Denver Post, teve um papel diferente. Como acontecia (e os “defensores da democracia” criticavam) na União Soviética de Stalin, colegas e alunos eram encorajados a denunciar os professores quando viam algum sinal de que eram “traidores” da pátria e “antiamericanos”, forma como o senador McCarthy e os adeptos de sua caça às bruxas chamavam os comunistas. Em vez dos fuzilamentos dos regimes totalitários, o que acontecia era o estrangulamento econômico do professor, que era demitido e não conseguia mais emprego em lugar algum.

Havia julgamentos públicos espetaculosos (“show trials”) de professores acusados de comunismo em prefeituras, salões comunitários, acampamentos militares, em escolas e presídios. A pergunta era a mesma: “Você é atualmente ou já foi membro do partido Comunista?” Milhares de professores e funcionários públicos perderam seus empregos no período, muitos chegaram a ser presos. Livros foram banidos ou queimados, como na distopia de Fahrenheit 451, o clássico da ficção científica de Ray Bradbury. E não é difícil imaginar quantas injustiças foram cometidas em nome de “salvar as criancinhas do perigo vermelho”.

("Então você lê, hein?" Cartum de Herblock no Washington Post, 1949)

(“Então você lê livros, hein?” Cartum de Herblock no Washington Post, 1949)

Em fevereiro do ano passado, o Boston Globe contou a história de como a loucura anticomunista do macarthismo destruiu a vida de uma professora na cidadezinha de Wayland, Massachusetts, em 1954. De nada adiantou Anne Hale afirmar, em um pronunciamento público, que era uma defensora da Constituição e da democracia, apesar de ter sido membro do Partido Comunista norte-americano na juventude. Foi demitida e perseguida a vida inteira. Só foi reintegrada à escola pública pela Justiça em 1968, 14 anos depois, quando se encontrava doente. Morreu antes de reassumir, aos 60 anos, vítima de um tumor no cérebro.

No ano em que foi afastada de sua querida escola, Anne não teve o direito nem de se despedir dos alunos. Deixou uma carta dizendo:

Queridas crianças,

Sua família irá dizer a vocês que pessoas diferentes possuem diferentes ideias sobre como o país deve ser governado. tenho trabalho há longo tempo da melhor maneira que conheço para assegurar que ‘a liberdade e a justiça para todos’ sobre a qual falamos toda manhã estará sempre conosco e que irá melhorar. aqueles que não concordam comigo dizem coisas duras.

Lembrem apenas destas coisas, que eu sei que vocês sabem: eu amo meu país e amo vocês.

Professores de universidades conceituadas, como Harvard e o MIT, também sofreram perseguições. Organizações estudantis que estudavam o marxismo foram fechadas e estudantes expulsos. Em 1949, a Universidade de Washington demitiu três professores acusados de “comunismo”, após um processo de investigação sobre 11 docentes, mesmo sem o Comitê de Atividades Antiamericanas ter conseguido provar que “doutrinavam” os alunos. Os três professores nunca puderam retornar à academia.

Hoover, o diretor do FBI, ordenou a seus agentes em todo o país que montassem dossiês sobre “pessoas subversivas” em pelo menos 54 universidades. Em 1953, a caça aos comunistas havia se estendido a Harvard, considerada um “reduto vermelho” por McCarthy, mas a universidade reagiu fortemente em defesa de sua longa tradição de liberdade acadêmica. O Conselho de Educação havia publicado, em 1949, uma lista dos Red-Ucators at Harvard, que citava 76 nomes, entre eles o do economista keynesiano John Kenneth Galbraith.

Um dos citados, o professor associado de Física Wendell H. Furry, denunciado por um colega como participante de um suposto grupo secreto de comunistas em Harvard, foi convocado a testemunhar diante do Comitê de Atividades Antiamericanas, mas preferiu permanecer calado. Ele foi defendido pelo próprio reitor da universidade, Nathan M. Pusey, que não aceitou os pedidos de McCarthy para que Furry fosse demitido, e também pelo Nobel de Física de 1952, seu colega de Harvard Edward M. Purcell. “É um homem que está subvertendo e pervertendo as mentes da juventude americana”, disse o senador sobre o professor.

McCarthy conseguiu pressionar instituições inteiras ao tirar as isenções fiscais de todas as entidades filantrópicas que tivessem “comunistas ou simpatizantes do comunismo em sua folha de pagamentos”. O resultado é que muitos destes centros simplesmente fecharam as portas.

(O professor Keyishian e seu alvo de T.S.Elliot nos anos 1960. Arquivo pessoal)

(O professor Keyishian e seu alvo de T.S.Elliot nos anos 1960. Foto: arquivo pessoal)

No início dos anos 1960, um grupo de professores da Universidade de Búfalo, no Estado de Nova York, se recusou a assinar o juramento sobre ser ou não ser comunista e decidiu apelar à Suprema Corte. Encabeçados pelo professor de Letras Harry Keyishian, os docentes ganharam a causa e a lei Feinberg, que proibia a contratação de comunistas, foi finalmente considerada inconstitucional em janeiro de 1967, por um placar apertado de 5 a 4.

O caso, que ficaria conhecido como Keyishian vs. Board of Regents, é considerado o mais importante em defesa da liberdade acadêmica da história do Direito norte-americano.  Após a reversão na Justiça, todos os professores que perderam seus empregos em virtude da perseguição macarthista foram readmitidos e tiveram sua aposentadoria assegurada.

50 anos depois que esta tragédia acabou, tentam ressuscitá-la no Brasil com o nome de Escola Sem Partido. O projeto de lei que regulamenta esta aberração está em discussão no Congresso, mas a caça às bruxas já está acontecendo: alunos estão gravando professores em sala de aula para acusá-los sabe-se lá de quê nas redes sociais; o vereador de direita paulistano Fernando Holiday invade escolas para assediar e constranger professores; coordenadores escolares recebem denúncias por e-mail acusando professores de serem “gays ou esquerdistas”; e uma professora de Santa Catarina está sendo processada na Justiça por uma aluna reaça por dar um curso sobre feminismo.

Se esta lei for aprovada, imaginem o que não fará às nossas escolas e à liberdade de expressão dos professores. O projeto em apreciação na Câmara deixa explícito que, como aconteceu nos EUA na década de 1950, abrirá caminho à deduragem e às perseguições de esquerdistas. “As secretarias de educação contarão com um canal de comunicação destinado ao recebimento de reclamações relacionadas ao descumprimento desta Lei, assegurado o anonimato”, diz o texto do famigerado projeto da Escola Sem Partido. É o neomacarthismo demonstrando que a direita brasileira caminha para trás.

 

 

 

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Gentili diz sofrer “censura” de Maria do Rosario, mas processou Cynara Menezes por um tweet

Publicado em 7 de junho de 2017
(Cuidado que essa máxima só vale para ele)

(Cuidado que essa máxima só vale para ele. Foto: divulgação)

O apresentador e pseudohumorista Danilo Gentili está de mimimi por ter sido condenado pela Justiça do Rio Grande do Sul a apagar de suas redes sociais o vídeo ofensivo que fez contra a deputada federal Maria do Rosario (PT-RS). Segundo ele, Rosario tenta “censurá-lo” porque o notificou extra-judicialmente para que não citasse mais notícias falsas sobre a filha da deputada, menor de idade. Gentili aparece no vídeo rasgando a notificação, enfiando dentro da cueca e dizendo que vai mandar de volta para Rosario. A Justiça entendeu que o vídeo é “misógino” e ordenou a retirada do ar sob pena de multa de 500 reais por dia.

É curioso que Gentili se diga “vítima de censura” quando, em 2015, enviou para a autora deste blog, Cynara Menezes, uma interpelação judicial por “crime contra a honra” em virtude de um mísero tweet no perfil da jornalista na rede social.

Cynara ironizava o fato de um professor da PUC-RS ter feito uma “piadinha” extremamente machista, bem no estilo “politicamente incorreto” que Danilo e seus seguidores tanto prezam. Um exemplo deste tipo de comportamento é o tweet, posteriormente apagado por ele, onde o “humorista” do SBT ensina como se aproveitar de mulheres bêbadas.

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Quer dizer que a liberdade de expressão só vale para a direita? Danilo Gentili pode falar o que quiser, mas ninguém pode pensar o que quiser sobre ele? Quem é o verdadeiro censurador? Perguntem a ele.

Na resposta à notificação, a jornalista Cynara Menezes disse que “a intenção do tweet foi meramente sarcástica, com um profissional de mídia e ‘humor’ que prima, como foi fartamente demonstrado, pela incorreção política. É espantoso que uma tentativa de intimidação e censura parta de um apresentador tão cioso da liberdade de expressão”.

Cynara lembrou que a implicância de Gentili com ela teve início quando publicou um texto crítico ao seu colega de palco, o roqueiro Roger Moreira, da banda Ultraje a Rigor, até hoje um dos mais lidos do blog Socialista Morena. Gentili fez questão de divulgar nas redes sociais um texto atacando a jornalista e, desde então, Cynara é insultada pelos seguidores do “humorista”.

Ela também lembrou que, em maio de 2015, dois meses antes de entrar na Justiça para “pedir explicações” pelo tweet, uma produtora de Danilo Gentili entrou em contato com a jornalista para convidá-la, em nome dele, a participar de um novo programa que Gentili estava preparando para a internet, como debatedora. Cynara recusou e postou nas redes sociais a razão da recusa, e o imbróglio acabou virando notícia em um portal.

 

 

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